Ibovespa sobe 1,57% a 208 mil pontos e dólar recua para R$ 5,01

Na terça (20), a Bolsa fechou em alta e o dólar caiu. Veja o que é o trade eleitoral e o que o Boletim Focus espera para a moeda até dezembro.

Dois operadores sentados de costas diante de painéis com cotações de ações em verde e vermelho no pregão da Bolsa de São Paulo.
Operadores no pregão da Bolsa de Valores de São Paulo, em abril de 2007 (imagem de arquivo).Foto: Rafael Matsunaga / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Na terça-feira (20), o Ibovespa fechou em alta de 1,57%, aos 208.295,98 pontos. No mesmo dia, o dólar caiu 0,84%. A taxa Ptax, média oficial das cotações calculada pelo Banco Central, fechou em R$ 5,0140. Os dados são do InfoMoney.

Durante o pregão, o índice oscilou entre 205.082 e 208.942 pontos. Do piso ao topo, a variação foi de cerca de 1,9%, cálculo próprio com os mesmos dados.

A alta faz parte de um mês forte. Em outubro, o Ibovespa acumula ganho de 11,78%. No ano, o ganho chega a 29,28%. O segundo turno da eleição presidencial acontece no domingo (25).

O que é o “trade eleitoral”

“Trade eleitoral” é a compra e a venda de ativos por investidores que tentam antecipar o resultado de uma eleição. Quando o mercado avalia que um cenário é favorável aos negócios, tende a comprar ações brasileiras. Quando avalia o contrário, tende a vender.

O movimento acontece antes da votação, com base em pesquisas e nas expectativas para cada resultado. Segundo o Terra, o avanço de terça veio da entrada de capital estrangeiro e das expectativas para o segundo turno. Dados da B3, a bolsa brasileira, mostram saldo positivo de capital externo de R$ 20,99 bilhões em outubro até o dia 16.

O mesmo site informou que pesquisas mostravam o candidato Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente de Lula (PT). As fontes consultadas não medem quanto dessa expectativa já está refletido nos preços.

O que o Focus espera para o dólar

O Boletim Focus de 19 de outubro projeta que o dólar feche 2026 em R$ 5,13. Na semana anterior, a projeção era de R$ 5,15. O Focus reúne a mediana das projeções de instituições financeiras e consultorias. Ele não é o preço que o mercado paga hoje por contratos futuros.

Comparado ao fechamento de terça, o número é 2,3% maior: de R$ 5,0140 para R$ 5,13. Ou seja, as instituições consultadas não esperam que o dólar fique no patamar de terça até o fim do ano. Essa conta não diz quanto do cenário eleitoral já está nos preços. Para isso, seria preciso olhar os contratos futuros de dólar negociados na B3.

Recorde ainda sem confirmação

As fontes divergem sobre o recorde do índice. A Tribuna de Jundiaí relatou que, no pregão de 5 de outubro, o Ibovespa renovou a máxima intradiária, perto de 209,6 mil pontos. O Terra cita o Itaú BBA, que aponta 209.700 pontos como “máxima histórica”. Nenhum dos textos consultados confirma um recorde de fechamento.

O que fica em aberto

O resultado do domingo (25) vai mostrar se o cenário que o mercado precifica se confirma. Se o resultado for diferente, a reação dos preços pode ser outra. Este texto não prevê a eleição nem a cotação do dólar.

O que diz o Banco Central: O Boletim Focus, publicado pelo BC, reúne as projeções de instituições financeiras e consultorias. A mediana para o dólar ao fim de 2026 é de R$ 5,13, segundo a edição de 19 de outubro, informada pelo InfoMoney.

Como fizemos: Usamos o fechamento do Ibovespa, do dólar e a taxa Ptax de terça-feira (20/10/2026), conforme InfoMoney e Terra, acessados em 21/10/2026. A diferença de 2,3% é cálculo próprio: R$ 5,13 ÷ R$ 5,0140 − 1. A oscilação intradiária de 1,9% também é cálculo próprio, a partir das mínimas e máximas do InfoMoney. O Focus é uma mediana de projeções, não preço de mercado. Não corrigimos valores pela inflação, porque comparamos cotações do mesmo momento. Os dados não mostram a parcela da alta ligada à eleição, e as fontes divergem sobre o recorde.

Fontes