Indústria cai 0,8% em setembro e perde fôlego no ano

Produção recua pela quarta vez em cinco meses; bens de capital caem 1,9% no mês e acumulam perda de 5% em 2026, aponta IBGE.

Automóveis esportivos em uma linha de montagem industrial
Linha de montagem de automóveis da Lotus, em fotografia de 2008.Foto: Brian Snelson / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A produção industrial brasileira caiu 0,8% de agosto para setembro, informou nesta quinta-feira (5) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a quarta retração em cinco meses. A sequência reduziu o crescimento acumulado em 2026 a 0,4% ante o mesmo período de 2025.

O recuo atingiu 17 das 25 atividades pesquisadas e três das quatro grandes categorias econômicas. Na comparação anual, a produção caiu 2,5%. O IBGE ressalva que setembro teve um dia útil a menos que em 2025 e que a base de comparação era elevada.

Máquinas e equipamentos lideram a perda

Bens de capital, categoria que reúne máquinas e equipamentos usados para produzir, caíram 1,9% no mês. O grupo acumula queda de 5% no ano. É um sinal de fraqueza relevante porque esses produtos estão ligados à capacidade de investimento das empresas.

Bens de capital têm a pior leitura no mês e no ano Variação da produção por grande categoria econômica, em porcentagem

Categoria Setembro/agosto Acumulado em 2026
Bens de consumo duráveis 0,7% 2,5%
Bens intermediários -0,7% 1,2%
Bens de consumo semi e não duráveis -1,2% -0,7%
Bens de capital -1,9% -5,0%

Fonte: Pesquisa Industrial Mensal, IBGE, setembro de 2026.

Bens intermediários são insumos usados em outras etapas produtivas. Esse grupo avança 1,2% no ano, apesar da queda mensal. Duráveis, como automóveis e móveis, foram a única categoria com alta em setembro e acumulam crescimento de 2,5%.

Chuva afetou cana e alimentos

Coque, derivados de petróleo e biocombustíveis recuaram 4,2% no mês. Produtos alimentícios caíram 1,7%. Segundo André Macedo, gerente da pesquisa, a menor produção de álcool etílico e derivados de petróleo teve grande peso no resultado.

O IBGE relacionou parte da queda de açúcar e álcool ao menor processamento de cana após chuvas mais intensas. É uma explicação específica para esses segmentos. Não explica sozinha a queda disseminada observada em outros ramos industriais.

As indústrias extrativas avançaram 1,7% e limitaram a retração geral. Petróleo, gás natural e minério de ferro puxaram o resultado. Produtos químicos também subiram 1,7%, enquanto fumo registrou alta de 20,3%, sem reverter o movimento agregado.

Na comparação com setembro de 2025, veículos cresceram 7,3%, e indústrias extrativas, 4,4%. Foram exceções em um mês com retração de 59,3% dos 789 produtos acompanhados. A leitura por itens mostra que a alta de um ramo não representa toda a indústria.

No acumulado anual, máquinas e equipamentos caíram 7,8%, e produtos químicos, 3,3%. Essas atividades aparecem entre as principais influências negativas. Extrativas e veículos, por outro lado, sustentam parte do crescimento de 0,4% ainda observado no ano.

O que diz o IBGE: O gerente André Macedo afirma que o setor apresenta “clara redução na magnitude de crescimento”. O instituto informa que a queda mensal foi disseminada e que chuvas pressionaram o processamento da cana-de-açúcar.

Resultado chega com juro ainda alto

A pesquisa foi divulgada um dia após o Banco Central manter a Selic, taxa básica de juros, em 13,75% ao ano. Juros altos encarecem financiamento de estoques, máquinas e consumo. A pesquisa, porém, não mede quanto da retração foi causada pela política monetária.

Nos cinco meses até setembro, a indústria perdeu 4,1%. A sequência eliminou parte do ganho de 4,2% acumulado nos quatro primeiros meses do ano. A produção está 16,5% abaixo do recorde da série, registrado em maio de 2011.

Os próximos dados mostrarão se a alta dos duráveis terá continuidade e se bens de capital sairão da queda. Para fornecedores e pequenas indústrias, a fraqueza disseminada recomenda atenção a pedidos, estoques e prazos de caixa, sem transformar um único mês em projeção anual.

Como fizemos: Consultamos a Pesquisa Industrial Mensal de setembro de 2026, divulgada em 5/11/2026, e comparamos as quatro categorias no mês e no acumulado anual. As comparações interanuais consideram períodos iguais. A pesquisa revisa séries e não isola causas macroeconômicas.

Fontes