Caged de agosto: 165,8 mil vagas escondem setores muito diferentes

O Novo Caged conta vagas com carteira assinada: admissões menos desligamentos. Veja o que ele deixa de fora e como ler o saldo por setor.

Prédio azul de um escritório do Ministério do Trabalho e Emprego, com placa verde e amarela do MTE na fachada, em rua de cidade do interior sob céu nublado.
Prédio do Ministério do Trabalho e Emprego em Araripina (PE). O MTE divulga o Novo Caged.Foto: Aquila Leite / Wikimedia Commons (domínio público)

Em agosto de 2026, o Brasil registrou saldo positivo de 165.827 vagas formais, segundo o Novo Caged. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou o dado na terça-feira (29 de setembro). Um número único, porém, esconde diferenças grandes entre setores.

Este texto explica o que o levantamento mede, o que deixa de fora e como ler o resultado. Também mostra a divisão por setor, que muda bastante a leitura do ano.

O que o Caged mede

O Novo Caged é o levantamento mensal do MTE sobre o emprego com carteira assinada. Ele conta vagas regidas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a lei que organiza o trabalho assalariado no país. O cálculo é simples: admissões menos desligamentos.

Em agosto, foram 2.294.563 admissões e 2.128.736 desligamentos. A diferença entre os dois números dá o saldo de 165.827 vagas. Se houvesse mais demissões que contratações, o saldo seria negativo.

Ficam de fora os trabalhadores informais e os autônomos, que não têm vínculo CLT. O próprio microempreendedor individual (MEI) também não entra na conta. Entram apenas os empregados que ele contrata com carteira assinada.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), faz outra pergunta. Ela mede toda a população ocupada e desocupada, inclusive quem trabalha sem carteira. Entre junho e agosto de 2026, a taxa de desemprego ficou em 5,3%, 0,3 ponto percentual abaixo de um ano antes, segundo o IBGE. Por isso, os dois números não se substituem.

Um número, vários mercados

De janeiro a agosto, o saldo total chegou a 1.134.033 vagas. Serviços concentra mais de três em cada cinco delas. A tabela abre o total por setor.

Serviços puxam o ano; comércio quase não cresceu Saldo de vagas e alta do estoque de vínculos, janeiro a agosto de 2026

Setor Vagas no ano Participação Alta do estoque
Serviços 697.859 61,5% 3,05%
Construção 200.431 17,7% 6,79%
Indústria 170.442 15,0% 1,90%
Agropecuária 56.024 4,9% 3,09%
Comércio 9.300 0,8% 0,09%

Fonte: MTE, via Agência Gov (EBC). Participação calculada pela redação. Alta do estoque é o crescimento dos vínculos ativos do setor no ano.

A construção teve a maior alta proporcional no ano. O comércio somou só 9.300 vagas em oito meses. Sem a divisão por setor, o total de 1,13 milhão parece um mercado uniforme, e não é.

O salário médio de admissão, valor pago a quem foi contratado no mês, ficou em R$ 2.410,74 em agosto. Em agosto de 2025, era R$ 2.386,43, alta de 1,02% em valores reais, segundo o MTE. Esse indicador mostra quem entrou no mercado, não o salário de todos os empregados.

Como ler o saldo

Compare o mês com o mesmo mês do ano anterior. Agosto de 2026 ficou acima de agosto de 2025, que somou 154.683 vagas. Mesmo assim, é o segundo pior agosto desde 2020. Só agosto de 2025 foi pior.

Veja também o acumulado. De janeiro a agosto, o saldo foi 25,2% menor que no mesmo período de 2025, quando somou 1.516.881 vagas. Em 12 meses, o total caiu para 887.708 vagas, 38,8% abaixo do período anterior.

Os números mudam a cada divulgação, porque o MTE faz ajustes na série. O primeiro semestre de 2026 somou 921.645 vagas, segundo o dado divulgado em julho. Esse total ficou 25% abaixo dos 1.229.107 do mesmo período de 2025, segundo a Tribuna do Sertão. Por isso, totais de datas diferentes não batem exatamente.

A data da próxima divulgação, referente a setembro, não foi confirmada por esta redação. O calendário oficial fica no site do MTE.

O que diz o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE): O ministério publica o Novo Caged todo mês, com nota técnica sobre a metodologia, no portal gov.br. Segundo a Agência Gov, os dados de agosto foram divulgados na terça-feira (29). Esta reportagem não enviou perguntas ao órgão antes da publicação.

O que isso significa

O saldo de agosto é positivo, mas está entre os piores agostos da série. No ano, a criação de vagas formais caiu forte frente a 2025. Serviços e construção sustentam o resultado, e o comércio quase parou.

Para entender o mercado de trabalho, vale olhar setor, região e salário de admissão junto com o total. Sem eles, o número geral esconde justamente as diferenças que mais afetam quem contrata e quem procura vaga.

Como fizemos: Usamos os dados do Novo Caged de agosto de 2026, divulgados pelo MTE em 29/09/2026, e os totais de janeiro a agosto, conforme reportagens da Agência Gov (EBC) e do Jornal do Comércio, acessadas em 23/10/2026. A participação de cada setor, a comparação do primeiro semestre com 2025 e as quedas percentuais são cálculos nossos sobre esses números. A soma dos cinco setores (1.134.056) difere do total do ano (1.134.033) em 23 vagas, e não conseguimos explicar a diferença. A PNAD Contínua não mede a mesma coisa que o Caged, e os dados de informalidade não aparecem aqui.

Fontes