Galípolo diz que BC só atua no câmbio em caso de disfuncionalidade
Galípolo diz que seu mandato vai até 2028, nega cotação para a Fazenda e afirma que o BC só intervém no câmbio em caso de disfuncionalidade.

Na terça-feira (27), o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, disse que a instituição só atua no câmbio quando há disfuncionalidade. Ou seja, quando o mercado deixa de funcionar bem. A declaração foi dada em coletiva sobre o Relatório de Estabilidade Financeira, em Brasília.
No dia anterior, o dólar disparou depois do segundo turno da eleição presidencial. Segundo o Times Brasil, a moeda subiu 8,41% na segunda-feira (26), para R$ 5,409. Foi a maior alta diária desde janeiro de 1999. Na manhã desta terça, recuava 0,87%.
O mandato e a Fazenda
Galípolo também falou sobre o próprio cargo. “Meu mandato vai até o final de 2028”, disse, segundo o Poder360 e a Brasil em Folhas. Ele negou estar cotado para o Ministério da Fazenda. Segundo o Poder360, atribuiu os rumores a comentários de agentes do mercado.
O que ele disse sobre o câmbio
A frase central foi: “a gente atua só em casos de disfuncionalidade”. Ela aparece no Times Brasil e na Brasil em Folhas. O jornal O Povo relatou que, segundo ele, não há regra fixa para a atuação do BC no câmbio.
Galípolo não detalhou os parâmetros da intervenção. O Poder360 relatou que ele não respondeu a perguntas sobre o tema.
O termo não tem um número oficial. Em agosto de 2024, quando ainda era diretor de Política Monetária, ele disse que a ideia de disfuncionalidade “não diz respeito exclusivamente à métrica de falta de liquidez”. Segundo a InfoMoney, ele citou também o “descolamento dos pares e descolamento de fundamentos”. Em termos simples, o dólar se afasta do que fazem outras moedas e do que mostram as contas e a economia do país. Isso quer dizer que uma alta forte do dólar, sozinha, não basta para o BC agir.
Ferramentas do BC
O swap cambial é um contrato que troca a variação do dólar por juros, em vez de envolver a venda direta da moeda. A Forbes Brasil descreve o instrumento como uma troca de rentabilidades entre o BC e o mercado.
O leilão de linha é a venda de dólares com compromisso de recompra. O BC vende a moeda agora e a compra de volta em data marcada. Por isso, as reservas caem apenas por um período.
As reservas internacionais são o estoque de dólares e outros ativos que o país guarda. Em junho de 2026, somavam US$ 367,6 bilhões, segundo nota do próprio BC.
O que isso significa
Na prática, o BC não fixa um nível para o dólar. Ele diz que age quando o mercado perde o funcionamento normal, e não apenas quando a moeda sobe.
Nesta terça, o Times Brasil relatou um leilão de swap de US$ 4 bilhões, programado para rolar contratos que vencem em 3 de novembro. Segundo a reportagem, que cita a Folha de S.Paulo, a operação não foi extraordinária.
Como o próprio Galípolo disse que não há regra fixa, o limite da disfuncionalidade fica, por ora, a critério do BC. Ele não comentou o que será decidido na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), segundo o Poder360.
O que diz Gabriel Galípolo: Na coletiva de 27/10, ele afirmou que “meu mandato vai até o final de 2028” e que o BC atua no câmbio “só em casos de disfuncionalidade”. O Poder360 relatou que ele também negou estar cotado para o Ministério da Fazenda.
Como fizemos: Usamos reportagens de 27/10/2026 do Poder360, do O Povo, do Times Brasil e da Brasil em Folhas, acessadas nesse dia, além da agenda da coletiva divulgada pelo Legismap em 20/10/2026. Não encontramos a transcrição oficial nem o vídeo da coletiva, por isso as falas são as citadas pelas reportagens. As aspas do mandato e do câmbio aparecem em mais de uma fonte, com pequenas diferenças. O saldo de reservas é o de junho de 2026, da nota do BC de julho, lido em resumo de busca. Não encontramos o saldo de setembro. A alta do dólar varia entre cerca de 8% e 8,4% conforme a fonte; usamos o valor do Times Brasil. A operação de swap de US$ 4 bilhões aparece só no Times Brasil, que cita a Folha, e não conseguimos confirmá-la na Folha. Não localizamos a cobertura ao vivo da InfoMoney citada como base da pauta.
Fontes
- Galípolo nega cotação para Fazenda e diz que fica no BC até 2028 — Poder360 (27/10/2026)
- Galípolo: não há regra para atuação do BC no câmbio; atuamos em caso de disfuncionalidades — O Povo (27/10/2026)
- Banco Central descarta intervenção no dólar sem sinais de desajuste no mercado, afirma Galípolo — Times Brasil (27/10/2026)
- Galípolo nega estar sendo cotado para Ministério da Fazenda — Brasil em Folhas (27/10/2026)
- BC chegou muito perto de intervenção cambial, diz Galípolo — InfoMoney (22/08/2024)
- Banco Central injeta US$ 2 bi no mercado de câmbio — Forbes Brasil (23/09/2022)
- Relatório de Estabilidade Financeira do primeiro semestre de 2026 será divulgado no dia 27 de outubro — Legismap (20/10/2026)
- Estatísticas do setor externo, julho de 2026 — Banco Central do Brasil
- Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) realiza sabatina de indicados para o Banco Central — Foto: Pedro França / Agência Senado, Wikimedia Commons (CC BY 2.0)



