Preço ao produtor sobe 1,54% em setembro, puxado por alimentos

O IPP, que mede o preço na porta da fábrica, subiu 1,54% em setembro e 4,34% em 12 meses, puxado por alimentos e petróleo.

Vista de uma refinaria da Petrobras, com torres e colunas metálicas, cercada por casas, árvores e morros, em Ibirité (MG).
Refinaria Gabriel Passos, da Petrobras, em Ibirité (MG), em foto de 2010. O refino de petróleo puxou a alta de setembro.Foto: altair mendes / Panoramio / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Na terça-feira (27), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o Índice de Preços ao Produtor (IPP) de setembro. O índice subiu 1,54% no mês e 4,34% em 12 meses. A alta mensal foi a maior desde abril, segundo a Remessa Online.

O IPP mede o preço que a indústria recebe pelo que vende. Ele não é a inflação que você sente no supermercado. Por isso, o número pede uma leitura cuidadosa.

O que o IPP mede

O IPP acompanha 24 atividades: a indústria extrativa e 23 setores da indústria de transformação. Os preços são medidos na porta da fábrica, sem impostos e sem frete, segundo o jornal O Povo.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do IBGE, mede o que o consumidor paga. Ele inclui impostos, margem do comércio e transporte. Os dois índices medem etapas diferentes da mesma cadeia de preços.

Principais números do IPP em 2026 Variação em %, segundo o IBGE

Indicador Valor
Setembro, na comparação com agosto 1,54%
Agosto, na comparação com julho 0,34%
Acumulado em 12 meses, até setembro 4,34%
Acumulado em 12 meses, até agosto 2,50%
Acumulado no ano, até setembro 5,04%

Fonte: IBGE, segundo a Agência Safras e o Istoé Dinheiro. Elaboração: redação.

Quem puxou a alta

A alta foi espalhada. Segundo a Remessa Online, 16 das 24 atividades subiram em setembro, contra 13 em agosto. Mesmo assim, três setores explicam quase todo o resultado.

Três setores somam 1,51 dos 1,54 pontos do índice Variação de preços em setembro e contribuição para o índice geral, em pontos percentuais (p.p.)

Setor Variação Contribuição (p.p.)
Alimentos 2,40% 0,58
Indústrias extrativas 11,04% 0,47
Refino de petróleo e biocombustíveis 4,88% 0,46

Fonte: IBGE, segundo a Agência Safras. Elaboração: redação.

Ponto percentual (p.p.) mostra quanto cada setor empurra o índice total. Alimentos teve o maior peso: subiu 2,40% e acrescentou 0,58 p.p. Segundo a Remessa Online, havia menos açúcar no mercado, porque parte da cana foi para o etanol. A demanda por soja também foi antecipada por dúvidas sobre o El Niño, fenômeno climático que altera as chuvas.

As indústrias extrativas, que incluem o petróleo, subiram 11,04%. Elas acrescentaram 0,47 p.p. O refino de petróleo e biocombustíveis subiu 4,88% e somou 0,46 p.p. Os bens intermediários, que são insumos comprados por outras fábricas, subiram 1,94%. Esse grupo respondeu por 1,04 p.p. do total.

O que diz o IBGE: Segundo a Remessa Online, o instituto relaciona a alta das extrativas ao preço do petróleo bruto, em meio a conflitos no Oriente Médio. A redação não conseguiu abrir a nota completa do IBGE durante a apuração.

Dólar, consumidor e juros

O dólar subiu 9,19% em relação à sexta-feira (23) e fechou perto de R$ 5,50 na segunda-feira (26), segundo a Remessa Online. O índice de setembro não captura essa alta, porque reflete preços de um período em que a moeda estava perto de R$ 5,15. A reportagem avalia que o efeito deve aparecer nas próximas leituras.

O IPP não é a conta do supermercado. Uma alta na fábrica pode chegar ao consumidor, mas nem sempre chega. A empresa pode absorver parte do custo na margem de lucro, e a concorrência também pesa no preço final.

Para os juros, o caminho é indireto. O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), define a Selic, a taxa básica de juros do país. A reunião é em 3 e 4 de novembro, e a decisão sai na quarta-feira (4), segundo o calendário do BC divulgado em 2025. O IPP é apenas um dos dados que entram nessa conta.

O que isso significa

Os números mostram um custo industrial que subiu forte em setembro. A alta veio de alimentos, petróleo e insumos, e atingiu mais atividades do que no mês anterior. Ainda não mostra o que o consumidor vai pagar. As próximas leituras de inflação e a decisão do Copom, no início de novembro, vão mostrar se essa pressão chega ao bolso.

Como fizemos: Usamos os números do IPP de setembro de 2026 divulgados pelo IBGE em 27/10/2026, conforme as reportagens da Agência Safras, do Istoé Dinheiro, do O Povo e da Remessa Online, acessadas nesse dia. O site do IBGE não abriu durante a apuração, então não conferimos a nota oficial diretamente; os valores coincidem entre as reportagens. O IPP de agosto aparece como 0,34% em todas as fontes, e o Istoé Dinheiro e o O Povo informam que ele foi revisado de 0,36%. O total de 1,51 p.p. é soma nossa das três contribuições da tabela. A data da decisão do Copom vem de calendário divulgado pelo BC em 2025, noticiado pela Okai. Os dados não mostram o preço pago pelo consumidor nem o efeito do câmbio, que ainda não aparece no índice.

Fontes