Superávit comercial de outubro chega a US$ 9,3 bilhões

Exportações recordes de petróleo e avanço das vendas aos Estados Unidos elevaram o saldo comercial, enquanto a China perdeu participação no mês.

Guindastes de contêineres operam em um terminal portuário no Rio de Janeiro
Guindastes de contêineres em terminal do Porto do Rio de Janeiro.Foto: Wilfredor / Wikimedia Commons (CC0)

O Brasil exportou US$ 37,807 bilhões em outubro, maior valor mensal de 2026, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). As importações somaram US$ 28,490 bilhões. A diferença gerou superávit de US$ 9,318 bilhões. O resultado ficou 39,4% acima do registrado em outubro de 2025, informou a Reuters com base nos dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

O salto não veio apenas de mais mercadorias embarcadas. Os preços médios das exportações subiram 10,8% e as quantidades cresceram 7,3% na comparação anual. O resultado mostra uma pauta externa favorecida por commodities, mas também uma mudança na direção dos mercados compradores.

Petróleo concentra o ganho

As vendas de óleos brutos de petróleo cresceram 122,6% em valor e alcançaram US$ 8,54 bilhões. O produto respondeu por 22,6% de tudo o que o país exportou no mês, contra 12,2% um ano antes, conforme o MDIC citado pela Folha.

A indústria extrativa, que reúne petróleo e mineração, ampliou as exportações em 53,5%. A agropecuária avançou 12,8%, puxada por soja e café não torrado. A indústria de transformação cresceu 7,7%, com combustíveis, celulose, farelo de soja e carnes de aves entre os destaques.

Petróleo quase dobrou sua participação na pauta Exportações brasileiras em outubro, comparação com outubro de 2025

Indicador Outubro de 2025 Outubro de 2026 Variação
Exportações totais US$ 31,51 bi US$ 37,81 bi +20,0%
Petróleo bruto US$ 3,84 bi US$ 8,54 bi +122,6%
Importações totais US$ 24,82 bi US$ 28,49 bi +14,8%
Saldo comercial US$ 6,68 bi US$ 9,32 bi +39,4%

Fonte: MDIC/Secex, conforme dados reportados por Reuters e Folha. Valores nominais.

Estados Unidos ganham espaço

As exportações para os Estados Unidos subiram 87%, para US$ 4,32 bilhões. A participação norte-americana na pauta mensal passou de 7,3% para 11,4%. A alta ocorreu apesar das sobretaxas aplicadas ao Brasil ao longo do ano, segundo a Folha.

A China continuou como principal destino, mas sua participação caiu de 28,8% para 22,7%. As vendas ao país recuaram 5,3%, para US$ 8,59 bilhões. O MDIC atribuiu a redução a menores embarques de carne bovina, soja e farelo de soja.

No acumulado de janeiro a outubro, o superávit chegou a US$ 71,040 bilhões, acima dos US$ 52,985 bilhões registrados no mesmo período de 2025. Para o governo, o saldo anual projetado é de US$ 84,4 bilhões, estimativa revisada em outubro por causa da queda esperada no preço do petróleo.

O que diz o MDIC: A Secretaria de Comércio Exterior atribui o resultado de outubro ao avanço conjunto de preços e volumes exportados, com destaque para petróleo, agropecuária e indústria de transformação. A pasta também mantém a projeção anual de US$ 84,4 bilhões de superávit.

O número de outubro reforça a força do setor externo, mas não elimina a dependência de preços internacionais. Se o petróleo recuar ou a demanda chinesa continuar fraca, o saldo pode perder parte do impulso. A composição das vendas será o ponto a acompanhar nos dois últimos meses do ano.

Como fizemos: Usamos os dados de outubro de 2026 divulgados pelo MDIC/Secex e conferidos em reportagens da Folha e do UOL, acessadas em 6/11/2026. Comparamos valores nominais de outubro de 2025 e 2026 e calculamos apenas as diferenças já reportadas pelas fontes. A tabela não mede lucro das empresas nem efeito cambial sobre consumidores.

Fontes