Copom não se reúne em outubro e decide a Selic em novembro
Sem reunião em outubro, o Copom volta a decidir a Selic, hoje em 13,75% ao ano, nos dias 3 e 4 de novembro de 2026, segundo o calendário oficial.

Não haverá reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em outubro de 2026. A próxima decisão sobre a Selic, a taxa básica de juros do país, está marcada para 3 e 4 de novembro. Hoje ela está em 13,75% ao ano.
O Copom é formado pela diretoria do Banco Central (BC). Ele se reúne a cada 45 dias para definir a Selic, segundo a Agência Brasil. A taxa é a referência usada pelo país para encarecer ou baratear o dinheiro.
A taxa vem caindo. Em janeiro, o Copom manteve a Selic em 15%. Desde março, foram cinco cortes de 0,25 ponto percentual cada um, o último em 16 de setembro.
Por que são oito reuniões por ano
O calendário de 2026 tem oito encontros de dois dias: 27 e 28 de janeiro, 17 e 18 de março, 28 e 29 de abril, 16 e 17 de junho, 4 e 5 de agosto, 15 e 16 de setembro, 3 e 4 de novembro e 8 e 9 de dezembro. O BC divulgou a lista em 24 de junho de 2025, segundo a InfoMoney.
Oito encontros a cada 45 dias cobrem quase um ano inteiro: 8 × 45 = 360 dias. A reportagem não encontrou nenhum documento do BC que explique por que o número é oito. A regra pública é o intervalo de 45 dias.
O que o mercado espera para novembro
O Boletim Focus, pesquisa do BC que reúne projeções de instituições financeiras, manteve em 13,25% a mediana para a Selic no fim de 2026. A divulgação foi em 19 de outubro. A mediana é o valor central das respostas.
Como a taxa está em 13,75%, essa projeção indica cerca de 0,50 ponto percentual de queda até dezembro. São dois cortes de 0,25 ponto, se a projeção se confirmar. Esse cálculo é nosso, e a pesquisa não diz em qual reunião os cortes ocorreriam.
A probabilidade específica para a reunião de novembro não aparece nas fontes verificadas. As opções de Copom negociadas na B3 mostram essas chances, mas não foi possível verificar a leitura atual.
O que a Selic muda no seu bolso
A Selic serve de referência para o crédito. Quando sobe, o dinheiro emprestado tende a ficar mais caro. Quando cai, o custo dos empréstimos tende a ceder, mas com atraso e nem sempre na mesma proporção.
A taxa também pesa na dívida pública. Em junho, 49,32% da dívida federal estava atrelada à Selic, segundo o Tesouro Nacional. Cada corte reduz o custo de juros que o governo paga sobre esses títulos, e cada alta o aumenta.
A inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,58% em setembro, acima do teto de 4,5% da meta. Descontada essa inflação, a Selic de 13,75% equivale a cerca de 8,8% ao ano. Cálculo nosso: 1,1375 ÷ 1,0458 − 1.
Para quem vive de salário, o efeito é indireto. Juros altos desaceleram a economia e pesam sobre emprego e renda. No trimestre encerrado em abril, a renda média habitual foi de R$ 3.732, 5,3% acima de um ano antes, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) com dados do IBGE.
O que diz o Banco Central: Em 16 de setembro, o Copom reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano, em decisão unânime, segundo o Atlas Público. A justificativa vem no comunicado que o comitê publica após cada reunião. Esta reportagem não enviou perguntas ao BC, por se basear em documentos públicos.
O que vem depois
A próxima decisão sai ao fim do segundo dia de reunião, em 4 de novembro. A ata, com o detalhe da discussão, é divulgada na semana seguinte. Até lá, a meta segue em 13,75% ao ano, conforme a série oficial do BC.
O comitê decide com base em inflação e atividade econômica. A decisão de novembro vai depender desses números, e o mercado já aponta mais quedas até dezembro.
Como fizemos: Usamos a série 432 do BC (meta Selic), acessada em 22/10/2026, e o calendário de reuniões divulgado pelo BC em 24/06/2025. A inflação e a renda são as citadas nas fontes do IBGE e do Ipea. O cálculo do juro real (1,1375 ÷ 1,0458 − 1) é nosso. Não encontramos probabilidade verificada para novembro; a leitura do mercado vem só da pesquisa Focus.
Fontes
- Banco Central divulga calendário das reuniões do Copom para 2026 — InfoMoney
- Copom inicia reunião que definirá taxa básica de juros — Agência Brasil
- Copom reduz Selic para 13,75% ao ano em decisão unânime — Atlas Público
- Expectativa para a Selic no fim de 2026 continua em 13,25% no Focus do BC — DGABC
- IPCA sobe mais do que o esperado em setembro e fica acima da meta — Jornal do Comércio
- Parcela da DPF corrigida pela Selic sobe para 49,32% em junho, afirma Tesouro — Acessa
- Retrato dos rendimentos do trabalho: resultados da PNAD Contínua do primeiro trimestre de 2026 — Ipea
- Série 432 (meta Selic), dados abertos do Banco Central (acesso em 22/10/2026)



