A Selic já está caindo: Flávio promete o que o mercado já projeta
O Copom fez cinco cortes seguidos, e o boletim Focus já vê a Selic em 12% no fim de 2027. Flávio vende como promessa sua uma queda que já está em curso.

A Selic, a taxa básica de juros do país, está em 13,75% ao ano. Chegou a esse nível em 16 de setembro, depois do quinto corte seguido do Comitê de Política Monetária (Copom). O Copom é o grupo do Banco Central (BC) que define os juros. A queda, portanto, começou antes de qualquer voto no segundo turno.
No domingo (18), no debate da Band, Flávio Bolsonaro prometeu que, se eleito, os juros vão começar a cair “de uma forma muito rápida”, segundo o Metrópoles. Ele culpou o gasto do governo pelos juros altos. E disse que cortes de despesa vão devolver a confiança à economia.
O que o mercado já espera
O boletim Focus é a pesquisa semanal do BC com as projeções dos economistas do mercado. A edição de 13 de outubro projeta a Selic em 13,25% no fim de 2026 e em 12% no fim de 2027. A estimativa para este ano caiu de 13,50% para 13,25%, registrou o Diario de Pernambuco.
Há um dado a favor de Flávio, e esta revista não o esconde. A Bloomberg Línea associou essa revisão ao avanço dele nas pesquisas. O mercado gosta da ideia de um ajuste nas contas públicas, e isso pesa nas projeções.
Mas a direção da Selic já era de queda antes da campanha esquentar. A trajetória do Focus vale para o cenário do mercado, ganhe quem ganhar. Prometer juros menores, nesse quadro, é prometer algo que os próprios analistas já colocam na conta.
Os bancos, aliás, não falam em queda “muito rápida”. O Goldman Sachs vê pouco espaço no curto prazo, porque a inflação de serviços resiste a cair. O JPMorgan espera uma pausa nos cortes até abril. O Santander projeta cerca de 11% só no fim de 2027, segundo o InfoEconomics.
O Banco Inter é o mais otimista, mas com uma condição. Ele só vê cortes mais rápidos se vier um pacote fiscal crível, isto é, um plano de corte de gastos em que o mercado acredite.
Uma promessa sem caminho
É aqui que a promessa de Flávio tropeça. O plano de governo registrado prevê um “tesouraço” nos gastos, o corte de pelo menos dez ministérios e novas regras fiscais. Mas não traz meta para a Selic e não menciona o Banco Central, segundo a Forbes.
Isso importa porque quem decide os juros não é o presidente da República. É o Copom. Um candidato pode prometer criar as condições para os cortes. Não pode prometer o corte em si, e muito menos o ritmo dele.
As condições, por enquanto, também estão no ar. Marcelo Kayath, cotado para a equipe econômica de Flávio, considerou inviável um ajuste de R$ 200 bilhões em um ano. A avaliação foi dada ao Estadão e reproduzida pelo Terra.
Os ex-presidentes do BC Arminio Fraga e Henrique Meirelles esperam que Flávio evite detalhar o ajuste. Analistas lembram ainda que um Congresso fragmentado limita o que ele conseguiria aprovar, segundo o Jornal de Brasília.
A inflação é outro freio. O mercado espera alta de preços de 5,22%, bem acima da meta de 3%. Com a inflação longe do alvo, o Copom tende a ser cauteloso, seja quem for o presidente.
Nenhuma agência de checagem avaliou a promessa de juros caindo rápido, registrou a Lupa. A checagem confirmou outro dado de Flávio no debate: a dívida bruta de R$ 11,1 trilhões, ou 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB). O problema fiscal que ele aponta é real. O atalho que ele promete, não.
O que diz a campanha de Flávio Bolsonaro: O candidato afirma que o gasto público é a causa dos juros altos e que o corte de despesas vai devolver a confiança, abrindo caminho para uma queda rápida da Selic. O argumento foi apresentado no debate da Band, segundo o Metrópoles.
Para quem tem financiamento ou paga juros no cartão, a queda projetada deve chegar de qualquer forma, no ritmo que o Copom permitir. A pergunta do dia 25 é outra: qual candidato tem um plano fiscal crível para acelerar esse ritmo? Até aqui, Flávio ofereceu o slogan. O plano, com números, ainda não apareceu.
Fontes
- Se eleito, Flávio diz que a taxa de juros vai cair de forma muito rápida — Metrópoles
- Lula critica “tesouraço” e questiona onde Flávio fará corte de R$ 250 bilhões — Terra/Estadão
- Estimativa para a Selic ao fim de 2026 passa de 13,50% para 13,25% — Diario de Pernambuco
- Mercado reduz previsão para Selic a 13,25% com avanço de Flávio Bolsonaro nas eleições — Bloomberg Línea
- Favoritismo de Flávio Bolsonaro pode acelerar cortes da Selic — InfoEconomics
- Tesouraço: o plano econômico de Flávio Bolsonaro — Forbes
- Dianteira de Flávio Bolsonaro gera expectativa por ajuste fiscal — Jornal de Brasília
- Checagem do debate entre Lula e Flávio Bolsonaro na Band — Agência Lupa



