Assaí lucra 55% mais, mas vendas em mesmas lojas quase param

Lucro recorrente chegou a R$ 248 milhões no terceiro trimestre; receita cresceu 2,7% e a alavancagem caiu com menor dívida.

Fachada de loja do Assaí Atacadista com bandeira do Brasil
Loja do Assaí Atacadista fotografada em Várzea Grande, Mato Grosso.Foto: Bruno Luiz / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O Assaí registrou lucro líquido recorrente de R$ 248 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 55% sobre um ano antes. O resultado veio com vendas em mesmas lojas quase estáveis, avanço de 0,1%, e receita de R$ 21,3 bilhões, crescimento de 2,7%.

Lucro recorrente é o resultado considerado mais ligado à operação habitual. O número não inclui todos os efeitos extraordinários. No trimestre, créditos de PIS e Cofins ajudaram o resultado recorrente, enquanto créditos tributários adicionais elevaram ainda mais o lucro contábil.

O lucro contábil é maior que o recorrente

O lucro líquido contábil chegou a R$ 427 milhões, alta de 119%. A diferença inclui créditos tributários extemporâneos, que são reconhecimentos de valores de períodos anteriores. Eles aumentam o resultado registrado, mas não representam vendas novas no caixa do trimestre.

Créditos e dívida explicam parte do salto do lucro Indicadores do terceiro trimestre de 2026, comparados ao mesmo período de 2025 quando informado

Indicador Resultado
Lucro líquido recorrente R$ 248 milhões, +55%
Lucro líquido contábil R$ 427 milhões, +119%
Receita do trimestre R$ 21,3 bilhões, +2,7%
Vendas em mesmas lojas +0,1%
Alavancagem financeira 2,15 vezes, ante 3,03 vezes

Fonte: Assaí, dados reproduzidos pela CNN Brasil. Alavancagem compara dívida líquida e resultado operacional.

A venda em mesmas lojas compara unidades abertas nos dois períodos. O avanço de 0,1% ficou abaixo da inflação de 4,4% citada pela empresa. Em termos reais, isso indica perda de volume ou de poder de compra, mesmo sem permitir separar preço e quantidade vendidos.

Menor dívida reduz a despesa financeira

A alavancagem caiu para 2,15 vezes, contra 3,03 vezes um ano antes e 2,37 vezes no segundo trimestre. A dívida líquida recuou R$ 1,3 bilhão em doze meses. Quanto menor a dívida, menor tende a ser a parcela do resultado consumida por juros, mantidas as demais condições.

A despesa financeira recorrente caiu 8,8%, para R$ 551 milhões. A companhia relacionou a melhora à redução da dívida média, do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) e do custo de antecipação de recebíveis. Recebíveis são valores que a empresa tem a receber de vendas feitas a prazo.

O lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, conhecido pela sigla Ebitda, ficou em R$ 1,08 bilhão. A margem foi de 5,7%, estável. Isso mostra que a melhora financeira ocorreu sem expansão relevante da margem operacional.

A leitura conjunta é mais cautelosa que o título do lucro. A rede preservou caixa e reduziu dívida, mas o consumo continuou pressionado pelo endividamento das famílias, segundo a administração. Créditos tributários ajudam o trimestre, porém não substituem crescimento de vendas recorrentes.

O que diz o Assaí: A companhia atribui o desempenho à disciplina de despesas, à eficiência comercial e à redução da alavancagem. A administração afirma que seguirá priorizando geração de caixa, preços competitivos e redução da dívida, segundo a mensagem do balanço reproduzida pelo SuperHiper.

O que acompanhar no próximo balanço

O indicador mais importante será a evolução das vendas em mesmas lojas sem depender de créditos. Também será preciso observar se a dívida continua caindo e se a margem operacional reage ao custo de alimentos e ao juro elevado.

A empresa aprovou um quarto programa de recompra de ações, mas a decisão não muda o resultado operacional do trimestre. Recompra reduz ações em circulação quando executada e pode alterar o lucro por ação. O efeito depende do preço e da quantidade efetivamente adquirida.

O balanço mostra uma empresa mais leve financeiramente, mas ainda exposta ao bolso do consumidor. Para o investidor, crescimento de lucro e crescimento de vendas contam histórias diferentes. A próxima rodada dirá se a desalavancagem se transforma em expansão ou apenas protege a operação contra juros altos.

Como fizemos: Consultamos os resultados do terceiro trimestre reportados pela CNN Brasil e a mensagem da administração reproduzida pelo SuperHiper em 6 de novembro. Separamos lucro recorrente, créditos tributários e alavancagem. Não tratamos créditos como receita operacional nem projetamos vendas futuras.

Fontes