Preço ao produtor sobe 1,54% em setembro, puxado por alimentos
O IPP, que mede o preço na porta da fábrica, subiu 1,54% em setembro e 4,34% em 12 meses, puxado por alimentos e petróleo.

Na terça-feira (27), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o Índice de Preços ao Produtor (IPP) de setembro. O índice subiu 1,54% no mês e 4,34% em 12 meses. A alta mensal foi a maior desde abril, segundo a Remessa Online.
O IPP mede o preço que a indústria recebe pelo que vende. Ele não é a inflação que você sente no supermercado. Por isso, o número pede uma leitura cuidadosa.
O que o IPP mede
O IPP acompanha 24 atividades: a indústria extrativa e 23 setores da indústria de transformação. Os preços são medidos na porta da fábrica, sem impostos e sem frete, segundo o jornal O Povo.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do IBGE, mede o que o consumidor paga. Ele inclui impostos, margem do comércio e transporte. Os dois índices medem etapas diferentes da mesma cadeia de preços.
Principais números do IPP em 2026 Variação em %, segundo o IBGE
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Setembro, na comparação com agosto | 1,54% |
| Agosto, na comparação com julho | 0,34% |
| Acumulado em 12 meses, até setembro | 4,34% |
| Acumulado em 12 meses, até agosto | 2,50% |
| Acumulado no ano, até setembro | 5,04% |
Fonte: IBGE, segundo a Agência Safras e o Istoé Dinheiro. Elaboração: redação.
Quem puxou a alta
A alta foi espalhada. Segundo a Remessa Online, 16 das 24 atividades subiram em setembro, contra 13 em agosto. Mesmo assim, três setores explicam quase todo o resultado.
Três setores somam 1,51 dos 1,54 pontos do índice Variação de preços em setembro e contribuição para o índice geral, em pontos percentuais (p.p.)
| Setor | Variação | Contribuição (p.p.) |
|---|---|---|
| Alimentos | 2,40% | 0,58 |
| Indústrias extrativas | 11,04% | 0,47 |
| Refino de petróleo e biocombustíveis | 4,88% | 0,46 |
Fonte: IBGE, segundo a Agência Safras. Elaboração: redação.
Ponto percentual (p.p.) mostra quanto cada setor empurra o índice total. Alimentos teve o maior peso: subiu 2,40% e acrescentou 0,58 p.p. Segundo a Remessa Online, havia menos açúcar no mercado, porque parte da cana foi para o etanol. A demanda por soja também foi antecipada por dúvidas sobre o El Niño, fenômeno climático que altera as chuvas.
As indústrias extrativas, que incluem o petróleo, subiram 11,04%. Elas acrescentaram 0,47 p.p. O refino de petróleo e biocombustíveis subiu 4,88% e somou 0,46 p.p. Os bens intermediários, que são insumos comprados por outras fábricas, subiram 1,94%. Esse grupo respondeu por 1,04 p.p. do total.
O que diz o IBGE: Segundo a Remessa Online, o instituto relaciona a alta das extrativas ao preço do petróleo bruto, em meio a conflitos no Oriente Médio. A redação não conseguiu abrir a nota completa do IBGE durante a apuração.
Dólar, consumidor e juros
O dólar subiu 9,19% em relação à sexta-feira (23) e fechou perto de R$ 5,50 na segunda-feira (26), segundo a Remessa Online. O índice de setembro não captura essa alta, porque reflete preços de um período em que a moeda estava perto de R$ 5,15. A reportagem avalia que o efeito deve aparecer nas próximas leituras.
O IPP não é a conta do supermercado. Uma alta na fábrica pode chegar ao consumidor, mas nem sempre chega. A empresa pode absorver parte do custo na margem de lucro, e a concorrência também pesa no preço final.
Para os juros, o caminho é indireto. O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), define a Selic, a taxa básica de juros do país. A reunião é em 3 e 4 de novembro, e a decisão sai na quarta-feira (4), segundo o calendário do BC divulgado em 2025. O IPP é apenas um dos dados que entram nessa conta.
O que isso significa
Os números mostram um custo industrial que subiu forte em setembro. A alta veio de alimentos, petróleo e insumos, e atingiu mais atividades do que no mês anterior. Ainda não mostra o que o consumidor vai pagar. As próximas leituras de inflação e a decisão do Copom, no início de novembro, vão mostrar se essa pressão chega ao bolso.
Como fizemos: Usamos os números do IPP de setembro de 2026 divulgados pelo IBGE em 27/10/2026, conforme as reportagens da Agência Safras, do Istoé Dinheiro, do O Povo e da Remessa Online, acessadas nesse dia. O site do IBGE não abriu durante a apuração, então não conferimos a nota oficial diretamente; os valores coincidem entre as reportagens. O IPP de agosto aparece como 0,34% em todas as fontes, e o Istoé Dinheiro e o O Povo informam que ele foi revisado de 0,36%. O total de 1,51 p.p. é soma nossa das três contribuições da tabela. A data da decisão do Copom vem de calendário divulgado pelo BC em 2025, noticiado pela Okai. Os dados não mostram o preço pago pelo consumidor nem o efeito do câmbio, que ainda não aparece no índice.
Fontes
- IPP sobe 1,54% em setembro ante alta de 0,34% em agosto — O Povo (27/10/2026)
- Índice de Preços ao Produtor atinge 1,54% em setembro, IBGE — Agência Safras (acesso em 27/10/2026)
- Inflação ao produtor acelera para 1,54% em setembro, informa o IBGE — Istoé Dinheiro (acesso em 27/10/2026)
- Preços ao produtor sobem 1,54% antes do choque cambial — Remessa Online (acesso em 27/10/2026)
- Índice de Preços ao Produtor — Indústrias Extrativas e de Transformação — IBGE (página de referência; não abriu durante a apuração)
- Banco Central publica calendário de reuniões do Copom em 2026 — Okai (24/06/2025)
- Foto: Refinaria Gabriel Passos, Ibirité — Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)



