Tesouro cancela leilão de LFT e faz terceira recompra de títulos

Tesouro cancela leilão de LFT e compra de volta títulos atrelados à inflação após a reeleição de Lula; recompra de segunda somou R$ 14,8 bi.

Fachada de prédio branco com o letreiro MINISTÉRIO DA FAZENDA em letras douradas, em Brasília.
Fachada do Ministério da Fazenda, em Brasília. O Tesouro Nacional faz parte da pasta. Foto de 2023.Foto: Pedro França / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Na terça-feira (27), o Tesouro Nacional cancelou o leilão de Letras Financeiras do Tesouro (LFT), título ligado à taxa Selic, a taxa básica de juros do país. No mesmo dia, anunciou uma nova recompra de Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B), papéis atrelados à inflação. É a terceira operação de recompra desde domingo (25), dia do segundo turno.

Recomprar é o governo comprar de volta, no mercado, títulos da própria dívida. A medida busca conter a alta dos juros depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a Terra, a reeleição surpreendeu os investidores.

O que aconteceu na segunda

Na segunda-feira (26), o Tesouro fez duas recompras. Segundo a Agência Brasil, publicada pelo O Povo, o total passou de R$ 14,8 bilhões. A Exame detalha: R$ 7,1 bilhões em prefixados, títulos com juro fixo, e R$ 7,7 bilhões em NTN-B.

A Times Brasil falou em cerca de R$ 10 bilhões, em duas parcelas de prefixados. O Tesouro deve divulgar os números exatos. As reportagens consultadas não trazem o documento oficial com esses valores.

Pela tabela da InfoMoney, a NTN-B de 2030 foi recomprada a IPCA + 7,75% ao ano, e a de 2035, a IPCA + 7,72%. O IPCA é o índice oficial de inflação. A taxa mostra quanto o título rende acima dela.

Por que o Tesouro compra de volta

Normalmente, o Tesouro vende títulos toda semana para financiar a dívida pública. Em momentos de forte estresse, passa a comprar, segundo a Exame. Com os juros em alta, quase não havia comprador.

Bancos e fundos têm limites de perda e de volatilidade. Por isso, podem ser obrigados a vender mesmo quando o preço parece atraente, diz a Exame. Recomprar injeta liquidez no mercado e ajuda a frear a alta das taxas.

Na segunda, o Tesouro também cancelou os leilões de prefixados e de NTN-B da semana, segundo a Terra. Com o cancelamento da LFT na terça, a Exame informa que não houve nenhum leilão de venda de títulos na semana.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou a reação do mercado de segunda como “de posição”, segundo o título de reportagem do Poder360. Para ele, não houve desconfiança nas contas públicas, segundo o mesmo site. Durigan também disse, à Agência Brasil: “Espero que hoje a gente mantenha o nível de racionalidade.”

Durigan autorizou o secretário do Tesouro a fazer nova recompra na terça, se o mercado exigir, diz a Times Brasil.

O que fica em aberto

Na segunda, o total passou de R$ 14,8 bilhões. Na terça, o valor da nova recompra não aparecia nas reportagens consultadas. Segundo a Terra, as condições ainda seriam publicadas em edital.

O movimento mostra o Estado no papel de comprador, para dar estabilidade a um mercado que reagiu com força ao resultado da eleição. Títulos públicos podem perder valor quando os juros sobem. Por isso, o próximo passo depende das taxas e das decisões do Tesouro.

O que diz o Tesouro Nacional: Em nota citada pela Terra, o órgão afirmou que “continuará monitorando as condições de mercado e atuará de forma a assegurar o bom funcionamento do mercado de títulos públicos”.

Como fizemos: Usamos reportagens de 27/10/2026 da InfoMoney, da Terra, do O Povo (com texto da Agência Brasil), da Exame, da Times Brasil e do Poder360, acessadas nesse dia. Não conseguimos acessar o comunicado oficial nem o edital do Tesouro. O total de R$ 14,8 bilhões é a soma de R$ 7,1 bilhões e R$ 7,7 bilhões, segundo a Exame, e coincide com a Agência Brasil; a Times Brasil citou cerca de R$ 10 bilhões. As taxas são da tabela da InfoMoney.

Fontes