Ibovespa cai 13,88% e dólar sobe 8,2% após reeleição de Lula

Ibovespa fecha em queda de 13,88% e dólar sobe 8,2% após reeleição; risco-país sobe 26% e analistas citam contas públicas.

Operadores sentados diante de mesas com monitores, em frente a painéis vermelhos com cotações de ações na Bolsa de Valores de São Paulo.
Pregão da antiga Bolsa de Valores de São Paulo, com painéis de cotações, em foto de 2007. A imagem é de arquivo.Foto: Rafael Matsunaga / Flickr / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Na segunda-feira (26), o Ibovespa fechou em queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos. Foi a maior queda percentual diária desde março de 2020, segundo a CNN Brasil. No mesmo dia, o dólar subiu 8,2%, para cerca de R$ 5,40.

O movimento começou cedo. A B3, a bolsa de valores brasileira, acionou o circuit breaker. É um mecanismo que suspende as negociações quando o índice cai com força. Segundo a InfoMoney, isso aconteceu às 9h57, e as negociações ficaram paradas por 30 minutos.

Foi a primeira vez que o mecanismo foi acionado desde março de 2020, no início da pandemia de Covid-19.

Por que o mercado reagiu

O segundo turno foi no domingo (25). Lula teve 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL). A diferença foi de cerca de 4,4 milhões de votos, segundo dados do TSE reunidos pela InfoMoney.

Na noite de domingo, Flávio disse que não reconhece o resultado e que pedirá a anulação da eleição. A declaração foi publicada pela InfoMoney às 22h50 de domingo.

Os analistas ouvidos apontam, sobretudo, o resultado e o rumo das contas públicas. Parte dos investidores apostava na vitória de Flávio, vista como caminho para um ajuste fiscal mais rígido. “Vai ser um dia difícil. O mercado vai reavaliar tudo”, disse Bruno Funchal, da Bradesco Asset Management.

Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, disse que o problema central é “a incerteza sobre a condução das contas públicas”. Leonardo Mendes, da Manchester Investimentos, afirmou que o mercado reprecifica dois riscos: o fiscal e o institucional. O institucional, segundo ele, está ligado às controvérsias sobre o processo eleitoral.

Juros, risco-país e dólar

Os juros futuros subiram forte. Eles mostram a taxa que o mercado espera para os próximos anos. O contrato para janeiro de 2031 fechou em 15,185% ao ano, alta de 2,54 pontos percentuais, segundo a CNN Brasil. Pontos percentuais são a diferença entre duas taxas, em percentual.

O Tesouro Nacional cancelou os leilões de títulos previstos para a semana. Também recomprou cerca de R$ 7,1 bilhões em papéis, segundo a InfoMoney.

O risco-país subiu 26%. Ele é medido pelo CDS de cinco anos, um contrato que funciona como seguro contra calote da dívida do país. O índice foi de 120,2 para 151,7 pontos, o maior nível desde junho de 2025, segundo a Estadão Conteúdo, publicada pela CNN Brasil.

O dólar chegou a R$ 5,60 durante a manhã, segundo a Reuters. Entre as ações, os papéis da própria B3 caíram 36,28%, segundo a InfoMoney. Só oito ações do Ibovespa fecharam em alta, de acordo com o Money Times.

O que diz Flávio Bolsonaro: Ele afirmou no domingo (25) que não reconhece o resultado e que vai pedir a anulação da eleição, criticando a decisão do ministro Cristiano Zanin que estendeu a votação até as 19h. O TSE afirmou que não é verdade que fiscais do PL tenham sido retirados da sala-cofre.

O que isso significa

Os dados mostram uma reação forte e concentrada em um dia. Os analistas citados falam, sobretudo, em resultado diferente do esperado e em dúvida sobre as contas públicas. Nenhuma das reportagens consultadas atribui a queda apenas à recusa de Flávio.

Fontes ligadas ao TSE e ao STF, sem identificação, disseram ao Money Times que a chance de anular a eleição é baixa. O Morgan Stanley trabalha com um cenário de risco: CDS 40 pontos mais alto e dólar a R$ 6,00, caso a pressão fiscal aumente, segundo a CNN Brasil. Esse é um cenário, não um valor de mercado.

Ações, dólar e títulos podem perder valor. Quedas desse tipo também podem se aprofundar, e o próximo passo depende das contas públicas e da Justiça Eleitoral.

Como fizemos: Usamos reportagens de 26/10/2026 da InfoMoney, da CNN Brasil, do Money Times e da Reuters (via Investing.com Brasil), acessadas nesse dia. Não encontramos o fechamento oficial da B3 nem a cotação do Banco Central para conferência. As fontes divergem: o dólar fechou em R$ 5,403 (+8,21%) na InfoMoney e em R$ 5,406 (+8,36%) na CNN Brasil, e os juros variam entre reportagens; usamos os valores da CNN Brasil. A conta com os pontos de fechamento dá queda de 13,89%; publicamos o 13,88% divulgado. A InfoMoney escreveu que o CDS estava no maior nível desde julho de 2025; a CNN e o Money Times dizem junho, e seguimos esse.

Fontes