União garante empréstimo de R$ 7 bilhões aos Correios

Aval do Tesouro cobre bancos em caso de calote; operação se soma a crédito de R$ 12 bilhões e aporte de R$ 6 bilhões previsto.

Fachada da Agência Central dos Correios em Campina Grande, com pedestres e veículos na rua
Agência Central dos Correios em Campina Grande, na Paraíba, em foto de 30 de abril de 2005.Foto: Bruno Coutinho Araújo / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

O Ministério da Fazenda autorizou a União a garantir um empréstimo de R$ 7 bilhões aos Correios. O despacho do ministro Dario Durigan foi publicado no Diário Oficial da União desta quarta-feira (28). Se a estatal não pagar, o Tesouro Nacional terá de honrar a dívida com os bancos.

A garantia não é uma transferência imediata de recursos públicos. Ela permite à empresa contratar crédito com ABC Brasil, Citibank, Deutsche Bank e JP Morgan. O empréstimo integra o plano de reestruturação financeira previsto para o período de 2025 a 2027.

A operação terá prazo de 15 anos e custo efetivo de 114,26% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), segundo o InfoMoney. O CDI é uma referência de juros que acompanha de perto a Selic, a taxa básica da economia. A carência será de 36 meses para começar a pagar juros e principal.

Crédito garantido se soma a outro empréstimo

Em dezembro de 2025, os Correios já haviam contratado R$ 12 bilhões com garantia da União. Os recursos serviram para recompor o caixa, normalizar entregas e pagar compromissos. Considerados os dois contratos, o novo empréstimo representa 36,8% dos R$ 19 bilhões em crédito avalizado.

Novo aval equivale a mais de um terço dos dois empréstimos Operações de crédito dos Correios com garantia da União

Operação Valor Situação
Crédito contratado em dezembro de 2025 R$ 12 bilhões Recursos recebidos
Novo crédito autorizado em outubro de 2026 R$ 7 bilhões Garantia publicada
Total R$ 19 bilhões Não inclui aporte

Fontes: Demonstrações contábeis dos Correios e InfoMoney. Participação calculada pela redação.

Há ainda um aporte de R$ 6 bilhões previsto para 2027. Aporte é dinheiro do acionista para reforçar o patrimônio da empresa, sem criar uma dívida bancária. Esse valor está no projeto do Orçamento enviado ao Congresso e não deve ser confundido com o aval agora publicado.

Prejuízo explica necessidade de socorro

As demonstrações financeiras mostram por que a estatal busca novos recursos. O prejuízo líquido chegou a R$ 5,55 bilhões no primeiro semestre de 2026. A perda foi 30,36% maior que os R$ 4,26 bilhões registrados no mesmo período de 2025, conforme levantamento do UOL.

A própria empresa informa patrimônio líquido negativo e necessidade de recuperar a geração de caixa. Entre as pressões estão a queda das receitas postais tradicionais, custos operacionais e provisões judiciais. Provisões são valores reservados para obrigações cuja saída de recursos é esperada.

O plano prevê desligamentos voluntários, automação, fechamento de unidades e parcerias privadas. A administração quer voltar ao lucro no fim de 2027, segundo o InfoMoney. As contas de junho relatam avanços operacionais, mas reconhecem que eles ainda não produziram recuperação financeira suficiente.

O que dizem os Correios: Nas demonstrações do segundo trimestre, a administração afirma que as fontes disponíveis e previstas sustentam a continuidade das operações. A empresa também reconhece resultados negativos e diz que os benefícios do plano ainda precisam virar geração recorrente de caixa.

O que fica sob observação

O aval reduz o risco para os bancos, mas não elimina a conta para a sociedade. A dívida continuará sendo dos Correios enquanto a empresa pagar. O Orçamento federal só arcará com as parcelas se houver inadimplência, dentro das condições da garantia.

Os próximos documentos devem mostrar a contratação efetiva e a entrada dos recursos. Também será preciso acompanhar as metas do plano e a votação do aporte no Congresso. A recuperação depende de gerar caixa, não apenas de alongar dívidas.

Como fizemos: Comparamos o despacho publicado nesta quarta com as demonstrações contábeis dos Correios de 30/06/2026 e reportagens de G1, UOL e InfoMoney. Calculamos a participação de R$ 7 bilhões no total de R$ 19 bilhões dos dois créditos. Não somamos o aporte ao endividamento nem tratamos a garantia como despesa já realizada.

Fontes