Caged tem 121,3 mil vagas, 43,5% menos que em 2025

Serviços respondem por dois terços do saldo de setembro, enquanto agropecuária perde vagas e salário real de admissão fica quase estável no mês.

Mãos seguram celular com a tela inicial da Carteira de Trabalho Digital
Tela da Carteira de Trabalho Digital em celular, em imagem de 2021.Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil (CC BY 3.0 BR)

O Brasil abriu 121,3 mil postos formais em setembro, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O saldo é a diferença entre contratações e demissões. Ficou 43,5% abaixo das 214,6 mil vagas de setembro de 2025, na série ajustada por declarações atrasadas.

O resultado também ficou abaixo das 161 mil vagas de agosto na mesma série citada pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Os números mostram desaceleração, não uma queda do estoque total. O país encerrou setembro com 48,35 milhões de trabalhadores com carteira assinada, alta de 1,65% em 12 meses.

Serviços sustentam o saldo positivo

Quatro dos cinco grandes setores contrataram mais do que demitiram. Serviços abriram 81.241 vagas e responderam por cerca de 67% do saldo total. A agropecuária teve saldo negativo de 4.381 postos.

Serviços concentram dois de cada três postos abertos Saldo de admissões e desligamentos por setor, setembro de 2026

Setor Saldo de vagas
Serviços 81.241
Indústria 19.285
Comércio 15.697
Construção civil 9.468
Agropecuária -4.381

Fonte: Novo Caged, Ministério do Trabalho e Emprego, dados ajustados divulgados em 4/11/2026.

Dentro dos serviços, atividades administrativas abriram 18,3 mil vagas. Saúde humana e serviços sociais criaram 15,4 mil. Transporte, armazenagem e correio somaram 13,2 mil. Na indústria, serviços especializados para fabricação de alimentos responderam por 17 mil postos.

Na construção, obras de infraestrutura abriram 4,66 mil vagas, e serviços especializados somaram 3,9 mil. No comércio, o varejo respondeu por 9,43 mil postos. Os dados mostram que a criação de emprego não dependeu de um único segmento, embora os serviços tenham concentrado a maior parcela.

O estoque maior ajuda a interpretar o dado sem alarmismo. As demissões superaram as contratações apenas na agropecuária e no Rio Grande do Sul, mas o total nacional avançou. O problema está no ritmo: foram 93,3 mil vagas a menos que no mesmo mês de 2025.

Acumulado do ano recua 27,9%

De janeiro a setembro, o Caged soma 1.248.914 vagas. No mesmo período de 2025, eram 1.731.398. A redução é de 482.484 postos, ou 27,9%. A comparação usa os mesmos nove meses e os dados ajustados pelo ministério.

Todas as regiões tiveram saldo positivo em setembro. O Nordeste somou 49.142 vagas, e o Sudeste, 39.404. Os totais não medem desempenho por habitante. Entre os estados, 26 tiveram saldo positivo. O Rio Grande do Sul registrou 2,9 mil desligamentos líquidos.

O salário médio real de admissão foi R$ 2.429,41. O valor ficou R$ 1,10 abaixo de agosto, recuo de 0,05%. Na comparação anual, subiu R$ 44,90, ou 1,88%. O indicador já desconta a inflação e mede a remuneração de quem entrou no emprego, não de todos os trabalhadores.

O ganho anual indica preservação do poder de compra na média. Ele não informa a mediana, valor que divide os admitidos em duas metades iguais. Também não revela diferenças salariais por ocupação, escolaridade ou jornada. Por isso, o número não deve ser lido como aumento igual para todos.

O que diz o Ministério do Trabalho e Emprego: A apresentação do Caged atribui o saldo negativo gaúcho ao fim da safra de fumo e à retração do varejo. O ministério informa que os dados passam por ajustes quando empregadores enviam declarações fora do prazo.

Emprego cresce em ritmo menor

O Caged não mede toda a ocupação nem o desemprego. Ele registra movimentações formais declaradas pelos empregadores. Por isso, o saldo positivo convive com um ritmo mais fraco de contratações e com diferenças entre setores.

Os próximos meses indicarão se as compras de fim de ano ampliarão as vagas no comércio e na indústria. Também mostrarão se a renda de admissão manterá ganho real. Para pequenos negócios, a desaceleração anual reforça a importância de planejar contratação, caixa e custos trabalhistas.

Como fizemos: Consultamos os dados ajustados do Caged divulgados em 4/11/2026 e a metodologia apresentada pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Calculamos a participação dos serviços e a diferença absoluta dos acumulados. Valores regionais são totais, não taxas por habitante.

Fontes