BC cria painel de dívidas e permite bloquear ofertas de crédito

Três resoluções aprovadas na sexta (23) criam painel de dívidas, alerta para parcelas de 40% da capacidade de pagamento e regras para ofertas no Pix.

Edifício-sede do Banco Central do Brasil em Brasília, torre de concreto e vidro escuro sob céu azul, com vegetação e cidade ao redor.
Edifício-sede do Banco Central, em Brasília, instituição que aprovou as três resoluções na sexta-feira (23).Foto: Banco Central do Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Na sexta-feira (23), o Banco Central (BC) aprovou três resoluções contra o superendividamento. Esse é o caso da pessoa física que não consegue pagar todas as dívidas de consumo sem deixar de cobrir o mínimo para viver. As normas mexem em três pontos: o painel de dívidas, as ofertas de crédito e o crédito oferecido durante o Pix.

A Lei 14.181, de 2021, criou regras de prevenção ao superendividamento no Código de Defesa do Consumidor. As resoluções do BC atingem as instituições que oferecem crédito. Elas detalham como essa proteção deve funcionar na prática.

O que muda para quem está endividado

O primeiro ponto é o Painel de Dívidas Consolidadas, criado pela Resolução BCB 601. Ele mostra as operações de crédito de pessoas físicas, incluindo empresários individuais, e o quanto da capacidade mensal de pagamento já está comprometido. No início, reúne só as dívidas feitas na própria instituição.

Dívidas em outros bancos entram depois, via SCR (Sistema de Informações de Créditos, o cadastro de crédito do BC) e Open Finance (compartilhamento de dados financeiros com autorização do cliente).

O painel também emite alerta quando as parcelas chegam a 40% da capacidade mensal de pagamento calculada pelo banco. Antes de contratar, o cliente vê quanto a nova parcela compromete dessa capacidade. A regra não cria um teto. Segundo o Click Petróleo e Gás, ela obriga a informar o risco, mas não torna ilegal um empréstimo acima desse nível.

Pela Resolução BCB 602, o cliente poderá bloquear propagandas e ofertas ativas de crédito. Para clientes vulneráveis, ou em risco de superendividamento, a oferta exige autorização prévia, específica e inequívoca. Nesses casos, ela só pode servir para renegociar, transferir ou trocar a dívida por condições melhores, sem dinheiro novo.

A Resolução BCB 603 trata do crédito oferecido durante uma transação Pix. Ela exige consentimento prévio e específico, simuladores e um intervalo mínimo de 24 horas entre a ativação da oferta e a primeira proposta. Segundo o BC, o Pix continua chegando de forma instantânea e integral a quem recebe.

O que ainda falta

A regra do painel começa incompleta. Quem tem dívidas em vários bancos só verá o quadro total quando SCR e Open Finance forem incluídos.

As datas também pesam. A 602 começa a valer em 31 de março de 2027. As regras do painel e do crédito no Pix começam em 1º de julho de 2027. As reportagens consultadas não trazem estimativa de quanto a norma reduzirá o endividamento.

O que diz o Banco Central: Em nota divulgada na sexta-feira (23), o BC afirma que as normas buscam dar ao consumidor mais proteção e informação sobre as ofertas de crédito que recebe. A nota foi reproduzida pelo Diário de Pernambuco. Não houve contato direto com o BC para este texto.

O que isso significa

As três resoluções dão ao cliente mais informação antes de contratar e mais controle sobre as ofertas que recebe. A proteção mais forte para quem já está endividado, porém, só começa em 2027. Vale acompanhar o texto integral das normas no site do BC e a inclusão das dívidas de outros bancos no painel.

Como fizemos: Usamos notas e reportagens publicadas em 23 e 24/10/2026 pelo Poder360, Atlas Público, Metrópoles, Times Brasil, Seu Dinheiro, Diário de Pernambuco e Click Petróleo e Gás, acessadas em 24/10/2026. Tentamos abrir o texto das Resoluções 601, 602 e 603 no site do BC, mas a página não exibiu o conteúdo. Por isso, as datas e o percentual de 40% foram conferidos em mais de uma fonte, não no texto oficial. Cálculo nosso: de 23/10/2026 até 31/03/2027 são cerca de cinco meses, e até 01/07/2027, cerca de oito meses. Não houve contato direto com o BC.

Fontes