Mercado mantém inflação de 2026 em 5,22%, acima da meta de 3%

Boletim Focus de 19 de outubro: mercado mantém IPCA de 2026 em 5,22% e Selic em 13,25%. O juro real segue alto, e quem paga é quem toma crédito.

Edifício-sede do Banco Central do Brasil em Brasília, torre escura de vidro e concreto contra o céu azul.
Sede do Banco Central do Brasil, em Brasília, instituição que divulga o Boletim Focus toda semana.Foto: Banco Central do Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O mercado financeiro mantém em 5,22% a projeção de inflação para 2026. O número está 2,22 pontos percentuais acima da meta de 3%. Ele consta do Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (19).

O Focus é uma pesquisa semanal com instituições financeiras e consultorias. O número divulgado é a mediana das respostas, ou seja, o valor do meio da lista. Na edição de 19 de outubro, 137 instituições responderam sobre a inflação de 2026, segundo a série do próprio banco.

A Selic, taxa básica de juros da economia, deve fechar 2026 em 13,25%, pela mediana. Hoje ela está em 13,75% ao ano, após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de 16 de setembro. A mediana prevê, portanto, queda de 0,50 ponto percentual até o fim do ano.

A meta de inflação é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo. O intervalo vai de 1,5% a 4,5%, segundo o Conselho Monetário Nacional (CMN). A projeção para 2026 está acima desse teto. A tabela compara a edição de 19 de outubro com a anterior, de 13 de outubro.

Inflação de 2027 subiu, PIB caiu e dólar recuou Mediana das projeções do Boletim Focus, em % ao ano e em R$ (fim do ano), edições de 19/10 e 13/10 de 2026

Indicador Ano 19/10 13/10
IPCA 2026 5,22% 5,22%
IPCA 2027 4,32% 4,30%
PIB 2026 1,83% 1,85%
PIB 2027 1,32% 1,40%
Selic 2026 13,25% 13,25%
Selic 2027 12,00% 12,00%
Câmbio 2026 R$ 5,13 R$ 5,15
Câmbio 2027 R$ 5,22 R$ 5,26

Fonte: Banco Central, Boletim Focus. Elaboração: redação.

Inflação acima da meta sustenta juro alto

Para 2027, a mediana de inflação subiu de 4,30% para 4,32%. O número ainda cabe no intervalo de tolerância, mas fica 1,32 ponto acima da meta. Mesmo com a Selic em queda, a projeção para o fim de 2027 é de 12%.

Juro real é o juro depois de descontada a inflação. Com Selic de 13,25% e inflação de 5,22%, esse juro fica em cerca de 7,6% ao ano. Ou seja, o dinheiro emprestado rende ou custa cerca de 7,6% acima dos preços.

Quem paga a conta

Quem paga esse juro real é quem toma crédito. Famílias que usam cartão rotativo, financiamento ou crédito pessoal pagam juros acima da Selic. Empresas que pegam dinheiro para investir ou contratar também carregam essa conta.

O governo também paga. A dívida pública ligada à Selic fica mais cara quando a taxa sobe. Do outro lado, o dólar esperado para o fim de 2026 caiu para R$ 5,13. Câmbio mais barato ajuda a segurar preços de importados, mas não reduz o juro cobrado no crédito.

O que diz o Banco Central: Em 16 de setembro, o Copom reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano, o quinto corte seguido, segundo o Economic News Brasil. A reportagem ressalta que o Boletim Focus não constitui orientação do Banco Central.

O que vem a seguir

A mediana para a Selic de 2026 não mudou desde a edição anterior. A queda prevista de 0,50 ponto depende de decisões futuras do Copom. Enquanto a inflação esperada ficar acima da meta, o juro alto tende a continuar. A próxima edição semanal do Focus mostra se o mercado muda essa conta.

Como fizemos: Usamos a mediana das projeções do Boletim Focus, da API de Expectativas de Mercado do Banco Central, com dados de 16 e 9 de outubro de 2026, acessados em 22/10/2026. A mediana considera todas as respostas, arredondada para duas casas decimais. O juro real é conta nossa, pela fórmula (1 + Selic) ÷ (1 + IPCA) − 1, com as projeções de fim de 2026: (1,1325 ÷ 1,0522) − 1, que dá cerca de 7,6%. Os dados não mostram o juro efetivo pago por famílias ou empresas.

Fontes