Fed decide juros na quarta; efeito chega ao dólar e ao crédito
O Fed decide os juros dos EUA na quarta (28). A manutenção é o cenário mais provável, mas uma nova alta pesaria sobre o dólar e os juros brasileiros.

Na quarta-feira (28), às 15h de Brasília, o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, anuncia se muda a taxa básica de juros americana. A reunião é de 27 e 28 de outubro. A decisão parece distante, mas mexe com o dólar, os títulos públicos e o crédito no Brasil.
O Fed é o banco central dos EUA. Quem decide a taxa é o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês). A taxa em jogo é a faixa-alvo dos fundos federais, o juro que os bancos cobram uns dos outros em empréstimos de um dia.
Em 16 de setembro, o comitê aprovou por 12 votos a 0 a alta de 0,25 ponto percentual. A faixa subiu de 3,50%–3,75% para 3,75%–4,00% ao ano, segundo o próprio Fed.
O que o mercado espera
A manutenção é o cenário mais provável para quarta. Em 14 de outubro, o Chase relatou que o J.P. Morgan Wealth Management vê a pausa como cenário-base.
A ata da reunião de setembro, divulgada em 7 de outubro, aponta outra direção. A maioria dos dirigentes considera provável mais uma alta até o fim do ano. Por isso, o principal risco fica para a reunião de 8 e 9 de dezembro.
Os dados explicam a cautela. Em setembro, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 3,7% em 12 meses, segundo o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA (BLS). Sem alimentos e energia, a alta em 12 meses foi de 2,6%. A economia americana criou 29 mil empregos em setembro, abaixo do esperado, e o desemprego ficou em 4,2%.
O que diz o Fed: O comunicado de 16 de setembro afirma que “a inflação continua elevada” e que o Comitê “vai entregar a estabilidade de preços”. Traduções nossas do texto em inglês, publicado no site oficial do banco.
Como a decisão chega ao Brasil
Há três caminhos principais. O primeiro é o dólar. Juros americanos mais altos tornam os títulos dos EUA mais atraentes. Parte do capital estrangeiro sai de países emergentes, e o dólar tende a subir frente ao real.
O segundo é a diferença de juros. A Selic, taxa básica de juros do Brasil, está em 13,75% ao ano desde 16 de setembro. Foi o quinto corte seguido, segundo a Economic News Brasil. Pela nossa conta, a distância para a taxa americana vai de 9,75 a 10 pontos percentuais. Uma alta nos EUA reduz essa distância, e isso tende a atrair menos dinheiro para o Brasil.
O terceiro é o preço das importações. Com dólar mais caro, eletrônicos e insumos vindos de fora ficam mais caros para o comprador brasileiro.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central não segue o Fed de forma automática. Ele decide a Selic olhando a inflação brasileira. A pesquisa Focus, que reúne projeções do mercado, previa Selic de 13,25% ao fim de 2026, segundo o DGABC em 19 de outubro. Um dólar mais alto pode elevar a inflação daqui, e isso entra na conta do Copom.
Quem paga em dólar ou tem financiamento
Quem paga em dólar sente a alta do câmbio logo. Compras no exterior, assinaturas internacionais e dívidas em dólar ficam mais caras quando o real perde valor.
O financiamento depende do tipo de taxa no contrato. Na taxa pré-fixada, o juro fica definido na assinatura, e a parcela não muda com a Selic. Na pós-fixada, o custo acompanha um indexador, como o CDI, taxa que segue de perto a Selic. Se o indexador sobe, a parcela sobe. Vale conferir no contrato qual é o caso.
O que vem a seguir
O Fed decide na quarta (28). O Copom se reúne em 3 e 4 de novembro, com decisão na quarta (4). O Fed volta a se reunir em 8 e 9 de dezembro.
A decisão americana não define sozinha o juro brasileiro. Mas uma alta nos EUA pode reduzir a folga do Brasil para cortar juros. Quem tem conta em dólar deve acompanhar o câmbio nas próximas semanas.
Como fizemos: Usamos o comunicado do Fed de 16/09/2026, a ata da reunião de setembro (divulgada em 07/10/2026), o calendário do FOMC, dados do BLS sobre inflação (divulgados em 14/10/2026) e emprego (02/10/2026), o artigo do Chase de 14/10/2026, a notícia da Economic News Brasil de 16/09/2026 sobre a Selic e o Focus de 19/10/2026 citado pelo DGABC. Acessamos as fontes durante a apuração. A diferença de juros é nossa conta: 13,75% menos 3,75% e menos 4,00%. Não estimamos o efeito sobre o dólar, porque não há dado oficial que o isole. Probabilidades de mercado variam por fonte e por dia, então não as usamos como número único.
Fontes
- Federal Reserve: comunicado de política monetária de 16 de setembro de 2026
- Federal Reserve: ata da reunião de 15 e 16 de setembro de 2026
- Federal Reserve: calendário das reuniões do FOMC
- BLS: índice de preços ao consumidor (CPI), setembro de 2026
- BLS: relatório de emprego, setembro de 2026
- Chase: “Will the Federal Reserve hike rates at October 2026 FOMC meeting?” (14/10/2026)
- Economic News Brasil: nova taxa Selic chega em setembro ao patamar projetado para dezembro (16/09/2026)
- BORA Investir (B3): calendário do Copom em 2026
- DGABC: expectativa para a Selic no fim de 2026 continua em 13,25% no Focus do BC (19/10/2026)



