Uruguai retoma aves do Brasil e encerra restrição nacional em 19 dias

Decisão derruba a última restrição nacional em 19 dias, ante 74 em 2024; limites a Santa Catarina ainda atingem 15 mil toneladas mensais.

Avicultor opera equipamento em galpão com frangos em Campos Novos, Santa Catarina
Avicultor trabalha em granja de Campos Novos (SC), em registro de fevereiro de 2007.Foto: Deyvid Setti e Eloy Olindo Setti / Wikimedia Commons (domínio público)

O Uruguai retomou na sexta-feira (6) as importações de produtos avícolas das regiões brasileiras fora da área afetada pela doença de Newcastle. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou a decisão neste sábado. Com isso, nenhum parceiro mantém embargo contra todo o território nacional.

A reversão ocorreu 19 dias após a confirmação do foco em Santa Catarina. Em 2024, o Brasil levou 74 dias para eliminar restrições nacionais semelhantes. O prazo atual é quase quatro vezes menor, mas limites contra o estado catarinense continuam.

O que a regionalização muda

A regionalização permite separar a situação sanitária de uma região da de todo o país. Na prática, um foco localizado deixa de provocar automaticamente a suspensão das compras de todos os estados.

O Uruguai havia suspendido temporariamente a entrada de aves e produtos avícolas brasileiros em 22 de outubro. A resolução citava a necessidade de avaliar o risco depois do foco comunicado dias antes. Agora, o país reconheceu a divisão regional adotada pelo Brasil.

Brasil reverte embargos nacionais quase quatro vezes mais rápido Comparação entre as ocorrências de doença de Newcastle em 2024 e 2026

Ocorrência Foco confirmado Fim das restrições nacionais Prazo
Rio Grande do Sul 18 de julho de 2024 30 de setembro de 2024 74 dias
Santa Catarina 18 de outubro de 2026 6 de novembro de 2026 19 dias

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária. Comparação dos períodos informada pelo ministério.

O foco atual foi identificado em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba (SC). A doença de Newcastle é uma infecção viral que atinge aves. A investigação epidemiológica, a contenção e a vigilância foram conduzidas pelo Mapa e pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina.

Restrição ainda atinge 3% das exportações

O fim dos embargos nacionais não significa normalização completa. Onze países ainda mantêm restrições a produtos avícolas de Santa Catarina, segundo o ministério. O governo negocia para que as medidas fiquem limitadas à área diretamente afetada.

O Mapa estima que essas restrições atinjam 15 mil toneladas por mês. O volume equivale a 3% da média mensal exportada pelo Brasil, de cerca de 500 mil toneladas. Portanto, 97% desse volume médio não aparece na estimativa de impacto das medidas remanescentes.

Também segue proibida a exportação de produtos da área de restrição sanitária. Ela abrange Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. A medida cumpre compromissos internacionais de saúde animal.

Para o consumidor, o ministério afirma que produtos submetidos à inspeção oficial continuam seguros. Segundo a pasta, não há contraindicação para o consumo. A barreira comercial não deve ser interpretada como suspensão geral dos alimentos no mercado interno.

O que diz o Ministério da Agricultura: O ministro André de Paula atribuiu o prazo de 19 dias ao trabalho técnico e às negociações internacionais. O secretário Augusto Billi disse que a regionalização permite decisões proporcionais à situação sanitária, sem comprometer o comércio de todo o país.

Próxima etapa é reduzir a área barrada

A defesa agropecuária pública continuará apresentando evidências aos importadores. O objetivo é substituir restrições estaduais por limites municipais quando as condições técnicas permitirem.

A comparação com 2024 mostra um ganho de velocidade na resposta institucional. O resultado protege produtores e trabalhadores de outros estados contra um embargo amplo. Ainda assim, as vendas catarinenses seguem pressionadas enquanto 11 países mantiverem suas barreiras.

Como fizemos: Usamos as datas e os volumes publicados pelo Mapa em 7 de novembro e a resolução uruguaia de 22 de outubro. Comparamos os 74 dias de 2024 com os 19 dias de 2026 e dividimos 15 mil por 500 mil toneladas para conferir os 3%. Não estimamos receita nem preços, pois o ministério não forneceu esses dados.

Fontes