BC desistiu de criar regras para o Pix Parcelado em dezembro de 2025
Em dezembro de 2025, o Banco Central deixou de criar regras para o Pix Parcelado. Veja quanto custa, quais proteções existem e como conferir juros.

Em 4 de dezembro de 2025, a diretoria do Banco Central (BC) decidiu não criar regras específicas para o Pix Parcelado. A decisão foi anunciada no Fórum Pix, em Brasília, segundo a Agência Brasil. Na prática, o produto segue sem padrão nacional.
Cada banco define a taxa e as condições.
O que é esse produto
O Pix Parcelado não é um pagamento comum. Segundo o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec), ele é “uma modalidade de empréstimo”. Se não houver dinheiro na conta, o banco está emprestando o valor.
Os nomes também variam. Segundo a Agência Brasil, o BC proibiu o uso do nome “Pix Parcelado”. Termos como “Pix no crédito” e “Parcele no Pix” continuam permitidos. A mesma reportagem diz, em outro trecho, que o BC vetou as marcas “Pix Parcelado” e “Pix Crédito”. A regra fica confusa.
Como chegamos à decisão
A obrigatoriedade e a padronização estavam previstas para setembro de 2025. Segundo a Agência Brasil, foram adiadas para o fim de outubro e, depois, para novembro. Em dezembro, a diretoria desistiu de criar as normas.
O Idec classificou a decisão como “inaceitável”. Para a entidade, a falta de regras cria “desordem regulatória”. Sem elas, o produto fica “sem transparência mínima, sem salvaguardas obrigatórias”.
Quais proteções existem
O Código de Defesa do Consumidor (CDC) já exige informação antes da contratação. O artigo 52 manda informar a taxa efetiva anual de juros, os encargos, o número e a periodicidade das parcelas e a soma total a pagar.
O custo efetivo total (CET) é a outra referência. Ele reúne juros, tarifas, impostos como o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e seguros. Segundo o Idec, o CET permite comparar de fato as condições de um financiamento.
Quanto custa, na comparação com o rotativo
O rotativo é a dívida que fica quando o cliente não paga a fatura inteira do cartão. Em agosto de 2026, a taxa média das novas operações do rotativo foi de 444,9% ao ano, segundo a série 22022 de dados abertos do BC.
Pix Parcelado tem CET de cerca de 152% ao ano; rotativo, 444,9% Taxas ao mês e ao ano. Rotativo: média de agosto de 2026. Pix Parcelado: valores de dezembro de 2025
| Modalidade | Ao mês | Ao ano |
|---|---|---|
| Rotativo do cartão, agosto de 2026 | cerca de 15,2% | 444,9% |
| Pix Parcelado, taxa cobrada, dez. 2025 | cerca de 5% | cerca de 79,6% |
| Pix Parcelado, CET, dez. 2025 | cerca de 8% | cerca de 151,8% |
Fonte: Banco Central, série 22022 de dados abertos (rotativo); Agência Brasil (Pix Parcelado). Conversão do mês para o ano e do ano para o mês: redação, por juros compostos.
Segundo a Agência Brasil, a modalidade já é oferecida pelos bancos.
Mesmo assim, o Pix Parcelado tende a custar menos que o rotativo. Isso não o torna barato. Com CET de 8% ao mês, o custo passa de 150% ao ano. Não há série oficial do BC para o produto.
Como checar se há juros escondidos
Antes de confirmar, faça estas conferências, a partir das orientações do Idec:
- Compare o preço à vista com a soma das parcelas. A diferença é o custo do parcelamento.
- Procure o CET no contrato. Ele deve incluir juros, tarifas, IOF e seguros.
- Confirme se a operação é um empréstimo. Se o saldo for insuficiente, o banco está emprestando.
- Acompanhe as parcelas no extrato. Elas podem cair em datas diferentes da fatura do cartão.
- Confirme a operação só no aplicativo oficial do banco. Desconfie de links recebidos por mensagem.
O que fica em aberto
Até esta publicação, não encontramos norma nova do BC sobre o tema em 2026. Um guia da Calen, de outubro de 2026, diz que o BC não criou modelo padronizado. Cada banco define nome, taxa e regras.
A decisão não proibiu o produto. O BC optou por deixar a oferta com os bancos, e é isso que o Idec contesta. Enquanto não houver padrão, o contrato e o CET são as referências para comparar.
O que diz o Banco Central: Segundo o Poder360, representantes do BC disseram no Fórum Pix que “acompanharão as soluções oferecidas pelos bancos”, sem impor padrões específicos. A reportagem diz que o BC não informou como fiscalizará a orientação. Esta apuração não obteve comunicado completo do BC sobre o tema.
Como fizemos: Usamos as reportagens da Agência Brasil (4/12/2025) e do Poder360 (5/12/2025) sobre a decisão, o texto do Idec sobre o produto (publicado em 2/9/2025) e o artigo 52 do CDC. A taxa média do rotativo é a série 22022 do BC, de taxa média das novas operações de crédito rotativo para pessoas físicas, em % ao ano, consultada em 23/10/2026, com dados até agosto de 2026. Os valores mensais do rotativo e as conversões do Pix Parcelado são cálculos nossos, por juros compostos: (1 + taxa mensal)^12 − 1. Os números do Pix Parcelado são de reportagens de dezembro de 2025, pois não localizamos série oficial. Não conseguimos abrir o texto da decisão no site bcb.gov.br; a descrição vem das reportagens citadas.
Fontes
- Após adiamentos, Banco Central desiste de regular Pix Parcelado — Agência Brasil (04/12/2025)
- Banco Central desiste de criar regras para Pix parcelado — Poder360 (05/12/2025)
- Pix Parcelado: como funciona essa nova forma de pagamento — Idec (02/09/2025)
- Taxa média de juros do cartão de crédito rotativo, pessoas físicas (SGS 22022) — Banco Central, Portal de Dados Abertos (acesso em 23/10/2026)
- Pix parcelado: como funciona, quanto custa e quando vale a pena — Calen (guia de outubro de 2026)
- Lei 8.078/1990, Código de Defesa do Consumidor — Planalto



