Câmara, Senado e OAB reconhecem vitória de Lula; Flávio contesta

Hugo Motta, Davi Alcolumbre, a OAB e o vice-governador de SP reconheceram o resultado. O presidente do TSE disse que a prorrogação não trouxe nenhuma alteração.

Fachada de vidro escuro do edifício-sede do Tribunal Superior Eleitoral em Brasília, com cúpulas brancas na frente
Edifício-sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília.Foto: Alexandresena / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

No domingo (25), Lula (PT) foi reeleito no segundo turno, com 51,79% dos votos válidos, ou seja, sem contar brancos e nulos. Na mesma noite, Flávio Bolsonaro (Partido Liberal, PL) disse que não reconhece o resultado. “Vamos pedir a anulação dessas eleições”, afirmou, segundo a InfoMoney.

Flávio reagiu a uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele prorrogou a votação até as 19h, a pedido das duas campanhas, segundo a Reuters. A medida valia só para as seções ainda abertas. Flávio criticou que a decisão tenha partido de um ministro do STF, e não do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele também disse que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre, ambiente fechado onde os dados da apuração são guardados. A InfoMoney lembrou que essas acusações ainda não foram comprovadas.

Quem reagiu, e como

Declarações de instituições e líderes, 25 e 26 de outubro de 2026 Declarações publicadas em reportagens e no site da OAB

Quem O que disse Data
Kassio Nunes Marques, presidente do TSE “Não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial.” 25/10
Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Conselho Federal Parabenizou Lula e defendeu “o respeito à manifestação da vontade popular expressa nas urnas” 25/10
Hugo Motta, presidente da Câmara “Com essa vitória de hoje, penso que o Brasil tem mais uma oportunidade de olhar para frente” 25/10
Davi Alcolumbre, presidente do Senado “A vitória, em primeiro plano, foi da democracia” 25/10
Felício Ramuth, vice-governador de SP (MDB) “a maioria dos eleitores escolheu outro caminho, e respeito o resultado das urnas” 26/10
Ronaldo Caiado, ex-governador de GO (PSD) “nos curvamos à decisão da maioria e à decisão da apuração” 26/10
Romeu Zema, ex-governador de MG (Novo) “O Lula aplicou um golpe à la Venezuela” 26/10

Fontes: Reuters, OAB, Poder360, Metro 1, CNN Brasil, Exame. Ver Fontes.

Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, não falou publicamente, segundo a Exame. Aliados dizem que ele não vai contestar o resultado. Não encontramos nota da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a eleição, nem nota do STF sobre a apuração.

O que o TSE disse sobre a prorrogação

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, disse que a decisão “gerou dificuldades ao processo eleitoral”, segundo a Reuters. Ele também afirmou: “Nunca, na história do TSE, houve qualquer prorrogação”. Para ele, prorrogar uma eleição “tem que ser pensada, calculada e estruturada”.

A campanha de Flávio também tinha pedido mais tempo de votação. Antes do discurso, ela pediu ao TSE votação até as 19h em municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, por causa da chuva, segundo a InfoMoney. O vice-governador Felício Ramuth disse que o pedido do próprio PL causou estranheza.

Os números finais foram de 64.256.232 votos para Lula e 59.826.041 para Flávio, segundo a InfoMoney. A diferença é de 4.430.191 votos, cálculo nosso a partir desses dados.

O que diz Flávio Bolsonaro: Ele afirmou que a prorrogação tratou eleitores de regiões diferentes de forma desigual, e que vai pedir a anulação no TSE. A posição vem do discurso de domingo (25), segundo a InfoMoney e a Gazeta do Povo. Não houve contato direto com a campanha para esta matéria.

O que isso significa

Até esta publicação, não encontramos decisão do TSE sobre pedido de anulação. O caminho formal para contestar uma eleição passa pela Justiça Eleitoral. Entre os nomes de direita e centro-direita que se manifestaram, a maioria aceitou o resultado. A divergência ficou com a campanha de Flávio e com Zema.

Como fizemos: Reunimos declarações publicadas entre 25 e 26/10/2026 pela Reuters, InfoMoney, Gazeta do Povo, Band, Poder360, Metro 1, CNN Brasil e Exame, além do site da OAB. Acessamos as fontes em 26/10/2026. Os votos vêm da InfoMoney, com 100% das urnas apuradas. A diferença de 4.430.191 votos é nosso cálculo. Os relatos divergem sobre horários e alcance da prorrogação; usamos a versão da Reuters. Não cobrimos todas as manifestações possíveis.

Atualização, 26/10, 18h08: segundo a CNN Brasil, a campanha de Flávio passou a dizer que não haverá pedido de anulação da votação e que vai buscar a cassação da chapa de Lula. A informação não foi confirmada pela redação com a campanha.

Fontes