Como o Copom decide a Selic, da reunião ao juro do crédito

O comitê do Banco Central se reúne oito vezes por ano, vota a taxa básica de juros e publica a ata na terça-feira seguinte à decisão.

Ilan Goldfajn, de óculos e terno, sentado à mesa durante reunião do Comitê de Política Monetária.
O então presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, durante reunião do Copom em Brasília, em 19 de julho de 2016 (foto de arquivo).Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em 5 de agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) baixou a Selic de 14,25% para 14% ao ano. A Selic é a taxa básica de juros do país. Foi o quarto corte seguido, segundo a Agência Brasil, depois de a taxa ficar em 15% de junho de 2025 a março deste ano.

A decisão saiu de um ritual que se repete oito vezes por ano. Conhecer esse calendário ajuda a entender quando os juros podem mudar. Também explica por que a mudança demora a chegar ao crediário e ao financiamento.

Quem decide, quando e como

O Copom foi criado em 1996. Ele é formado pelo presidente e pelos diretores do BC, que somam até nove pessoas. Todos os integrantes presentes votam, e o comunicado informa como cada um votou.

As reuniões seguem um calendário divulgado com antecedência. Em 2026, são oito encontros, com intervalo médio de 45 dias. Os próximos estão marcados para 15 e 16 de setembro, 3 e 4 de novembro e 8 e 9 de dezembro.

Cada reunião dura dois dias, em geral uma terça e uma quarta-feira. No primeiro dia, técnicos do BC apresentam dados sobre inflação, atividade econômica, contas públicas, câmbio e cenário internacional. No segundo, os membros discutem o cenário e votam a nova taxa.

A decisão é anunciada no começo da noite do segundo dia, depois do fechamento dos mercados. O comunicado é curto. Traz a nova taxa, os principais motivos e, às vezes, sinais sobre os próximos passos.

Na terça-feira seguinte, às 8h, o BC publica a ata. É o documento mais detalhado: descreve o cenário analisado, os riscos e o debate entre os membros. A ata da reunião de agosto saiu no dia 11, segundo a Agência Brasil. O mercado lê comunicado e ata palavra por palavra, porque uma única expressão nova pode mudar as apostas sobre os juros futuros.

Do comitê ao seu crédito

A Selic definida pelo Copom é uma meta. Para cumpri-la, o BC compra e vende títulos públicos todos os dias com os bancos. Assim, mantém perto da meta o juro dos empréstimos de um dia entre instituições, garantidos por esses títulos.

Esse juro de um dia é o ponto de partida do custo do dinheiro. Sobre ele, os bancos somam o risco de calote, impostos, despesas e lucro. A diferença entre o que o banco paga para captar recursos e o que cobra do cliente se chama spread.

Por isso, o efeito de um corte não é imediato nem igual para todos. Empréstimos e financiamentos novos tendem a refletir a mudança primeiro. Em linhas de risco alto, como o rotativo do cartão, a Selic pesa pouco no preço final.

O que diz o Banco Central: Na página oficial do Copom, o BC descreve o comitê como o órgão, formado pelo presidente e pelos diretores, que define a cada 45 dias a taxa básica de juros. No comunicado de 5 de agosto, o Copom afirmou que o corte é “compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta”, segundo a Agência Brasil.

A próxima decisão sai em 16 de setembro, e a ata, no dia 22. Para quem planeja tomar crédito, vale acompanhar o calendário. Cada reunião é uma chance de mudança, mas o alívio no bolso chega aos poucos, ao longo de meses.

Fontes