Ibovespa recua 0,17% na semana e dólar cai 1,6% antes da eleição

Na semana até sexta (23), o Ibovespa caiu 0,17% e o dólar recuou 1,6%. Juros futuros também caíram, e a conta chega à previdência.

Dois operadores de costas, sentados diante de um painel vermelho e verde com cotações de ações na Bolsa de Valores de São Paulo
Painel de cotações no pregão da Bolsa de Valores de São Paulo, em foto de abril de 2007.Foto: Rafael Matsunaga / Flickr / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O Ibovespa, principal índice da B3, a bolsa de valores de São Paulo, fechou a sexta-feira (23) aos 205.082,56 pontos. Na semana, o índice caiu 0,17%.

O dólar comercial, a cotação usada no câmbio do dia a dia, terminou o pregão em R$ 4,993. A moeda americana perdeu cerca de 1,6% no período.

A semana terminou a dois dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para este domingo (25). A bolsa quase não saiu do lugar. Os juros futuros caíram, e esse movimento muda o preço dos títulos prefixados.

Dois conceitos ajudam a ler os números. O Ibovespa sobe ou cai conforme o preço das ações das maiores empresas negociadas na B3. Os juros futuros são medidos por contratos de Depósito Interfinanceiro (DI), que mostram a taxa de juro que o mercado espera para cada data futura.

Quanto mudou entre 16 e 23 de outubro

Fechamentos da semana: bolsa, dólar e juros futuros Valores em pontos, em reais e em % ao ano, nas sextas-feiras 16 e 23 de outubro de 2026

Indicador 16/10 23/10 Variação
Ibovespa (pontos) 205.430,33 205.082,56 -0,17%
Dólar comercial (R$) 5,073 4,993 -1,6%
PTAX, cotação oficial do BC (R$) 5,0826 5,0377 -0,9%
DI para janeiro de 2027 (% ao ano) 13,485 13,475 -0,01 p.p.
DI para janeiro de 2028 (% ao ano) 12,895 12,825 -0,07 p.p.
DI para janeiro de 2029 (% ao ano) 12,685 12,595 -0,09 p.p.

Fonte: InfoMoney (fechamentos de 16 e 23/10/2026); Banco Central, série 1 do SGS. Variações: cálculo da redação.

A PTAX, média oficial do dia calculada pelo Banco Central (BC), caiu 0,9% no período. A queda menor mostra que o fechamento e a média do dia não são a mesma coisa.

Juros: eleição, Fed e Selic

A semana terminou com cautela entre os investidores por causa da eleição, segundo o InfoMoney. A redação não reproduz pesquisas eleitorais neste texto, que trata do mercado.

Nos Estados Unidos, o rendimento do Tesouro de 10 anos subiu para 4,98% na manhã de sexta, segundo o InfoMoney. Na semana anterior, 83% do mercado via o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) mantendo os juros na reunião de 28 de outubro.

A Selic, taxa básica de juros da economia, está em 13,75% ao ano desde 16 de setembro. Naquela data, o Comitê de Política Monetária (Copom), do BC, cortou 0,25 ponto, no quinto corte seguido. A próxima reunião fica para novembro, depois da eleição.

Na manhã de sexta, a prévia da inflação de outubro, o IPCA-15, saiu abaixo do esperado. Com isso, as taxas dos títulos do Tesouro Direto caíram. O prefixado com juros semestrais 2037 teve a maior queda, de cerca de 0,08 ponto percentual, segundo o InfoMoney.

Quem sente a conta

Fundos de previdência complementar compram ações e títulos, e por isso sentem as oscilações do mercado. O caso da Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, mostra o efeito.

Segundo a diretora Paula Goto, o Plano 1 teve déficit de R$ 14 bilhões até novembro de 2024, pela queda de ativos de renda variável. A reportagem diz que, no longo prazo, o plano segue superavitário. A fatia em renda variável caiu de 45%, em 2020, para 26%, em 2024.

Para o pequeno investidor, a semana pesou pouco na bolsa. Quem tem títulos prefixados do Tesouro Direto, porém, vê o preço do papel mudar quando a taxa de mercado muda. Quando a taxa cai, o preço sobe, e o inverso também vale.

O que diz a Tendências: A economista Alessandra Ribeiro afirmou, em reportagem do InfoMoney sobre o pregão de sexta-feira (23), que há risco de deterioração das contas públicas.

O que isso significa

A semana teve pouca variação na bolsa, queda do dólar e juros futuros em baixa. Os números não mostram ruptura. Mostram um mercado à espera do resultado da votação de domingo (25), que não é conhecido neste texto.

Depois da eleição, o foco volta para a Selic, para a decisão do Fed e para o risco fiscal apontado por economistas.

Como fizemos: Usamos os fechamentos publicados pelo InfoMoney em 16 e 23 de outubro de 2026, e a série 1 do SGS do Banco Central, acessada em 26/10/2026. As variações são cálculo nosso; o InfoMoney informa queda de 1,64% no dólar na semana, e nosso cálculo com os fechamentos de R$ 5,073 e R$ 4,993 dá cerca de 1,6%. Os números do Tesouro Direto são da manhã de sexta, segundo o InfoMoney, porque não conseguimos consultar as taxas de fechamento. A explicação sobre preço e taxa de títulos prefixados é um conceito geral, não um dado.

Fontes