BC desistiu de criar regras para o Pix Parcelado em dezembro de 2025

Em dezembro de 2025, o Banco Central deixou de criar regras para o Pix Parcelado. Veja quanto custa, quais proteções existem e como conferir juros.

Vista de baixo da sede do Banco Central em Brasília, com duas torres de vidro escuro e um núcleo de concreto contra o céu azul.
Sede do Banco Central do Brasil, em Brasília.Foto: Leonardo Sá / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em 4 de dezembro de 2025, a diretoria do Banco Central (BC) decidiu não criar regras específicas para o Pix Parcelado. A decisão foi anunciada no Fórum Pix, em Brasília, segundo a Agência Brasil. Na prática, o produto segue sem padrão nacional.

Cada banco define a taxa e as condições.

O que é esse produto

O Pix Parcelado não é um pagamento comum. Segundo o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec), ele é “uma modalidade de empréstimo”. Se não houver dinheiro na conta, o banco está emprestando o valor.

Os nomes também variam. Segundo a Agência Brasil, o BC proibiu o uso do nome “Pix Parcelado”. Termos como “Pix no crédito” e “Parcele no Pix” continuam permitidos. A mesma reportagem diz, em outro trecho, que o BC vetou as marcas “Pix Parcelado” e “Pix Crédito”. A regra fica confusa.

Como chegamos à decisão

A obrigatoriedade e a padronização estavam previstas para setembro de 2025. Segundo a Agência Brasil, foram adiadas para o fim de outubro e, depois, para novembro. Em dezembro, a diretoria desistiu de criar as normas.

O Idec classificou a decisão como “inaceitável”. Para a entidade, a falta de regras cria “desordem regulatória”. Sem elas, o produto fica “sem transparência mínima, sem salvaguardas obrigatórias”.

Quais proteções existem

O Código de Defesa do Consumidor (CDC) já exige informação antes da contratação. O artigo 52 manda informar a taxa efetiva anual de juros, os encargos, o número e a periodicidade das parcelas e a soma total a pagar.

O custo efetivo total (CET) é a outra referência. Ele reúne juros, tarifas, impostos como o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e seguros. Segundo o Idec, o CET permite comparar de fato as condições de um financiamento.

Quanto custa, na comparação com o rotativo

O rotativo é a dívida que fica quando o cliente não paga a fatura inteira do cartão. Em agosto de 2026, a taxa média das novas operações do rotativo foi de 444,9% ao ano, segundo a série 22022 de dados abertos do BC.

Pix Parcelado tem CET de cerca de 152% ao ano; rotativo, 444,9% Taxas ao mês e ao ano. Rotativo: média de agosto de 2026. Pix Parcelado: valores de dezembro de 2025

Modalidade Ao mês Ao ano
Rotativo do cartão, agosto de 2026 cerca de 15,2% 444,9%
Pix Parcelado, taxa cobrada, dez. 2025 cerca de 5% cerca de 79,6%
Pix Parcelado, CET, dez. 2025 cerca de 8% cerca de 151,8%

Fonte: Banco Central, série 22022 de dados abertos (rotativo); Agência Brasil (Pix Parcelado). Conversão do mês para o ano e do ano para o mês: redação, por juros compostos.

Segundo a Agência Brasil, a modalidade já é oferecida pelos bancos.

Mesmo assim, o Pix Parcelado tende a custar menos que o rotativo. Isso não o torna barato. Com CET de 8% ao mês, o custo passa de 150% ao ano. Não há série oficial do BC para o produto.

Como checar se há juros escondidos

Antes de confirmar, faça estas conferências, a partir das orientações do Idec:

  1. Compare o preço à vista com a soma das parcelas. A diferença é o custo do parcelamento.
  2. Procure o CET no contrato. Ele deve incluir juros, tarifas, IOF e seguros.
  3. Confirme se a operação é um empréstimo. Se o saldo for insuficiente, o banco está emprestando.
  4. Acompanhe as parcelas no extrato. Elas podem cair em datas diferentes da fatura do cartão.
  5. Confirme a operação só no aplicativo oficial do banco. Desconfie de links recebidos por mensagem.

O que fica em aberto

Até esta publicação, não encontramos norma nova do BC sobre o tema em 2026. Um guia da Calen, de outubro de 2026, diz que o BC não criou modelo padronizado. Cada banco define nome, taxa e regras.

A decisão não proibiu o produto. O BC optou por deixar a oferta com os bancos, e é isso que o Idec contesta. Enquanto não houver padrão, o contrato e o CET são as referências para comparar.

O que diz o Banco Central: Segundo o Poder360, representantes do BC disseram no Fórum Pix que “acompanharão as soluções oferecidas pelos bancos”, sem impor padrões específicos. A reportagem diz que o BC não informou como fiscalizará a orientação. Esta apuração não obteve comunicado completo do BC sobre o tema.

Como fizemos: Usamos as reportagens da Agência Brasil (4/12/2025) e do Poder360 (5/12/2025) sobre a decisão, o texto do Idec sobre o produto (publicado em 2/9/2025) e o artigo 52 do CDC. A taxa média do rotativo é a série 22022 do BC, de taxa média das novas operações de crédito rotativo para pessoas físicas, em % ao ano, consultada em 23/10/2026, com dados até agosto de 2026. Os valores mensais do rotativo e as conversões do Pix Parcelado são cálculos nossos, por juros compostos: (1 + taxa mensal)^12 − 1. Os números do Pix Parcelado são de reportagens de dezembro de 2025, pois não localizamos série oficial. Não conseguimos abrir o texto da decisão no site bcb.gov.br; a descrição vem das reportagens citadas.

Fontes