Brasil abre consulta para acordo comercial entre Mercosul e Indonésia
Consulta de 45 dias busca mapear setores interessados; comércio bilateral somou US$ 6,5 bilhões em 2025, com superávit brasileiro.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) abriu nesta sexta-feira (6) uma consulta pública sobre um possível acordo de preferências comerciais entre o Mercosul e a Indonésia. A consulta ficará aberta por 45 dias e receberá contribuições de empresas, entidades e sociedade civil.
Preferência comercial é um tratamento tarifário mais favorável para produtos de países que negociam entre si. O governo ainda não propôs uma lista final de reduções. Nesta etapa, quer identificar oportunidades e setores que podem enfrentar concorrência maior.
O tamanho do mercado em negociação
O MDIC informa que Mercosul e Indonésia reúnem mais de 550 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto (PIB) combinado acima de US$ 4,5 trilhões. A Indonésia é a maior economia do Sudeste Asiático e tem mais de 280 milhões de habitantes, segundo a pasta.
Brasil exporta mais do que importa no comércio bilateral Indicadores informados pelo MDIC para 2025
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Corrente de comércio Brasil–Indonésia | US$ 6,5 bilhões |
| Superávit brasileiro | US$ 1,7 bilhão |
| Prazo da consulta | 45 dias |
| Mercado combinado | Mais de 550 milhões de pessoas |
Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Valores de comércio são de 2025.
A corrente de comércio soma exportações e importações. Com superávit de US$ 1,7 bilhão, o Brasil vendeu mais ao parceiro do que comprou no ano passado. Esse saldo não garante vantagem em um acordo futuro, porque tarifas e regras podem alterar preços e volumes.
Consulta testa interesses e sensibilidades
A Circular Secex nº 105/2026 formalizou a consulta no Diário Oficial da União. Secex é a Secretaria de Comércio Exterior. O formulário pede informações sobre acesso a mercados, regras de origem, barreiras técnicas e medidas sanitárias e fitossanitárias.
Regras de origem definem quando um produto pode ser considerado brasileiro para receber preferência. Medidas sanitárias tratam de saúde animal e vegetal. Esses detalhes afetam alimentos, minérios, máquinas e produtos industrializados de forma diferente.
A escuta pública também serve para revelar custos de adaptação. Uma tarifa menor pode abrir mercado, mas uma exigência técnica difícil pode impedir a venda. O governo precisa comparar ganhos potenciais com o custo para empresas que já exportam ou que ainda não conseguem cumprir os padrões.
O acordo não está fechado e não cria benefício imediato. Depois da consulta, o MDIC terá de consolidar as contribuições e negociar com os demais países do Mercosul e com a Indonésia. A aprovação dependerá do texto final e dos procedimentos internos de cada país.
O que diz o MDIC: A secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, afirma que a consulta deve ampliar a presença brasileira na Indonésia e fazer a posição negociadora refletir interesses e preocupações dos setores econômicos.
O que empresas devem observar
Exportadores podem usar os 45 dias para registrar produtos de interesse e apontar barreiras que enfrentam hoje. Importadores devem informar insumos que podem ficar mais baratos e riscos de dependência externa. Entidades setoriais precisam separar pedidos gerais de dados verificáveis.
Para o trabalhador e o consumidor, o efeito não será imediato. Um acordo pode reduzir preços de alguns importados, ampliar vendas externas e alterar a concorrência doméstica. O resultado dependerá de quais setores terão preferência e de como o Brasil protegerá atividades sensíveis durante a transição.
A consulta é uma oportunidade de discutir comércio exterior com dados, antes que o texto esteja pronto. A soberania econômica passa por diversificar parceiros, mas também por garantir que regras negociadas sirvam à produção e ao emprego no Brasil.
Como fizemos: Consultamos a Circular Secex nº 105/2026 e a notícia oficial do MDIC publicada em 6 de novembro. Recalculamos a participação do superávit apenas como diferença entre comércio total e saldo informado, sem estimar tarifas futuras. O acordo ainda está em negociação.



