Superávit comercial de outubro chega a US$ 9,3 bilhões
Exportações recordes de petróleo e avanço das vendas aos Estados Unidos elevaram o saldo comercial, enquanto a China perdeu participação no mês.

O Brasil exportou US$ 37,807 bilhões em outubro, maior valor mensal de 2026, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). As importações somaram US$ 28,490 bilhões. A diferença gerou superávit de US$ 9,318 bilhões. O resultado ficou 39,4% acima do registrado em outubro de 2025, informou a Reuters com base nos dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
O salto não veio apenas de mais mercadorias embarcadas. Os preços médios das exportações subiram 10,8% e as quantidades cresceram 7,3% na comparação anual. O resultado mostra uma pauta externa favorecida por commodities, mas também uma mudança na direção dos mercados compradores.
Petróleo concentra o ganho
As vendas de óleos brutos de petróleo cresceram 122,6% em valor e alcançaram US$ 8,54 bilhões. O produto respondeu por 22,6% de tudo o que o país exportou no mês, contra 12,2% um ano antes, conforme o MDIC citado pela Folha.
A indústria extrativa, que reúne petróleo e mineração, ampliou as exportações em 53,5%. A agropecuária avançou 12,8%, puxada por soja e café não torrado. A indústria de transformação cresceu 7,7%, com combustíveis, celulose, farelo de soja e carnes de aves entre os destaques.
Petróleo quase dobrou sua participação na pauta Exportações brasileiras em outubro, comparação com outubro de 2025
| Indicador | Outubro de 2025 | Outubro de 2026 | Variação |
|---|---|---|---|
| Exportações totais | US$ 31,51 bi | US$ 37,81 bi | +20,0% |
| Petróleo bruto | US$ 3,84 bi | US$ 8,54 bi | +122,6% |
| Importações totais | US$ 24,82 bi | US$ 28,49 bi | +14,8% |
| Saldo comercial | US$ 6,68 bi | US$ 9,32 bi | +39,4% |
Fonte: MDIC/Secex, conforme dados reportados por Reuters e Folha. Valores nominais.
Estados Unidos ganham espaço
As exportações para os Estados Unidos subiram 87%, para US$ 4,32 bilhões. A participação norte-americana na pauta mensal passou de 7,3% para 11,4%. A alta ocorreu apesar das sobretaxas aplicadas ao Brasil ao longo do ano, segundo a Folha.
A China continuou como principal destino, mas sua participação caiu de 28,8% para 22,7%. As vendas ao país recuaram 5,3%, para US$ 8,59 bilhões. O MDIC atribuiu a redução a menores embarques de carne bovina, soja e farelo de soja.
No acumulado de janeiro a outubro, o superávit chegou a US$ 71,040 bilhões, acima dos US$ 52,985 bilhões registrados no mesmo período de 2025. Para o governo, o saldo anual projetado é de US$ 84,4 bilhões, estimativa revisada em outubro por causa da queda esperada no preço do petróleo.
O que diz o MDIC: A Secretaria de Comércio Exterior atribui o resultado de outubro ao avanço conjunto de preços e volumes exportados, com destaque para petróleo, agropecuária e indústria de transformação. A pasta também mantém a projeção anual de US$ 84,4 bilhões de superávit.
O número de outubro reforça a força do setor externo, mas não elimina a dependência de preços internacionais. Se o petróleo recuar ou a demanda chinesa continuar fraca, o saldo pode perder parte do impulso. A composição das vendas será o ponto a acompanhar nos dois últimos meses do ano.
Como fizemos: Usamos os dados de outubro de 2026 divulgados pelo MDIC/Secex e conferidos em reportagens da Folha e do UOL, acessadas em 6/11/2026. Comparamos valores nominais de outubro de 2025 e 2026 e calculamos apenas as diferenças já reportadas pelas fontes. A tabela não mede lucro das empresas nem efeito cambial sobre consumidores.



