Galípolo diz que BC só atua no câmbio em caso de disfuncionalidade

Galípolo diz que seu mandato vai até 2028, nega cotação para a Fazenda e afirma que o BC só intervém no câmbio em caso de disfuncionalidade.

Homem de terno azul-marinho e gravata vermelha caminha em um corredor, com pessoas ao fundo.
Gabriel Galípolo chega à sala da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado para sabatina, em 4 de julho de 2023. A imagem é de arquivo.Foto: Pedro França / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Na terça-feira (27), o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, disse que a instituição só atua no câmbio quando há disfuncionalidade. Ou seja, quando o mercado deixa de funcionar bem. A declaração foi dada em coletiva sobre o Relatório de Estabilidade Financeira, em Brasília.

No dia anterior, o dólar disparou depois do segundo turno da eleição presidencial. Segundo o Times Brasil, a moeda subiu 8,41% na segunda-feira (26), para R$ 5,409. Foi a maior alta diária desde janeiro de 1999. Na manhã desta terça, recuava 0,87%.

O mandato e a Fazenda

Galípolo também falou sobre o próprio cargo. “Meu mandato vai até o final de 2028”, disse, segundo o Poder360 e a Brasil em Folhas. Ele negou estar cotado para o Ministério da Fazenda. Segundo o Poder360, atribuiu os rumores a comentários de agentes do mercado.

O que ele disse sobre o câmbio

A frase central foi: “a gente atua só em casos de disfuncionalidade”. Ela aparece no Times Brasil e na Brasil em Folhas. O jornal O Povo relatou que, segundo ele, não há regra fixa para a atuação do BC no câmbio.

Galípolo não detalhou os parâmetros da intervenção. O Poder360 relatou que ele não respondeu a perguntas sobre o tema.

O termo não tem um número oficial. Em agosto de 2024, quando ainda era diretor de Política Monetária, ele disse que a ideia de disfuncionalidade “não diz respeito exclusivamente à métrica de falta de liquidez”. Segundo a InfoMoney, ele citou também o “descolamento dos pares e descolamento de fundamentos”. Em termos simples, o dólar se afasta do que fazem outras moedas e do que mostram as contas e a economia do país. Isso quer dizer que uma alta forte do dólar, sozinha, não basta para o BC agir.

Ferramentas do BC

O swap cambial é um contrato que troca a variação do dólar por juros, em vez de envolver a venda direta da moeda. A Forbes Brasil descreve o instrumento como uma troca de rentabilidades entre o BC e o mercado.

O leilão de linha é a venda de dólares com compromisso de recompra. O BC vende a moeda agora e a compra de volta em data marcada. Por isso, as reservas caem apenas por um período.

As reservas internacionais são o estoque de dólares e outros ativos que o país guarda. Em junho de 2026, somavam US$ 367,6 bilhões, segundo nota do próprio BC.

O que isso significa

Na prática, o BC não fixa um nível para o dólar. Ele diz que age quando o mercado perde o funcionamento normal, e não apenas quando a moeda sobe.

Nesta terça, o Times Brasil relatou um leilão de swap de US$ 4 bilhões, programado para rolar contratos que vencem em 3 de novembro. Segundo a reportagem, que cita a Folha de S.Paulo, a operação não foi extraordinária.

Como o próprio Galípolo disse que não há regra fixa, o limite da disfuncionalidade fica, por ora, a critério do BC. Ele não comentou o que será decidido na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), segundo o Poder360.

O que diz Gabriel Galípolo: Na coletiva de 27/10, ele afirmou que “meu mandato vai até o final de 2028” e que o BC atua no câmbio “só em casos de disfuncionalidade”. O Poder360 relatou que ele também negou estar cotado para o Ministério da Fazenda.

Como fizemos: Usamos reportagens de 27/10/2026 do Poder360, do O Povo, do Times Brasil e da Brasil em Folhas, acessadas nesse dia, além da agenda da coletiva divulgada pelo Legismap em 20/10/2026. Não encontramos a transcrição oficial nem o vídeo da coletiva, por isso as falas são as citadas pelas reportagens. As aspas do mandato e do câmbio aparecem em mais de uma fonte, com pequenas diferenças. O saldo de reservas é o de junho de 2026, da nota do BC de julho, lido em resumo de busca. Não encontramos o saldo de setembro. A alta do dólar varia entre cerca de 8% e 8,4% conforme a fonte; usamos o valor do Times Brasil. A operação de swap de US$ 4 bilhões aparece só no Times Brasil, que cita a Folha, e não conseguimos confirmá-la na Folha. Não localizamos a cobertura ao vivo da InfoMoney citada como base da pauta.

Fontes