Indústria cai 0,8% em setembro e perde fôlego no ano
Produção recua pela quarta vez em cinco meses; bens de capital caem 1,9% no mês e acumulam perda de 5% em 2026, aponta IBGE.

A produção industrial brasileira caiu 0,8% de agosto para setembro, informou nesta quinta-feira (5) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a quarta retração em cinco meses. A sequência reduziu o crescimento acumulado em 2026 a 0,4% ante o mesmo período de 2025.
O recuo atingiu 17 das 25 atividades pesquisadas e três das quatro grandes categorias econômicas. Na comparação anual, a produção caiu 2,5%. O IBGE ressalva que setembro teve um dia útil a menos que em 2025 e que a base de comparação era elevada.
Máquinas e equipamentos lideram a perda
Bens de capital, categoria que reúne máquinas e equipamentos usados para produzir, caíram 1,9% no mês. O grupo acumula queda de 5% no ano. É um sinal de fraqueza relevante porque esses produtos estão ligados à capacidade de investimento das empresas.
Bens de capital têm a pior leitura no mês e no ano Variação da produção por grande categoria econômica, em porcentagem
| Categoria | Setembro/agosto | Acumulado em 2026 |
|---|---|---|
| Bens de consumo duráveis | 0,7% | 2,5% |
| Bens intermediários | -0,7% | 1,2% |
| Bens de consumo semi e não duráveis | -1,2% | -0,7% |
| Bens de capital | -1,9% | -5,0% |
Fonte: Pesquisa Industrial Mensal, IBGE, setembro de 2026.
Bens intermediários são insumos usados em outras etapas produtivas. Esse grupo avança 1,2% no ano, apesar da queda mensal. Duráveis, como automóveis e móveis, foram a única categoria com alta em setembro e acumulam crescimento de 2,5%.
Chuva afetou cana e alimentos
Coque, derivados de petróleo e biocombustíveis recuaram 4,2% no mês. Produtos alimentícios caíram 1,7%. Segundo André Macedo, gerente da pesquisa, a menor produção de álcool etílico e derivados de petróleo teve grande peso no resultado.
O IBGE relacionou parte da queda de açúcar e álcool ao menor processamento de cana após chuvas mais intensas. É uma explicação específica para esses segmentos. Não explica sozinha a queda disseminada observada em outros ramos industriais.
As indústrias extrativas avançaram 1,7% e limitaram a retração geral. Petróleo, gás natural e minério de ferro puxaram o resultado. Produtos químicos também subiram 1,7%, enquanto fumo registrou alta de 20,3%, sem reverter o movimento agregado.
Na comparação com setembro de 2025, veículos cresceram 7,3%, e indústrias extrativas, 4,4%. Foram exceções em um mês com retração de 59,3% dos 789 produtos acompanhados. A leitura por itens mostra que a alta de um ramo não representa toda a indústria.
No acumulado anual, máquinas e equipamentos caíram 7,8%, e produtos químicos, 3,3%. Essas atividades aparecem entre as principais influências negativas. Extrativas e veículos, por outro lado, sustentam parte do crescimento de 0,4% ainda observado no ano.
O que diz o IBGE: O gerente André Macedo afirma que o setor apresenta “clara redução na magnitude de crescimento”. O instituto informa que a queda mensal foi disseminada e que chuvas pressionaram o processamento da cana-de-açúcar.
Resultado chega com juro ainda alto
A pesquisa foi divulgada um dia após o Banco Central manter a Selic, taxa básica de juros, em 13,75% ao ano. Juros altos encarecem financiamento de estoques, máquinas e consumo. A pesquisa, porém, não mede quanto da retração foi causada pela política monetária.
Nos cinco meses até setembro, a indústria perdeu 4,1%. A sequência eliminou parte do ganho de 4,2% acumulado nos quatro primeiros meses do ano. A produção está 16,5% abaixo do recorde da série, registrado em maio de 2011.
Os próximos dados mostrarão se a alta dos duráveis terá continuidade e se bens de capital sairão da queda. Para fornecedores e pequenas indústrias, a fraqueza disseminada recomenda atenção a pedidos, estoques e prazos de caixa, sem transformar um único mês em projeção anual.
Como fizemos: Consultamos a Pesquisa Industrial Mensal de setembro de 2026, divulgada em 5/11/2026, e comparamos as quatro categorias no mês e no acumulado anual. As comparações interanuais consideram períodos iguais. A pesquisa revisa séries e não isola causas macroeconômicas.



