IPCA de outubro sai quinta; alimentos e energia guiam leitura

IBGE divulga inflação oficial na quinta (12); prévia ficou em 0,32%, com alimentos pressionando e queda da luz reduzindo habitação.

Consumidor retira pacote de farinha de trigo de prateleira em supermercado
Produtos alimentícios em supermercado de Planaltina, no Distrito Federal.Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga na quinta-feira (12) o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de outubro. O indicador é a inflação oficial do país. A prévia, chamada IPCA-15, ficou em 0,32%, após 0,70% em setembro.

A leitura completa mostrará se alimentos continuam pressionando e como a bandeira verde afetou a conta de luz. Também trará o acumulado em 12 meses. Na prévia, essa taxa era 4,62%, acima do teto de 4,5% da meta de inflação.

Alimentos responderam por mais da metade da prévia

O grupo Alimentação e Bebidas subiu 0,88% no IPCA-15 e contribuiu com 0,19 ponto percentual para o resultado. Isso representa 59% da variação de 0,32%. Impacto é a parcela que cada grupo soma ou retira do índice geral.

Alimentos têm o maior impacto, e habitação reduz a prévia Variação mensal e impacto no IPCA-15 de outubro de 2026

Grupo Variação Impacto
Índice geral 0,32% 0,32 ponto
Alimentação e bebidas 0,88% 0,19 ponto
Despesas pessoais 0,55% 0,06 ponto
Transportes 0,05% 0,01 ponto
Habitação -0,10% -0,02 ponto

Fonte: IBGE. Impactos arredondados; a soma pode diferir do total por arredondamento.

A alimentação em casa subiu 1,01%. Tomate, cebola, batata-inglesa e arroz tiveram as altas mais citadas pelo IBGE. Refeição e lanche fora de casa também aceleraram.

Habitação foi o único grupo com queda. A energia residencial recuou 0,89%, após alta de 7,42% em setembro. A mudança refletiu a saída da bandeira amarela e a entrada da verde, sem cobrança adicional.

Em transportes, os combustíveis subiram 1,20%, mas as passagens aéreas caíram 9,24%. O resultado do grupo foi quase estável. Esses movimentos mostram por que o índice geral não descreve a experiência de todos os consumidores.

Prévia e índice oficial não são intercambiáveis

O IPCA-15 usa a mesma metodologia do IPCA, mas com outro período de coleta e abrangência geográfica. Na prévia de outubro, os preços foram coletados de 16 de setembro a 14 de outubro. A comparação usou o período anterior até 15 de setembro.

O índice oficial tem calendário próprio e cobertura nacional mais ampla. Portanto, os 0,32% não devem ser tratados como previsão exata. A análise correta é observar quais pressões permanecem e quais foram revertidas.

O dado também influencia o debate sobre a taxa básica de juros, a Selic. Na quarta-feira (4), o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 13,75% ao ano. Inflação corrente, expectativas e atividade econômica entram nessa decisão, não apenas um resultado mensal.

O que diz o IBGE: O instituto informa que o IPCA-15 tem a mesma metodologia do IPCA, mas difere no período de coleta e na abrangência geográfica. Na prévia de outubro, oito dos nove grupos subiram, e alimentação teve a maior variação e o maior impacto.

O que conferir na publicação de quinta

A primeira comparação é entre o resultado mensal e os 0,32% da prévia. Depois, vale observar alimentação em casa e serviços. Por fim, o acumulado em 12 meses mostra se a inflação se aproxima ou se afasta da meta.

Para o orçamento, o efeito depende da cesta de cada família. Uma queda na energia pode compensar parte da alta dos alimentos, mas não da mesma forma em todas as cidades. A publicação do IBGE trará os detalhes por grupo e região.

Como fizemos: Consultamos o calendário do IBGE em 07/11/2026 e o release completo do IPCA-15 de outubro. Calculamos a participação do impacto de alimentos: 0,19 dividido por 0,32, aproximadamente 59%. Não projetamos o IPCA oficial nem decisões futuras do Copom.

Fontes