O tesouraço sem números
O plano de Flávio Bolsonaro promete cortar pelo menos 10 ministérios, mas não traz um real de corte; o único número, R$ 250 bilhões, é negado pela campanha.
terça-feira, 20 de outubro de 2026
Fontes: Banco Central, IBGE e Tesouro · dado mais recenteBC · IBGE · STN

Repórter de Gastos públicos, Revista Independência
Mayara Junqueira é repórter de gastos públicos da Revista Independência. Cobre gastos públicos para a Revista Independência. É formada em jornalismo pela UFAM, com passagens por redações em Cuiabá e no eixo Rio–São Paulo. Fez carreira em jornal de bairro e em portal estadual antes do salto para a redação. Acompanhou três eleições majoritárias de perto. Defende que toda reportagem tem de caber em uma frase que qualquer vizinho entenda.
O plano de Flávio Bolsonaro promete cortar pelo menos 10 ministérios, mas não traz um real de corte; o único número, R$ 250 bilhões, é negado pela campanha.
O plano promete tesouraço, corte de ministérios e novas regras fiscais. Não traz meta de juros, não cita o Banco Central nem diz quanto pretende economizar.
Passo a passo para achar despesas, salários de servidores, emendas parlamentares e repasses a estados e municípios no site mantido pela CGU.
Parcela corrigida pela Selic bate recorde de 52,74%; juros de R$ 88,4 bilhões anularam os resgates líquidos de R$ 84,4 bilhões feitos no mês.
Contenção total cai para R$ 16,1 bilhões; receita menor transforma o superávit projetado em déficit de R$ 13,6 bilhões após as deduções.
Em 12 meses até julho, o setor público teve déficit primário de R$ 89,3 bilhões; com os juros da dívida, o rombo nominal chegou a R$ 1,24 trilhão.
Projeto prevê superávit de R$ 83,4 bilhões pela regra da meta fiscal, mas de só R$ 18,6 bilhões quando todos os gastos entram na conta.
A Lei Complementar 200, de 2023, amarra a alta da despesa à da receita e fixa metas anuais com margem de tolerância e punições automáticas.