Prévia da inflação sobe 0,32% em outubro; em 12 meses, 4,62%

O IPCA-15 de outubro ficou em 0,32%, abaixo do esperado pelo mercado. Em 12 meses, a inflação chegou a 4,62%, acima do teto da meta de 4,5%.

Fachada do prédio do IBGE em Cuiabá, com placa laranja e branca do instituto, em rua com fios elétricos e um pedestre.
Prédio do IBGE em Cuiabá (MT), instituto que calcula o IPCA-15. Foto de 2024.Foto: Paul R. Burley / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

A prévia da inflação subiu 0,32% em outubro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (23). O resultado ficou abaixo da mediana das projeções do mercado, de 0,43%. Mesmo assim, a inflação em 12 meses chegou a 4,62%, acima do teto da meta.

O número é do IPCA-15, a prévia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o índice oficial de inflação do país. O IBGE mediu os preços coletados de 16 de setembro a 14 de outubro. Por isso, o dado antecipa a tendência do mês.

A meta de inflação para 2026 é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, segundo o Conselho Monetário Nacional (CMN). Isso dá um teto de 4,5%. Em setembro, a prévia tinha subido 0,70%, e a taxa em 12 meses estava em 4,47%, ainda abaixo do teto.

Comida e combustível puxam a alta

A alimentação e bebidas subiu 0,88%, a maior alta entre os nove grupos pesquisados. A comida consumida em casa avançou 1,01%, contra 0,38% em setembro. Tomate (24,54%), cebola (13,63%), batata-inglesa (10,96%) e arroz (5,80%) puxaram o resultado.

Os combustíveis subiram 1,20%, depois de 0,22% em setembro. O diesel avançou 3,70%, o etanol 2,73% e a gasolina 0,92%.

Comida e combustível sobem, enquanto luz e habitação caem Variação mensal, em %, nas prévias de setembro e de outubro de 2026

Grupo ou item Setembro Outubro
Combustíveis 0,22 1,20
Alimentação no domicílio 0,38 1,01
Alimentação e bebidas 0,40 0,88
Índice geral (IPCA-15) 0,70 0,32
Habitação 2,07 -0,10
Energia elétrica residencial 7,42 -0,89

Fonte: IBGE, segundo CNN Brasil, InfoMoney e Gazeta do Povo. Elaboração: redação.

Luz mais barata e passagens em queda

A energia elétrica residencial caiu 0,89%, depois de subir 7,42% em setembro. As reportagens atribuem a queda, principalmente, à troca da bandeira tarifária de amarela para verde. A bandeira é o sinal cobrado na conta de luz que reflete o custo de gerar energia naquele período.

As passagens aéreas caíram 9,24%. A habitação recuou 0,10%, e foi o único dos nove grupos em queda. Os outros oito subiram.

No orçamento, o saldo é desigual. A conta de luz caiu, mas a comida e o combustível subiram mais.

Selic e a reunião de novembro

Desde 16 de setembro, a Selic, a taxa básica de juros, está em 13,75% ao ano. Naquela data, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, reduziu a taxa pela quinta vez seguida. O comitê não se reúne em outubro. O próximo encontro está marcado para 3 e 4 de novembro.

Com a inflação em 12 meses acima do teto, a decisão de novembro começa num cenário mais difícil. A prévia não define a taxa, mas mostra a pressão. As fontes consultadas não trazem a expectativa do mercado para a reunião de novembro.

O que diz o IBGE: Segundo a Gazeta do Povo, o instituto mediu preços coletados de 16 de setembro a 14 de outubro de 2026. A redação não entrou em contato com o IBGE para este texto, e o site do instituto bloqueou o acesso durante a apuração.

O que vem a seguir

Os dados mostram que a inflação em 12 meses voltou a subir e ficou acima do teto. A pressão veio de comida e combustível, e a conta de luz ajudou a conter o índice.

O IPCA cheio de outubro, divulgado depois, dirá se essa tendência continua. Em aberto está a decisão do Copom em novembro, que depende desse número e de outras projeções.

Como fizemos: Usamos os números do IPCA-15 de outubro e de setembro de 2026, divulgados pelo IBGE e reproduzidos pela CNN Brasil, InfoMoney e Gazeta do Povo, acessados em 23/10/2026. O site do IBGE não pôde ser aberto nesta apuração. Cálculo nosso: a taxa em 12 meses de outubro confere com a de setembro (4,47%), a variação de outubro de 2026 (0,32%) e a de outubro de 2025 (0,18%), pela conta (1,0447 × 1,0032) ÷ 1,0018 − 1, que dá 4,62%. A tabela traz só os itens que as reportagens citaram, e a prévia não substitui o IPCA cheio.

Fontes