Inflação oficial sobe 0,82% em setembro e passa do teto da meta

Puxado pela conta de luz, o IPCA acumulado em 12 meses chegou a 4,58%, acima do limite de 4,5%; o Copom volta a se reunir em 3 e 4 de novembro.

Prédio de três andares com o logotipo do IBGE na fachada e árvores em frente, com um edifício mais alto ao fundo.
Sede do Centro de Documentação e Disseminação de Informações (CDDI) do IBGE, instituto que calcula o IPCA, no Rio de Janeiro, em 12 de dezembro de 2007 (imagem de arquivo).Foto: Spoladore / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, subiu 0,82% em setembro. O dado foi divulgado nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a maior taxa mensal desde março, quando o índice marcou 0,88%, segundo a Agência Brasil.

Em 12 meses, a inflação chegou a 4,58%, contra 4,22% em agosto. O número passou do teto da meta, de 4,5%. No ano, a alta acumulada é de 3,95%.

O resultado veio acima do esperado. A mediana do Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central (BC) com o mercado, previa 0,60%. Analistas ouvidos pela agência Reuters esperavam 0,73%, segundo o InfoMoney.

A conta de luz e os alimentos

Os nove grupos de produtos e serviços pesquisados subiram. O maior peso veio de habitação, com alta de 2,31% e impacto de 0,35 ponto percentual no índice. Alimentação e bebidas subiu 0,83%, e transportes, 0,89%, com 0,18 ponto cada.

A energia elétrica residencial subiu 7,98% e respondeu, sozinha, por 0,32 ponto. A causa principal foi o fim do Bônus de Itaipu, um crédito concedido nas contas de luz de agosto. Sem o desconto, a conta de setembro foi comparada a uma fatura de agosto mais barata. Reajustes em Belém, São Luís e Vitória também pesaram.

Nos alimentos, o grupo voltou a subir depois de três meses de queda. O tomate ficou 37,76% mais caro, e a batata-inglesa, 24,07%. Em transportes, as passagens aéreas subiram 9,66%, e a gasolina, 1,21%.

O que o dado significa para os juros

A meta de inflação é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo. Desde 2025, ela é conferida todo mês, com base nos 12 meses anteriores. Só há descumprimento formal depois de seis meses seguidos fora do intervalo.

Nesse caso, o BC precisa explicar o desvio em carta aberta ao ministro da Fazenda. Setembro foi o primeiro mês acima do teto desde junho, quando o índice estava em 4,64%, segundo a Agência Brasil. Por isso, a regra da carta ainda não foi acionada.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, que define a Selic, se reúne de novo em 3 e 4 de novembro. Em 16 de setembro, o comitê cortou a taxa básica de juros de 14% para 13,75% ao ano. Na segunda-feira (5), o Focus mostrava a previsão de inflação para 2026 em 5,01%.

Os serviços, mais sensíveis ao ritmo da economia e aos juros, subiram 0,61% no mês e 5,98% em 12 meses. Esse é um dos números que o Copom acompanha de perto.

O que diz o IBGE: Na divulgação do índice, o IBGE apontou a energia elétrica residencial como o principal impacto individual do mês e registrou que a bandeira tarifária amarela seguiu em vigor. Segundo a Agência Brasil, o analista do instituto Fernando Gonçalves associou a alta de alimentos como tomate e batata à oferta menor, ligada ao tempo mais frio e chuvoso.

Para outubro, a bandeira tarifária verde, sem cobrança extra na conta de luz, deve trazer algum alívio, segundo a Agência Brasil. Para o consumidor, o recado é que a queda de preços de agosto foi passageira. Para o BC, o dado chega a menos de um mês da próxima decisão, com a inflação de novo acima do limite tolerado.

Fontes