Lula venceu por 4,4 milhões; votos após as 17h somam 35 mil
Registros das urnas mostram de 34 mil a 36 mil votos depois das 17h. Flávio pede anulação; TSE nega que fiscais tenham sido retirados.

Lula venceu o segundo turno com 64.256.232 votos. Flávio Bolsonaro (PL) teve 59.826.041. A diferença foi de 4.430.191 votos, segundo levantamento da Jovem Pan com os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Flávio disse que não reconhece o resultado.
A votação foi prorrogada no domingo (25) por decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão saiu pouco depois das 17h e estendeu o horário até as 19h. O pedido veio da campanha de Lula, que citou falta de transporte para eleitores.
A medida valia só para as seções que ainda estavam abertas. Segundo a cronologia do Poder360, seções já encerradas não foram afetadas. A campanha de Flávio também tinha pedido prorrogação, em 19 cidades de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, por causa de chuvas e alagamentos.
Quantos votos entraram depois das 17h
Duas análises dos registros das urnas chegaram a números próximos. Ambas contam entre 34 mil e 36 mil votos depois das 17h. Esses registros são automáticos: guardam a hora de cada voto, mas não o candidato escolhido.
Votos depois das 17h e a diferença final Número de votos, eleição presidencial de 25/10/2026
| Indicador | Número |
|---|---|
| Votos de Lula (51,79% dos válidos) | 64.256.232 |
| Votos de Flávio (48,21% dos válidos) | 59.826.041 |
| Diferença entre os dois | 4.430.191 |
| Votos registrados entre 17h e 19h (Jovem Pan) | 34.319 |
| Votos depois das 17h (G1) | 35.521 |
Fonte: TSE, via Jovem Pan; análises de registros da Jovem Pan e do G1. Cálculos próprios.
A conta é simples. Se todos os 35.521 votos do G1 tivessem ido para Flávio, a diferença cairia para cerca de 4,39 milhões. Lula ainda venceria. A diferença final equivale a 124 a 129 vezes esse grupo de votos.
Parte desses votos é de eleitores que já estavam na fila às 17h. Eles podiam votar sem a decisão judicial, segundo a Jovem Pan.
Como se confere uma eleição
Cada urna imprime um boletim de urna (BU) ao fim da votação. Em 2022, segundo reportagem do Aosfatos sobre as regras do TSE, saíam pelo menos cinco vias. Uma ficava afixada na seção. Outra ia para o fiscal de partido presente, e duas iam ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
O mesmo texto diz que qualquer pessoa pode conferir os boletins de todas as seções no site do TSE. Esse é o ponto da totalização pública, que é a soma dos votos de todas as seções. Com os boletins publicados, a soma pode ser comparada seção por seção.
O TSE interrompeu a contagem às 17h06, com 0,25% das urnas apuradas. A divulgação voltou às 19h, segundo o Poder360. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, disse que a decisão veio depois das 17h. Ele afirmou que “milhares de urnas no Brasil já estavam encerradas”, segundo a Gazeta do Povo.
O que o TSE responde sobre a sala-cofre
Flávio disse que os fiscais do PL foram retirados da sala-cofre. O TSE respondeu que a afirmação é falsa. Segundo o órgão, a sala-cofre não fica aberta à visitação pública.
O TSE diz que fiscais do PL acompanharam o teste de integridade das urnas e seguiram a totalização. Também visitaram a Sala dos Partidos Políticos. O tribunal cita registros de presença e filmagens da Sala de Totalização, onde os observadores tinham acesso livre até o fim da apuração.
O que diz Flávio Bolsonaro: No domingo (25), ele disse: “É impossível reconhecer o resultado dessa eleição no contexto em que essas coisas aconteceram”, e afirmou: “Vamos pedir a anulação dessas eleições”. Ele também disse que os fiscais do PL foram retirados da sala-cofre. (Fonte: InfoMoney, 25/10/2026.)
O que vem a seguir
O pedido de anulação precisa virar uma ação na Justiça Eleitoral. Até esta publicação, não localizamos essa ação no TSE. A campanha de Flávio também pediu a prorrogação que agora contesta.
Para a Revista Independência, instituições e regras verificáveis são o que faz a economia de mercado e a democracia funcionarem. Um boletim impresso, um fiscal presente e uma totalização pública permitem conferir o resultado. Uma disputa sobre a eleição deve ser decidida pelos registros, e não por declarações.
Como fizemos: Usamos o total de votos publicado pela Jovem Pan com dados do TSE, a análise de registros da Jovem Pan (17h às 19h, 34.319 votos) e a do G1, citada pela Gazeta do Povo (depois das 17h, 35.521 votos), todas publicadas em 26/10/2026. A diferença de 4.430.191 é a subtração dos dois totais. As relações de 124 a 129 vezes e o cenário de 4,39 milhões são cálculos nossos. Os registros não identificam o candidato, então não é possível dizer quanto da diferença depende da prorrogação. Não falamos diretamente com a campanha de Flávio; as declarações vêm de reportagens publicadas em 25 e 26/10/2026.
Fontes
- Flávio não reconhece resultado da eleição e diz que pedirá anulação ao TSE — InfoMoney (25/10/2026)
- Leia a cronologia da ampliação do horário de votação no 2º turno — Poder360 (25/10/2026)
- 34.319 votos foram registrados entre 17h e 19h; Lula venceu por 4,43 milhões — Jovem Pan (26/10/2026)
- Extensão do horário de votação teve 35 mil votos entre 17h e 19h, aponta levantamento — Gazeta do Povo (26/10/2026)
- TSE responde Flávio e diz que fiscais não foram retirados da sala-cofre — Gazeta do Povo (26/10/2026)
- Vídeo engana ao dizer que boletim de urna jogado na rua em Curitiba indica votos descartados — Aosfatos (reportagem de 2022, sobre as regras do boletim de urna)


