China suspende carne da MBRF em Promissão e não diz o motivo

Frigorífico de Promissão (SP), da MBRF, deixou de exportar carne à China em 22 de outubro; o motivo ainda não é oficial.

Ilustração abstrata em tons de azul-marinho, com barras e círculos em cor clara. Não mostra pessoas nem a fábrica.
Imagem provisória: ainda não há foto licenciada da unidade de Promissão (SP). Ela será substituída quando houver.Ilustração: Imagem provisória

Na quinta-feira (22), a China suspendeu a importação de carne bovina do frigorífico da MBRF em Promissão, no interior de São Paulo. A medida consta da lista de estabelecimentos autorizados pela Administração-Geral de Aduanas da China (GACC), órgão que cuida das importações no país. A CNN Brasil publicou o caso na segunda-feira (26).

O comunicado chinês não informa o motivo nem o prazo. A unidade tem o registro SIF 2543. O Serviço de Inspeção Federal (SIF) é o órgão do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) que fiscaliza frigoríficos. Segundo a empresa, as demais autorizações da unidade seguem valendo, inclusive a dos Estados Unidos.

O motivo ainda não é oficial

Fontes ouvidas pela imprensa apontam resíduos de acaricida, produto usado contra carrapatos e outros ácaros. Segundo o Broadcast Agro, serviço do Grupo Estado, a substância seria o fluazuron. Ele é usado contra carrapatos em bovinos, e a China não o autoriza. As fontes falam em detecções repetidas em cargas enviadas ao país.

Essas fontes não são identificadas. Segundo as reportagens consultadas, nenhuma autoridade confirmou o motivo até agora.

O que diz a empresa

A MBRF é fruto da fusão entre Marfrig e BRF, concluída em 2025. Em nota, a empresa afirmou que “tomou conhecimento da medida”. Ela já transfere os volumes de Promissão para Várzea Grande (MT), que, segundo a companhia, “tem plena capacidade para atender a demanda do mercado chinês”.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) disse não ter sido comunicada oficialmente da suspensão.

Quanto a China pesa nas vendas

Em 2025, o Brasil exportou 3,5 milhões de toneladas de carne bovina. A China comprou 1,68 milhão de toneladas, ou 48% do volume. Em receita, foram US$ 8,9 bilhões de um total de US$ 18,03 bilhões, quase metade. Os dados são da Abiec, com base no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Desde 1º de outubro, o volume acima da cota chinesa paga 67% de tarifa. A cota de 2026 para o Brasil é de 1,106 milhão de toneladas e já foi esgotada. Dentro dela, a tarifa é de 12%. Acima, somam-se 55% de sobretaxa, segundo a Mercado&Consumo.

O que vem agora

Não há prazo para a volta, e a decisão cabe às autoridades chinesas. Em setembro, a unidade de Promissão estava na lista de uma missão sanitária chinesa, segundo a CNN Brasil. Na ocasião, o Mapa disse que a agenda pode levar à “reabilitação de plantas que tiveram as exportações suspensas”.

Em 2022, a mesma unidade ficou fora do mercado chinês por cerca de quatro semanas, também segundo a CNN Brasil. Até a publicação, as reportagens consultadas não trazem manifestação do Mapa sobre o caso.

O que isso significa

A suspensão atinge uma fábrica, não toda a carne brasileira. Seguem em aberto o motivo oficial, o prazo e as provas que a China vai exigir. Como a cota de 2026 já foi usada, o efeito imediato sobre os embarques tende a ser menor. O próximo teste é a cota de 2027, que deve abrir em janeiro.

O que diz a MBRF: Em nota divulgada pela imprensa em 26 e 27/10/2026, a empresa afirmou que “abriu diálogo com as autoridades competentes, confiante na robustez de seus processos”. Ela também disse que a produção de Promissão está sendo transferida para Várzea Grande (MT).

Como fizemos: Usamos reportagens de 26 e 27/10/2026 da CNN Brasil, InfoMoney, Money Times, Correio Braziliense e BPMoney, acessadas em 27/10/2026. Os dados de 2025 são da Abiec, com base no MDIC; a tarifa vem da Mercado&Consumo. A participação de 49% na receita é nosso cálculo (US$ 8,9 bi de US$ 18,03 bi). Não corrigimos pela inflação, pois comparamos um único ano. Não localizamos comunicado detalhado da GACC nem nota do Mapa sobre a fábrica.

Fontes