Tarifa é imposto, e Flávio agradeceu o tarifaço antes de apagar

Tarifa é imposto pago pelo comprador e pelo exportador. Em 2025, Flávio agradeceu a Trump pelo tarifaço de 50% e depois apagou a postagem.

Terminal de containers em porto brasileiro, com pilhas de contêineres coloridos, guindastes azuis e uma igreja sobre o morro ao fundo.
Containers e guindastes no terminal de cargas do Porto de Salvador (BA), em março de 2023.Foto: Samory Pereira Santos / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Em 9 de julho de 2025, Flávio Bolsonaro agradeceu a Donald Trump, no X, pela tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Depois, apagou a postagem. Duas semanas depois, ao CNN Brasil, afirmou: “Quando apertei o send, eu já me arrependi na hora”.

Tarifa é um imposto cobrado na entrada de mercadorias. Em regra, quem paga primeiro é o importador do país que a aplica, que repassa o custo ao preço. O exportador do país atingido perde mercado ou reduz a margem. É a lição mais antiga do livre comércio, e ela vale para os dois lados.

Por isso, o argumento liberal se dirige contra a barreira, e não contra quem a sofre. Quem impõe a tarifa perde eficiência, e quem a recebe perde mercado. A saída que a teoria indica é negociar a redução de barreiras. Aplaudir a barreira imposta ao próprio país é difícil de conciliar com esse discurso.

Alíquota é o percentual cobrado sobre o valor do produto. Sobretaxa é um acréscimo sobre a alíquota normal. O exportador brasileiro sente essa diferença em duas frentes: no preço que o comprador aceita pagar e no volume de vendas. Quando o comprador acha um fornecedor de outro país sem a tarifa, ele troca de fornecedor. Os economistas chamam isso de desvio de comércio.

A tarifa também entrou na disputa política. No fim de julho de 2025, os Estados Unidos sancionaram o ministro Alexandre de Moraes pela Lei Magnitsky, segundo a UW–Madison LADD. Foi no mesmo período do tarifaço ligado ao julgamento de Jair Bolsonaro. A Lei Magnitsky permite bloquear bens e vistos de estrangeiros acusados de violações de direitos humanos ou corrupção. Para o exportador, a incerteza pesa quase tanto quanto a alíquota: sem saber se a regra vai mudar, ele adia contratos e investimentos.

A linha do tempo

Um ano depois, o tema voltou com novas tarifas, de 25%. A tabela resume os episódios e a posição de Flávio registrada nas reportagens.

Em 2025 Flávio agradeceu a tarifa; em 2026 pediu sua suspensão e culpou Lula Principais episódios e posição de Flávio Bolsonaro, de julho de 2025 a julho de 2026

Data Fato Posição de Flávio
9 jul. 2025 Trump anuncia tarifa de 50% sobre produtos brasileiros Agradece no X e depois apaga a postagem
25 jul. 2025 Entrevista ao CNN Brasil Diz que se arrependeu na hora
30 jul. 2025 EUA sancionam Moraes pela Lei Magnitsky Não consta nas fontes consultadas
6 e 7 jul. 2026 Pedido ao USTR, o escritório de comércio dos EUA, para suspender as tarifas de 25% até a eleição Culpa o governo Lula, em audiência em Washington
15 jul. 2026 Tarifas de 25% entram em vigor —

Fonte: SBT News, CNN Brasil, UW–Madison LADD, Band e Reuters, conforme citados no texto. Elaboração: redação.

Quem agradeceu a tarifa em 2025 pediu, em 2026, que as novas tarifas fossem suspensas. Na mesma viagem, culpou o governo Lula por elas.

A conta política

Uma pesquisa Quaest, citada pela Reuters em julho, mediu a influência que as tarifas diziam ter sobre o voto. Segundo a agência, 42% disseram que as tarifas os levaram a votar em Lula, contra 27% que disseram o mesmo sobre Flávio. Trata-se de influência declarada, e não de intenção de voto. A mesma reportagem diz que 63% acham que as tarifas os prejudicariam, a eles ou à família.

Em 16 de junho de 2026, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Eduardo Bolsonaro a 4 anos e 2 meses de prisão por coação. Segundo a Agência Brasil, ele buscou tarifas e sanções americanas no processo do pai. Eduardo, que perdeu o mandato de deputado federal em dezembro de 2025, disse que atuaria nos EUA para retomar as sanções contra Moraes se Flávio vencer, segundo o Poder360.

Líderes do agronegócio, sem se identificar, disseram ao jornal O Globo que a viagem de Flávio a Washington foi “contraproducente”. A informação foi republicada pelo Imirante. O governo Lula respondeu com o Plano Brasil Soberano, criado por medida provisória em agosto de 2025. Segundo a Agência Brasil, ele abriu uma linha de crédito de R$ 30 bilhões para empresas atingidas pela sobretaxa. A política comercial e externa de Lula também é contestada por opositores, e a disputa sobre quem tem razão fica para o eleitor.

O que diz Flávio Bolsonaro: Em entrevista à CNN Brasil, disse que se arrependeu da postagem sobre a tarifa de Trump, e que “quando apertei o send, eu já me arrependi na hora”. No debate da Band, afirmou que foi aos Estados Unidos para defender empresas brasileiras, segundo o Correio Braziliense.

Os fatos formam uma sequência: agradecer a tarifa em 2025, dizer que se arrependeu e, em 2026, pedir a suspensão e culpar o governo Lula. A tarifa encarece o produto para o comprador americano e reduz a venda do exportador brasileiro. Essa é a conta econômica da tarifa, antes de qualquer disputa sobre culpa. Os registros mostram a tarifa como assunto de campanha em 2025 e em 2026. Para o exportador, ela sempre foi custo.

Como fizemos: Esta é uma análise de notícia. Reunimos declarações de Flávio Bolsonaro e dados de reportagens listadas em Fontes, acessadas em outubro de 2026. As datas e os percentuais são os informados pelas fontes, sem cálculo próprio e sem correção pela inflação. Não tivemos acesso ao post original no X, e a pesquisa Quaest é citada como relatada pela Reuters.

Fontes