Renda das famílias comprometida com dívidas é a maior em 21 anos

Relatório do BC mostra renda das famílias presa em dívidas no maior nível em 21 anos, e crédito problemático no maior patamar desde 2012.

Fachada do edifício-sede do Banco Central do Brasil, em Brasília, com torres de vidro escuro e uma luz de poste à esquerda, contra o céu azul.
Edifício-sede do Banco Central do Brasil, em Brasília. A foto é de arquivo.Foto: Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Na terça-feira (27), o Banco Central (BC) divulgou o Relatório de Estabilidade Financeira (REF). O documento diz que a parcela da renda das famílias destinada a pagar dívidas chegou ao maior nível em 21 anos. Ao mesmo tempo, o BC afirma que o sistema financeiro não corre risco relevante.

A leitura do relatório tem dois lados. Os bancos, segundo o BC, resistem a cenários adversos. Já as famílias enfrentam o maior aperto em duas décadas.

O REF avalia a saúde dos bancos e do crédito. Ele cobre o primeiro semestre de 2026, segundo a Agência Brasil. Para entender os números, vale conhecer três termos.

Quanto da renda vai para dívidas

O comprometimento da renda é a parcela da renda mensal usada para pagar dívidas. Segundo o BC, esse indicador chegou ao maior nível dos últimos 21 anos. A reportagem consultada não traz o percentual exato. Para o BC, a pressão deve continuar no segundo semestre.

Outro indicador mede o tamanho da dívida em relação à renda. O endividamento compara o total de dívidas com a renda acumulada em 12 meses. Ele chegou a 49,8% em maio de 2026, contra 41,8% em 2020, segundo dados do BC citados pelo SBT News.

Atrasos no maior nível desde 2012

Ativos problemáticos são empréstimos com atraso ou com sinais de dificuldade para pagar. No crédito às famílias, esses ativos estão no maior nível desde 2012 na maioria das modalidades. A inadimplência, ou seja, o atraso no pagamento, é o principal motor, segundo a Agência Brasil.

Ao mesmo tempo, o crédito desacelera. O relatório liga essa queda a juros altos e a uma atividade econômica mais moderada. As instituições também estão mais cautelosas ao emprestar.

Bancos aguentam, diz o BC

O BC afirma que o sistema está preparado. Segundo o relatório, 73% das instituições consultadas se dizem muito ou totalmente confiantes na resiliência do sistema. Os testes de estresse, que simulam crises, indicam capital adequado.

Mesmo assim, o BC estuda medidas para os segmentos de maior risco. A meta é reduzir o superendividamento, situação em que a dívida passa da capacidade de pagamento. Essas medidas são chamadas de macroprudenciais: valem para o crédito como um todo, e não para um banco isolado.

Em agosto, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse que a implementação será gradual, sem deixar o problema crescer. Ele falou em evento do setor bancário em São Paulo, segundo o SBT News.

O que diz o Banco Central: Segundo a Agência Brasil, o BC não vê risco relevante para a estabilidade do sistema financeiro. Afirma que a parcela da renda das famílias com dívidas está no maior nível em 21 anos e que estuda medidas para os segmentos de maior risco. A posição consta do próprio relatório, divulgado em 27/10/2026.

O que isso significa

Os dados mostram um quadro em duas partes. Os bancos se dizem sólidos, mas o peso das dívidas cresce nas famílias. Quando uma parcela maior da renda vai para pagar dívidas, sobra menos para consumo e para imprevistos.

O BC espera que essa pressão continue até o fim do ano. O que segue em aberto é o desenho das medidas: quais tipos de crédito serão alvo e quando entram em vigor. A reportagem consultada não detalha isso.

Como fizemos: Usamos a reportagem da Agência Brasil publicada em 27/10/2026, às 11h28, que resume o REF do BC sobre o primeiro semestre de 2026. Não conseguimos abrir o texto completo do relatório nesta consulta, por isso só usamos números que aparecem nas reportagens. Os dados de endividamento (49,8% em maio de 2026 e 41,8% em 2020) vêm de apresentação do BC citada pelo SBT News, em reportagem de 24/08/2026. Não fizemos cálculos próprios, e não corrigimos valores pela inflação porque não há valores em reais. Acessamos as fontes em 27/10/2026.

Fontes