Copom mantém Selic em 13,75% e interrompe cinco cortes

Decisão unânime contraria a expectativa de nova redução e mantém o juro básico alto enquanto a inflação projetada supera o teto da meta.

Recorte horizontal das torres do edifício-sede do Banco Central do Brasil
Edifício-sede do Banco Central do Brasil, em Brasília, em foto de 2015, com recorte.Foto: Jonas Pereira / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic, taxa básica de juros do país, em 13,75% ao ano na quarta-feira (4). A decisão unânime interrompeu cinco cortes seguidos. Também contrariou a mediana das projeções do mercado, que indicava redução para 13,5%.

A pausa preserva um juro 1,25 ponto percentual abaixo dos 15% vigentes até março. Ao mesmo tempo, adia o alívio esperado por empresas e famílias endividadas. O Banco Central (BC) citou mais incertezas, expectativas de inflação elevadas e desaceleração econômica mais forte.

Mercado esperava outro corte

O Boletim Focus de segunda-feira (2) mostrava Selic de 13,5% no fim de 2026. O relatório reúne projeções de instituições financeiras. Uma semana antes, a mediana era 13,25%. A revisão já sinalizava menor confiança em novos cortes, mas não na interrupção confirmada nesta quarta.

Pausa mantém juro acima da projeção para dezembro Taxas ao ano e inflação estimada para o fim de 2026

Indicador Valor
Selic mantida pelo Copom 13,75%
Selic projetada pelo Focus 13,50%
Inflação projetada pelo Focus 5,22%
Teto da meta de inflação 4,50%

Fonte: Banco Central e Boletim Focus de 2/11/2026.

A diferença entre a decisão e a projeção para dezembro é de 0,25 ponto percentual. Esse era o tamanho dos cinco cortes anteriores. O Copom não indicou quando poderá retomá-los. A próxima reunião está marcada para 8 e 9 de dezembro.

Inflação segue acima do limite

A prévia da inflação oficial, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), subiu 4,62% em 12 meses até outubro. O resultado supera o teto de 4,5%. A meta contínua tem centro de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

No comunicado, o Copom descreveu uma política monetária “substancialmente contracionista”. Isso significa que o juro busca conter consumo e investimento para reduzir a pressão sobre preços. O BC também mencionou o câmbio e o El Niño, fenômeno climático que pode afetar a produção de alimentos.

A manutenção não altera automaticamente as parcelas de todos os contratos. Ela preserva a referência usada em novas operações e em dívidas ligadas ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI), taxa que acompanha de perto a Selic. O crédito bancário também inclui risco, custos e margem de cada instituição.

O juro básico também influencia o custo da dívida pública. Parte dos títulos federais é corrigida pela Selic. Quando a taxa permanece alta, o governo reserva mais receita para despesas financeiras. Esse efeito não é imediato nem uniforme, porque a dívida reúne títulos com prazos e indexadores diferentes.

Para quem aplica, a pausa mantém o rendimento dos produtos pós-fixados. Isso não significa ganho garantido sobre a inflação em qualquer prazo. O resultado depende da taxa contratada, dos impostos e do tempo de permanência. A decisão de investimento deve considerar o objetivo, e não apenas a Selic.

O que diz o Banco Central: No comunicado da 282ª reunião, o Copom afirma que o cenário exige “serenidade e cautela”. O colegiado cita incertezas maiores, inflação esperada mais alta e desaceleração da atividade, sem antecipar a próxima decisão.

Próximos dados ganham peso

O mercado reduziu a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 a 1,76%. O indicador mede a produção de bens e serviços. Três semanas antes, a estimativa era 1,85%. O dado ajuda a entender o custo econômico mencionado pelo próprio BC.

A ata da reunião será publicada na terça-feira (10). O documento deve detalhar a discussão sobre câmbio, clima e inflação. Até a reunião de dezembro, novos índices de preços e atividade mostrarão se a pausa será curta ou se o juro alto permanecerá por mais tempo.

Como fizemos: Comparamos o comunicado do Copom de 4/11/2026 com os Boletins Focus citados pela Agência Brasil, acessados em 5/11/2026. Calculamos a diferença entre 15% e 13,75% e entre a decisão e a mediana para dezembro. Projeções não são garantias e podem ser revisadas.

Fontes