Aneel acionou bandeira verde em outubro; a de novembro sai dia 30

Bandeira verde não cobra extra na conta de luz em outubro. Amarela e vermelha somam até R$ 7,877 a cada 100 kWh consumidos.

Conta de luz da CEB Distribuição, com a linha 'adicional bandeira vermelha' na descrição da conta, com valores em reais.
Conta de luz da CEB Distribuição com a cobrança de adicional de bandeira vermelha, em fotografia de fevereiro de 2015.Foto: Marcos Oliveira / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em 25 de setembro de 2026, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou a bandeira verde para outubro. Na prática, a conta de luz do mês não tem cobrança extra. O próximo anúncio está marcado para sexta-feira, 30 de outubro, e vale para novembro.

A bandeira tarifária é um sinal de custo. Ela mostra se a energia tende a custar mais ou menos no mês, conforme as condições de geração. Segundo a Aneel, a cor é definida mensalmente.

O sistema tem três cores. A verde não acrescenta nada à conta. A amarela e a vermelha somam um valor a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos, a unidade que mede a energia usada na casa. A vermelha tem dois patamares, ou níveis: o 1 e o 2, que é o mais caro.

O acréscimo vale para os consumidores cativos, ou seja, quem compra energia da distribuidora da sua região. A Aneel informa que a regra vale para todos eles, exceto os que estão em sistemas isolados.

De onde vem a cor

A cor depende sobretudo da água e do custo de gerar energia. Segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), quando chove pouco, os reservatórios das hidrelétricas baixam. Para suprir a demanda, o governo aciona usinas termelétricas, que queimam combustível, como o gás natural, e custam mais.

Em agosto, a Aneel manteve a bandeira amarela para setembro. Segundo a Agência Cenário Energia, a decisão levou em conta o estreitamento da margem hídrica, ou seja, a folga de água nos principais reservatórios do país.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) coordena a operação das usinas. Em 5 de outubro, ele projetou que o Sudeste e o Centro-Oeste fechariam o mês com 56,3% da capacidade de armazenamento dos reservatórios. A água que chega às represas, chamada afluência, foi estimada em 128% da média histórica, conhecida como média de longo termo (MLT).

O gás também pesa no custo das térmicas. Em 30 de janeiro de 2026, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou desconto de 15% na tarifa de transporte de gás. O benefício vale para térmicas ligadas a gasodutos que disputam o leilão de capacidade de 2026, segundo a Agência Cenário Energia. Essa medida trata do transporte do gás, e não define sozinha a cor de um mês.

Quanto cada cor custa

Vermelha patamar 2 acrescenta R$ 7,877 a cada 100 kWh; a verde não acrescenta nada Acréscimo por 100 kWh e exemplo para 200 kWh, em reais, sem impostos, valores de 2026

Bandeira Acréscimo por 100 kWh Em 200 kWh
Verde sem acréscimo R$ 0,00
Amarela R$ 1,885 R$ 3,77
Vermelha, patamar 1 R$ 4,463 R$ 8,93
Vermelha, patamar 2 R$ 7,877 R$ 15,75

Fonte: Aneel, conforme JB e Itatiaia. Exemplo de 200 kWh: cálculo da redação. Elaboração: redação.

Numa casa que consome 200 kWh no mês, a amarela soma R$ 3,77. A vermelha patamar 2 soma R$ 15,75. A amarela vigorou de maio a setembro de 2026, segundo o JB.

A cobrança é por 100 kWh, então quem consome mais paga mais no total, na mesma proporção. Os valores não incluem impostos, e a conta de 200 kWh é um exemplo, não uma média.

O que vem a seguir

O calendário de 2026 já está publicado. A bandeira de dezembro sai em 27 de novembro, e a de janeiro de 2027, em 23 de dezembro, segundo o calendário da Aneel reportado pelo Itatiaia.

O que segue em aberto é a chuva e o nível dos reservatórios nas próximas semanas, além do custo das térmicas. Este texto não estima a cor de novembro. O valor de cada mês só se confirma no anúncio da Aneel.

O que diz a Aneel: Em 25 de setembro de 2026, a agência anunciou a bandeira verde e atribuiu a decisão à chuva no Sul e no Sudeste, que estabilizou os reservatórios e permitiu reduzir o uso das termelétricas. A Aneel não foi procurada para esta matéria, e a nota oficial não pôde ser acessada; a posição vem de reportagens que a citam, como o JB e o Investidor10.

Como fizemos: Usamos o calendário de acionamento de bandeiras da Aneel, reportagens sobre as bandeiras de 2026, a projeção do ONS de 5 de outubro e a decisão da ANP, acessados em 22 de outubro de 2026. Os valores por 100 kWh vêm das reportagens citadas, sem impostos. O exemplo de 200 kWh é cálculo nosso: o valor por 100 kWh multiplicado por dois. Os dados não mostram quanto cada casa paga, porque o consumo varia.

Fontes