Fenabrave pede adiamento e cita risco ao caixa das revendedoras

Entidade apoia a reforma, mas quer postergar janeiro de 2027; governo mantém cronograma e admite flexibilizar prazos e multas.

Automóveis expostos em frente a uma concessionária Volkswagen no Rio de Janeiro
Concessionária Volkswagen em Laranjeiras, Rio de Janeiro, fotografada em 10 de fevereiro de 2012.Foto: Eduardo P / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) pediu ao governo o adiamento da reforma tributária. O presidente da entidade, Arcelio Junior, defendeu mais prazo em entrevista ao CNN Money publicada neste sábado (7).

A entidade declarou apoio à reforma e negou intenção de cancelá-la. O pedido atinge a implementação prevista para janeiro de 2027. Arcelio citou dúvidas regulatórias e um possível desencaixe no fluxo de caixa das concessionárias.

Rede reúne 45 empregos por unidade, em média

A Fenabrave informa representar 8.625 unidades em operação, presentes em 952 municípios. Segundo a entidade, essas revendedoras empregam 388 mil pessoas diretamente.

Os números equivalem a uma média de 45 empregos diretos por unidade. Também representam cerca de nove revendedoras por município atendido. São médias nacionais, não a distribuição real de lojas e postos em cada cidade.

Rede tem presença nacional, mas efeitos locais podem variar Dados informados pela Fenabrave e médias calculadas pela redação

Indicador Valor
Unidades em operação 8.625
Municípios atendidos 952
Empregos diretos 388 mil
Empregos por unidade, em média 45
Unidades por município atendido, em média 9,1

Fonte: CNN Money/Fenabrave. Cálculos da redação. As médias não mostram diferenças regionais.

Essa capilaridade ajuda a entender a preocupação do setor. Uma mudança no crédito tributário pode afetar empresas de tamanhos distintos. A entidade mencionou especialmente os pequenos parceiros da cadeia automotiva.

Arcelio afirmou que a regulamentação exigiria balanço ao fim do ano e crédito de alguns tributos em dozeavos. Dozeavos são doze parcelas mensais. A entidade vê nesse prazo um descompasso entre recursos disponíveis e obrigações do caixa.

Governo mantém cobrança em janeiro

A reforma cria a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributo federal que substituirá PIS e Cofins. Também prevê o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de estados e municípios. A transição terá regras próprias ao longo dos próximos anos.

Na quinta-feira (5), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, manteve a entrada da CBS em 1º de janeiro de 2027. Ele admitiu flexibilizar prazos de multas e de obrigações acessórias, como documentos enviados ao Fisco. Isso não equivale a adiar a cobrança.

A diferença delimita o impasse. A Fenabrave pede postergação da implementação, sem indicar um período específico. O governo sinaliza adaptação administrativa para contribuintes de boa-fé, mas preserva a data principal.

O que diz o Ministério da Fazenda: Durigan afirmou que a implementação está mantida para janeiro de 2027. Segundo o Valor, ele admitiu estender prazos de multa ou de prestação de informações acessórias e anunciar programas de conformidade.

Pedido ainda não altera o cronograma

Até a publicação da entrevista, a Fenabrave havia iniciado conversas com o governo para formalizar a solicitação. Não há decisão de adiamento. As empresas devem acompanhar a regulamentação e os eventuais programas de conformidade.

O próximo ponto é saber se a flexibilização atingirá o crédito em dozeavos citado pelo setor. A resposta definirá se o problema de caixa será tratado sem mudar a data de 2027. Por ora, a entrevista registra uma pressão nova, não uma mudança na lei.

Como fizemos: Conferimos as declarações de Arcelio Junior no CNN Money e a posição de Durigan no Valor em 07/11/2026. Dividimos 388 mil empregos por 8.625 unidades e 8.625 unidades por 952 municípios. Não calculamos o impacto financeiro porque a Fenabrave não apresentou valores nem uma proposta detalhada.

Fontes