Inflação oficial sobe 0,82% em setembro e passa do teto da meta
Puxado pela conta de luz, o IPCA acumulado em 12 meses chegou a 4,58%, acima do limite de 4,5%; o Copom volta a se reunir em 3 e 4 de novembro.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, subiu 0,82% em setembro. O dado foi divulgado nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a maior taxa mensal desde março, quando o índice marcou 0,88%, segundo a Agência Brasil.
Em 12 meses, a inflação chegou a 4,58%, contra 4,22% em agosto. O número passou do teto da meta, de 4,5%. No ano, a alta acumulada é de 3,95%.
O resultado veio acima do esperado. A mediana do Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central (BC) com o mercado, previa 0,60%. Analistas ouvidos pela agência Reuters esperavam 0,73%, segundo o InfoMoney.
A conta de luz e os alimentos
Os nove grupos de produtos e serviços pesquisados subiram. O maior peso veio de habitação, com alta de 2,31% e impacto de 0,35 ponto percentual no índice. Alimentação e bebidas subiu 0,83%, e transportes, 0,89%, com 0,18 ponto cada.
A energia elétrica residencial subiu 7,98% e respondeu, sozinha, por 0,32 ponto. A causa principal foi o fim do Bônus de Itaipu, um crédito concedido nas contas de luz de agosto. Sem o desconto, a conta de setembro foi comparada a uma fatura de agosto mais barata. Reajustes em Belém, São Luís e Vitória também pesaram.
Nos alimentos, o grupo voltou a subir depois de três meses de queda. O tomate ficou 37,76% mais caro, e a batata-inglesa, 24,07%. Em transportes, as passagens aéreas subiram 9,66%, e a gasolina, 1,21%.
O que o dado significa para os juros
A meta de inflação é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo. Desde 2025, ela é conferida todo mês, com base nos 12 meses anteriores. Só há descumprimento formal depois de seis meses seguidos fora do intervalo.
Nesse caso, o BC precisa explicar o desvio em carta aberta ao ministro da Fazenda. Setembro foi o primeiro mês acima do teto desde junho, quando o índice estava em 4,64%, segundo a Agência Brasil. Por isso, a regra da carta ainda não foi acionada.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, que define a Selic, se reúne de novo em 3 e 4 de novembro. Em 16 de setembro, o comitê cortou a taxa básica de juros de 14% para 13,75% ao ano. Na segunda-feira (5), o Focus mostrava a previsão de inflação para 2026 em 5,01%.
Os serviços, mais sensíveis ao ritmo da economia e aos juros, subiram 0,61% no mês e 5,98% em 12 meses. Esse é um dos números que o Copom acompanha de perto.
O que diz o IBGE: Na divulgação do índice, o IBGE apontou a energia elétrica residencial como o principal impacto individual do mês e registrou que a bandeira tarifária amarela seguiu em vigor. Segundo a Agência Brasil, o analista do instituto Fernando Gonçalves associou a alta de alimentos como tomate e batata à oferta menor, ligada ao tempo mais frio e chuvoso.
Para outubro, a bandeira tarifária verde, sem cobrança extra na conta de luz, deve trazer algum alívio, segundo a Agência Brasil. Para o consumidor, o recado é que a queda de preços de agosto foi passageira. Para o BC, o dado chega a menos de um mês da próxima decisão, com a inflação de novo acima do limite tolerado.
Fontes
- IPCA fica em 0,82% em setembro — Agência IBGE Notícias
- Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — IBGE
- Inflação oficial de setembro fica em 0,82%, mostra IBGE — Agência Brasil
- IPCA: inflação sobe 0,82% em setembro, acima do esperado — InfoMoney
- IPCA: Inflação sobe 0,82% em setembro, com alta da energia elétrica — CNN Brasil
- Focus: mercado eleva previsão da inflação para 5,01% em 2026 — Agência Brasil
- BC reduz juros básicos para 13,75% ao ano — Agência Brasil
- Decreto nº 12.079, de 26 de junho de 2024 — Planalto




