Desemprego cai a 5,3% e massa de renda bate recorde histórico
Dados do IBGE e do Banco Central mostram emprego e renda no maior nível da série, enquanto a dívida sobe e a inflação passa do teto.

Nesta segunda-feira (26), o noticiário financeiro gira em torno da bolsa. Os números mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Banco Central contam outra história. No trimestre até agosto, o desemprego caiu para 5,3%, a menor taxa para o período desde 2012.
A bolsa mede o humor de quem investe. Ela não mede salário, vaga de emprego nem custo de vida. Por isso, este texto separa as duas coisas, com os dados divulgados até a manhã de hoje.
Quem investe e quem trabalha
A B3, a bolsa de valores brasileira, contou 5,7 milhões de CPFs (o cadastro de cada pessoa física) em renda variável no fim do segundo trimestre de 2026. Esse número cresceu 7% em um ano. Renda variável são aplicações como ações, cujo preço sobe e desce.
No trimestre de junho a agosto, o IBGE contou 103,5 milhões de pessoas ocupadas, recorde da série. Nossa conta: quem trabalha é quase 18 vezes mais gente que o total de CPFs na bolsa.
Emprego e renda no maior nível da série
Na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, a massa de rendimento real, soma de todos os salários corrigida pela inflação, chegou a R$ 385,6 bilhões. Foi a maior da série, com alta de 4,8% em um ano. O rendimento médio real habitual foi de R$ 3.777, 3,7% acima de um ano antes.
O quadro tem um lado frágil. A informalidade atingiu 37,5% dos ocupados, ou 38,8 milhões de pessoas, sem carteira assinada e com menos proteção.
O Novo Caged, o cadastro de vagas com carteira assinada, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), registrou saldo de 165.827 vagas em agosto. Mas, de janeiro a agosto, o saldo somou 1.134.033 vagas, 25,2% abaixo do mesmo período de 2025. Em agosto, o Nordeste teve a maior alta relativa entre as cinco regiões, com 59.356 vagas (+0,74%).
Os dados mais recentes, em uma tabela
Valores divulgados até 26 de outubro de 2026, com período de referência e data de divulgação
| Período | Indicador | Valor | Fonte |
|---|---|---|---|
| 2º tri 2026 | Produto interno bruto (PIB) sobre o 1º tri, ajustado | +0,5% | IBGE, 01/09/2026 |
| 2º tri 2026 | PIB sobre o 2º tri de 2025 | +2,0% | IBGE, 01/09/2026 |
| Jun–ago 2026 | Taxa de desocupação | 5,3% | IBGE, PNAD Contínua, 29/09/2026 |
| Jun–ago 2026 | Rendimento médio real habitual | R$ 3.777 | IBGE, 29/09/2026 |
| Ago 2026 | Saldo de vagas formais | +165.827 | MTE, Novo Caged, 29/09/2026 |
| Jan–ago 2026 | Saldo de vagas formais no ano | 1.134.033 | MTE, Novo Caged, 29/09/2026 |
| Set 2026 | Inflação oficial (IPCA) em 12 meses; teto da meta: 4,5% | 4,58% | IBGE, 09/10/2026 |
| Ago 2026 | Dívida bruta do governo geral | 82,9% do PIB | Banco Central, 30/09/2026 |
Fonte: IBGE, Ministério do Trabalho e Emprego, Banco Central. Elaboração: redação.
Produção, dívida e juros
O PIB, a soma de tudo o que o país produz, cresceu 0,5% no segundo trimestre sobre o primeiro, segundo o IBGE. Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, a alta foi de 2%. Mas o consumo das famílias caiu 0,4% no trimestre.
A dívida bruta do governo geral, que inclui União, estados, municípios e Previdência, chegou a 82,9% do PIB em agosto. Em julho, estava em 82,5%, segundo o Banco Central.
Em agosto, o setor público teve déficit primário de R$ 10 bilhões: as despesas superaram as receitas, sem contar os juros. Com os juros incluídos, o déficit nominal chegou a 9,48% do PIB em 12 meses.
A inflação também segue alta. O IPCA, índice oficial do IBGE, acumulou 4,58% em 12 meses até setembro, acima do teto da meta de 4,5%. A Selic, a taxa básica de juros, está em 13,75% ao ano.
O que diz o IBGE: ao divulgar a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 29 de setembro, a Agência Gov reproduziu o instituto: a taxa de desocupação “caiu 0,3 p.p.” (0,3 ponto percentual) frente ao trimestre até maio.
O que isso significa
Os dados mostram duas faces. Emprego e renda estão no maior nível da série, mas a dívida subiu e a inflação ficou acima do teto da meta.
A bolsa reage a expectativas sobre esses números. Ela pode subir ou cair, e uma queda pode se aprofundar em pânico. Ativos podem perder valor, e esta reportagem não recomenda nenhum investimento. Os próximos números dessas séries ainda não saíram.
Como fizemos: Usamos o PIB do 2º trimestre de 2026 (IBGE, divulgado em 01/09/2026); a PNAD Contínua do trimestre até agosto (IBGE, 29/09/2026); o Novo Caged de agosto (MTE, 29/09/2026); o IPCA de setembro (IBGE, 09/10/2026); a dívida e o resultado fiscal de agosto (Banco Central, 30/09/2026, via Poder360); e o boletim da B3 do 2º trimestre (17/09/2026). Acessamos as fontes em 26/10/2026. Algumas páginas oficiais não abriram na apuração, então conferimos os números em agências e veículos que os citam. A conta de quase 18 vezes é nossa (103,5 milhões dividido por 5,7 milhões) e compara escalas, não investidores com trabalhadores. Não usamos cotações de bolsa ou de dólar deste dia, porque o pregão ainda não tinha fechado. Os números podem ser revisados pelas instituições.
Fontes
- PIB cresce 0,5% no segundo trimestre, aponta IBGE — Agência Gov (01/09/2026)
- Desemprego cai no trimestre e número de pessoas ocupadas é o maior da série — Agência Gov (29/09/2026)
- Taxa de desemprego no Brasil é a menor para trimestre até agosto desde 2012 — DGABC (29/09/2026)
- Caged: saldo líquido de emprego formal é positivo em 165.827 vagas em agosto — DGABC (29/09/2026)
- Caged: Nordeste lidera ritmo de emprego em agosto — Movimento Econômico (29/09/2026)
- Dívida bruta atinge 82,9% do PIB em agosto, diz Banco Central — Poder360 (30/09/2026)
- IPCA de setembro sobe 0,82% e inflação em 12 meses chega a 4,58% — Atlas Público (09/10/2026)
- ETFs ganham 223 mil investidores em um ano e alcançam 862 mil CPFs na B3 — B3 (17/09/2026)
- Sao Paulo Stock Exchange — foto de Rafael Matsunaga, Wikimedia Commons (CC BY 2.0)



