Fenabrave pede adiamento e cita risco ao caixa das revendedoras
Entidade apoia a reforma, mas quer postergar janeiro de 2027; governo mantém cronograma e admite flexibilizar prazos e multas.

A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) pediu ao governo o adiamento da reforma tributária. O presidente da entidade, Arcelio Junior, defendeu mais prazo em entrevista ao CNN Money publicada neste sábado (7).
A entidade declarou apoio à reforma e negou intenção de cancelá-la. O pedido atinge a implementação prevista para janeiro de 2027. Arcelio citou dúvidas regulatórias e um possível desencaixe no fluxo de caixa das concessionárias.
Rede reúne 45 empregos por unidade, em média
A Fenabrave informa representar 8.625 unidades em operação, presentes em 952 municípios. Segundo a entidade, essas revendedoras empregam 388 mil pessoas diretamente.
Os números equivalem a uma média de 45 empregos diretos por unidade. Também representam cerca de nove revendedoras por município atendido. São médias nacionais, não a distribuição real de lojas e postos em cada cidade.
Rede tem presença nacional, mas efeitos locais podem variar Dados informados pela Fenabrave e médias calculadas pela redação
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Unidades em operação | 8.625 |
| Municípios atendidos | 952 |
| Empregos diretos | 388 mil |
| Empregos por unidade, em média | 45 |
| Unidades por município atendido, em média | 9,1 |
Fonte: CNN Money/Fenabrave. Cálculos da redação. As médias não mostram diferenças regionais.
Essa capilaridade ajuda a entender a preocupação do setor. Uma mudança no crédito tributário pode afetar empresas de tamanhos distintos. A entidade mencionou especialmente os pequenos parceiros da cadeia automotiva.
Arcelio afirmou que a regulamentação exigiria balanço ao fim do ano e crédito de alguns tributos em dozeavos. Dozeavos são doze parcelas mensais. A entidade vê nesse prazo um descompasso entre recursos disponíveis e obrigações do caixa.
Governo mantém cobrança em janeiro
A reforma cria a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributo federal que substituirá PIS e Cofins. Também prevê o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de estados e municípios. A transição terá regras próprias ao longo dos próximos anos.
Na quinta-feira (5), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, manteve a entrada da CBS em 1º de janeiro de 2027. Ele admitiu flexibilizar prazos de multas e de obrigações acessórias, como documentos enviados ao Fisco. Isso não equivale a adiar a cobrança.
A diferença delimita o impasse. A Fenabrave pede postergação da implementação, sem indicar um período específico. O governo sinaliza adaptação administrativa para contribuintes de boa-fé, mas preserva a data principal.
O que diz o Ministério da Fazenda: Durigan afirmou que a implementação está mantida para janeiro de 2027. Segundo o Valor, ele admitiu estender prazos de multa ou de prestação de informações acessórias e anunciar programas de conformidade.
Pedido ainda não altera o cronograma
Até a publicação da entrevista, a Fenabrave havia iniciado conversas com o governo para formalizar a solicitação. Não há decisão de adiamento. As empresas devem acompanhar a regulamentação e os eventuais programas de conformidade.
O próximo ponto é saber se a flexibilização atingirá o crédito em dozeavos citado pelo setor. A resposta definirá se o problema de caixa será tratado sem mudar a data de 2027. Por ora, a entrevista registra uma pressão nova, não uma mudança na lei.
Como fizemos: Conferimos as declarações de Arcelio Junior no CNN Money e a posição de Durigan no Valor em 07/11/2026. Dividimos 388 mil empregos por 8.625 unidades e 8.625 unidades por 952 municípios. Não calculamos o impacto financeiro porque a Fenabrave não apresentou valores nem uma proposta detalhada.



