Marinho promete Selic a 12%, se o ajuste vier logo

Coordenador da campanha de Flávio, Rogério Marinho diz que a Selic pode chegar a 12% ou 13%. O mercado já projeta 12% no fim de 2027, ganhe quem ganhar.

O senador Rogério Marinho, de terno, cercado por jornalistas com microfones durante uma entrevista coletiva no Senado.
O senador Rogério Marinho (PL-RN) concede entrevista coletiva no Senado Federal, em Brasília, em 29 de abril de 2026.Foto: Ton Molina / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A Selic pode chegar a 12% ou 13% ao ano num governo Flávio Bolsonaro, se o controle fiscal vier cedo. A previsão é do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, em declaração de 31 de agosto relatada pelo Eu Quero Investir. A Selic é a taxa básica de juros do país.

O número soa como promessa de alívio. Mas basta olhar as projeções do mercado para ver que ele não acrescenta muito. O ganho prometido, em boa parte, já está na conta dos analistas.

O que o mercado já projeta

A Selic está hoje em 13,75% ao ano, depois do quinto corte seguido, em 16 de setembro. Quem decide é o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC). O presidente da República não define os juros.

O boletim Focus, a pesquisa semanal do BC com economistas do mercado, foi divulgado em 13 de outubro. Ele projeta a Selic em 13,25% no fim de 2026 e em 12% no fim de 2027, ganhe quem ganhar a eleição. Os números foram reproduzidos pelo Diario de Pernambuco e pela Bloomberg Línea.

Ou seja: a faixa de 12% a 13% citada por Marinho coincide com o que o mercado já espera. E há quem projete juros ainda menores. O Santander vê a Selic em cerca de 11% no fim de 2027, segundo o InfoEconomics. É abaixo do piso da previsão do coordenador.

Um ponto, porém, favorece a campanha. A Bloomberg Línea associou a revisão mais recente do Focus, de 13,50% para 13,25% no fim deste ano, ao avanço de Flávio nas pesquisas. O mercado aposta que ele faria um ajuste fiscal.

O “se” da promessa

A frase de Marinho tem uma condição: o ajuste precisa vir logo. Os economistas de bancos concordam com a lógica. O Banco Inter só vê cortes mais rápidos se vier um pacote fiscal crível. O JPMorgan espera uma pausa nos cortes até abril. O Goldman Sachs vê pouco espaço no curto prazo, porque a inflação de serviços resiste a cair. Inflação de serviços é a alta de preços de coisas como aluguel, escola e conserto.

Em outras palavras, a previsão de Marinho depende de duas coisas que a campanha não controla sozinha. Uma é a inflação. A outra é a aprovação de um ajuste pelo Congresso, onde nenhum governo tem maioria garantida.

A questão é qual ajuste. O plano de governo registrado promete um “tesouraço” nos gastos e o corte de pelo menos dez ministérios. Mas não traz o valor da economia nem meta para a Selic, segundo a Forbes.

O único número conhecido veio de uma reportagem da Folha, de 7 de outubro. A equipe teria estudado um corte de cerca de R$ 250 bilhões em despesas obrigatórias. O pacote incluía corrigir só pela inflação as aposentadorias e o BPC, o benefício pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. A campanha disse que aquela não era sua posição oficial, segundo a IstoÉ Dinheiro.

Nem dentro do time o prazo é consenso. Marcelo Kayath, cotado para a equipe econômica, considerou inviável um ajuste de R$ 200 bilhões em um ano. A avaliação foi dada ao Estadão e reproduzida pelo Terra.

Marinho, por sua vez, já indicou onde procuraria o ajuste. Em março, em entrevista à Folha reproduzida por um blog, defendeu que a Previdência terá de ser revista, numa nova reforma. Ele foi também relator da reforma trabalhista de 2017. A Previdência, portanto, aparece no horizonte do coordenador, mesmo fora do plano oficial.

O que diz Rogério Marinho: O coordenador da campanha afirma que, com controle fiscal logo no início do governo, a Selic pode cair a 12% ou 13%. A campanha sustenta que o corte de R$ 250 bilhões revelado pela Folha não é sua posição oficial.

Para quem paga juros, a promessa de Marinho diz pouco de novo. A faixa de 12% a 13% já está nas projeções. O que mudaria o jogo seria um ajuste crível e detalhado, e esse ajuste continua sem número. Até o dia 25, o eleitor tem uma previsão que o mercado já fez e uma condição que a campanha não explica.

Fontes