Uruguai retoma aves do Brasil e encerra restrição nacional em 19 dias
Decisão derruba a última restrição nacional em 19 dias, ante 74 em 2024; limites a Santa Catarina ainda atingem 15 mil toneladas mensais.

O Uruguai retomou na sexta-feira (6) as importações de produtos avícolas das regiões brasileiras fora da área afetada pela doença de Newcastle. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou a decisão neste sábado. Com isso, nenhum parceiro mantém embargo contra todo o território nacional.
A reversão ocorreu 19 dias após a confirmação do foco em Santa Catarina. Em 2024, o Brasil levou 74 dias para eliminar restrições nacionais semelhantes. O prazo atual é quase quatro vezes menor, mas limites contra o estado catarinense continuam.
O que a regionalização muda
A regionalização permite separar a situação sanitária de uma região da de todo o país. Na prática, um foco localizado deixa de provocar automaticamente a suspensão das compras de todos os estados.
O Uruguai havia suspendido temporariamente a entrada de aves e produtos avícolas brasileiros em 22 de outubro. A resolução citava a necessidade de avaliar o risco depois do foco comunicado dias antes. Agora, o país reconheceu a divisão regional adotada pelo Brasil.
Brasil reverte embargos nacionais quase quatro vezes mais rápido Comparação entre as ocorrências de doença de Newcastle em 2024 e 2026
| Ocorrência | Foco confirmado | Fim das restrições nacionais | Prazo |
|---|---|---|---|
| Rio Grande do Sul | 18 de julho de 2024 | 30 de setembro de 2024 | 74 dias |
| Santa Catarina | 18 de outubro de 2026 | 6 de novembro de 2026 | 19 dias |
Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária. Comparação dos períodos informada pelo ministério.
O foco atual foi identificado em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba (SC). A doença de Newcastle é uma infecção viral que atinge aves. A investigação epidemiológica, a contenção e a vigilância foram conduzidas pelo Mapa e pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina.
Restrição ainda atinge 3% das exportações
O fim dos embargos nacionais não significa normalização completa. Onze países ainda mantêm restrições a produtos avícolas de Santa Catarina, segundo o ministério. O governo negocia para que as medidas fiquem limitadas à área diretamente afetada.
O Mapa estima que essas restrições atinjam 15 mil toneladas por mês. O volume equivale a 3% da média mensal exportada pelo Brasil, de cerca de 500 mil toneladas. Portanto, 97% desse volume médio não aparece na estimativa de impacto das medidas remanescentes.
Também segue proibida a exportação de produtos da área de restrição sanitária. Ela abrange Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. A medida cumpre compromissos internacionais de saúde animal.
Para o consumidor, o ministério afirma que produtos submetidos à inspeção oficial continuam seguros. Segundo a pasta, não há contraindicação para o consumo. A barreira comercial não deve ser interpretada como suspensão geral dos alimentos no mercado interno.
O que diz o Ministério da Agricultura: O ministro André de Paula atribuiu o prazo de 19 dias ao trabalho técnico e às negociações internacionais. O secretário Augusto Billi disse que a regionalização permite decisões proporcionais à situação sanitária, sem comprometer o comércio de todo o país.
Próxima etapa é reduzir a área barrada
A defesa agropecuária pública continuará apresentando evidências aos importadores. O objetivo é substituir restrições estaduais por limites municipais quando as condições técnicas permitirem.
A comparação com 2024 mostra um ganho de velocidade na resposta institucional. O resultado protege produtores e trabalhadores de outros estados contra um embargo amplo. Ainda assim, as vendas catarinenses seguem pressionadas enquanto 11 países mantiverem suas barreiras.
Como fizemos: Usamos as datas e os volumes publicados pelo Mapa em 7 de novembro e a resolução uruguaia de 22 de outubro. Comparamos os 74 dias de 2024 com os 19 dias de 2026 e dividimos 15 mil por 500 mil toneladas para conferir os 3%. Não estimamos receita nem preços, pois o ministério não forneceu esses dados.
Fontes
- Uruguai retoma importações de produtos avícolas do Brasil — Mapa (07/11/2026)
- Resolução 244/026: suspensão temporária de aves brasileiras — Governo do Uruguai (22/10/2026)
- Uruguai retoma compras e encerra restrição nacional — UOL (07/11/2026)
- Brasil reverte restrições nacionais — Agência Gov (07/11/2026)
- Foto: Avicultura em Santa Catarina — Deyvid Setti e Eloy Olindo Setti / Wikimedia Commons (domínio público)



