Defasagem do diesel da Petrobras supera o subsídio pela 1ª vez

Segundo a Abicom, o diesel da Petrobras ficou R$ 3,53 por litro abaixo do preço de importação, mais que o subsídio de R$ 3,52.

Vista de longe da Refinaria Gabriel Passos, da Petrobras, com torres, tubulações e esferas de armazenamento, atrás de casas e árvores em primeiro plano.
Refinaria Gabriel Passos, da Petrobras, em Ibirité (MG), em foto de 2010. A imagem é de arquivo.Foto: altair mendes / Panoramio / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Na quinta-feira (22), o diesel vendido pela Petrobras ficou R$ 3,53 por litro abaixo do preço de importação. A conta é da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). Foi a primeira vez que essa diferença passou do valor da subvenção, o pagamento do governo a produtores e importadores de diesel, que estava em R$ 3,52 por litro.

Essa diferença se chama defasagem. Ela mede quanto o preço da Petrobras fica abaixo do preço de paridade de importação (PPI), uma estimativa do que custaria trazer o combustível do exterior. A Abicom calcula o índice em parceria com a consultoria StoneX Brasil.

Segundo a Safras & Mercado, o cálculo usa preços de referência de gasolina e diesel, o câmbio e o frete marítimo. Quando a Petrobras vende abaixo desse valor, o importador não consegue competir com o preço interno.

Diesel passou o valor do subsídio

Três dias antes, na segunda-feira (19), a Abicom já apontava defasagem de R$ 3,50 por litro. Naquele dia, o Brent, referência do petróleo no mercado internacional, fechou a US$ 111 o barril, segundo o Jornal do Comércio. Em 23 de outubro, o diesel estava havia 145 dias sem reajuste, segundo o Mercado & Consumo.

Enquanto o preço fica parado, a diferença recai sobre a estatal ou sobre o subsídio do governo. Quando o petróleo sobe e o preço interno não acompanha, a defasagem cresce.

Gasolina tem defasagem menor

Na gasolina, a diferença é menor. Em 19 de outubro, a Abicom estimou a defasagem em 20%, ou R$ 0,43 por litro abaixo do preço externo. O último aumento da gasolina foi de R$ 0,44 por litro, em meados de setembro, segundo o Mercado & Consumo.

Governo e mercado esperam ajuste lento

Segundo a Agência Estado, o Conselho de Administração da Petrobras se reúne na segunda-feira (26) para discutir a defasagem. Até a publicação, não localizamos a decisão do conselho.

Araújo, presidente da Abicom, afirmou: “Passado esse momento, vão ter que arrumar a casa, mas terá que ser de maneira lenta e gradual.”

O Goldman Sachs trabalha com preços do diesel parados até o fim do ano, segundo o Minaspetro, que cita a Exame. O banco vê incerteza sobre a renovação dos subsídios. Se a diferença acabar depois da eleição, seria preciso um aumento imediato “na casa dos 50%”.

O mesmo banco mede a defasagem em 21% em relação à paridade, já com os subsídios contados. A Abicom usa outra conta, de 108% no diesel. Medidas diferentes geram números diferentes, e por isso citamos cada uma com a fonte.

O que diz a Petrobras: Em comunicado de 19 de setembro de 2026, enviado à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), a empresa diz buscar evitar “a repassagem imediata aos preços internos da volatilidade temporária dos preços internacionais de commodities” (tradução livre). Não localizamos manifestação da companhia sobre a defasagem de 22 de outubro.

O que isso significa

Os dados mostram a defasagem crescendo com o petróleo alto e o preço fixo. Um reajuste reduziria a diferença, mas chegaria às bombas. Segundo o Minaspetro, o Goldman estima alta de cerca de 20% nas bombas se a refinaria subir 50%.

O que está em aberto é a decisão do conselho da Petrobras, a renovação dos subsídios e o rumo do petróleo. As fontes consultadas não trazem data para nenhum dos três.

Como fizemos: Usamos reportagens publicadas entre 20 e 26 de outubro de 2026 e um comunicado da Petrobras de 19 de setembro, acessados em 27/10/2026. Os números da Abicom vêm de reproduções do Jornal do Comércio, do Mercado & Consumo, da Agência Estado e do Eixos, e não do site da entidade, que retornou erro. Não localizamos, nas fontes consultadas, a defasagem de R$ 4,15 por litro no diesel nem a de R$ 0,96 na gasolina atribuídas à Abicom para 27/10. Publicamos a última medição localizada, de 22/10. Também não confirmamos o preço de R$ 5,43 por litro, a paridade de R$ 7,30 nem o petróleo WTI perto de US$ 100 citados para o Goldman Sachs; usamos o Brent, de US$ 111 em 19/10.

Fontes