Sindicato rejeita semana de seis dias para aeroviários
Proposta patronal permite seis dias seguidos e compensa a segunda folga em outra semana; próxima reunião será em 12 de novembro.

A primeira proposta das empresas para o novo acordo dos aeroviários permite até seis dias seguidos de trabalho. A segunda folga poderia ser transferida para outra semana, desde que a média do mês ficasse em duas folgas semanais. O Sindicato Nacional dos Aeroviários (SNA) rejeita essa flexibilização.
Aeroviários são trabalhadores de solo, como mecânicos de aeronaves e atendentes de call center. A negociação define como a categoria passará à escala 5x2, com cinco dias de trabalho e duas folgas. Ainda não há acordo.
Proposta troca folga semanal por média mensal
O principal impasse está na distribuição do descanso. Pela proposta relatada pelo SNA, uma semana pode ter apenas uma folga. A outra seria compensada em semana diferente do mesmo mês.
O sindicato também aponta mudanças nos limites diários e no aviso das escalas. O texto patronal ainda não foi apresentado como documento público. Por isso, os detalhes abaixo são atribuídos à entidade que participa da negociação.
Três pontos separam a proposta das regras atuais Comparação das condições descritas pelo SNA em 7 de novembro
| Ponto | Regra atual relatada | Proposta patronal relatada |
|---|---|---|
| Folgas | Modelo 5x1 em adoção gradual | Até seis dias seguidos, com média mensal de duas folgas semanais |
| Jornada diária | Limite de seis horas nos casos negociados | Até oito horas e 36 semanais, sem extra após a sexta hora |
| Mudança de escala | Aviso com cinco dias | Sem antecedência mínima nem pagamento adicional |
Fonte: Sindicato Nacional dos Aeroviários, em entrevista à Folha. A proposta está em negociação.
A convenção anterior fixou 42 horas semanais e previu adoção gradual da escala 5x1. Nesse modelo, o trabalhador atua cinco dias e folga um. O Tribunal Superior do Trabalho homologou o acordo em fevereiro.
A nova legislação prevê a jornada reduzida a partir de 16 de dezembro, sem corte de salário. A data-base da categoria é 1º de dezembro. A próxima reunião entre as partes está marcada para o dia 12 deste mês.
Empresas calculam custo de R$ 26,7 mil por trabalhador
A Associação Brasileira das Empresas de Serviços Auxiliares ao Transporte Aéreo (Abesata) estima alta de 23,9% nos custos das prestadoras do setor. A entidade calcula impacto anual de R$ 1,2 bilhão para adaptar escalas e ampliar equipes.
A conta considera 45 mil trabalhadores empregados atualmente. Dividido igualmente, o impacto corresponde a cerca de R$ 26,7 mil por trabalhador ao ano. É uma média setorial, não o custo individual de cada contratação.
O presidente da Abesata, Ricardo Miguel, argumenta que a alta temporada dificulta contratar e treinar equipes em pouco tempo. Ele defende negociar a recomposição dos valores com as companhias contratantes. A estimativa é da própria associação patronal.
O SNA afirma que os trabalhadores não aceitam abandonar a escala 5x2. Álvaro Quintão, advogado da entidade, disse à Folha que não vê margem para aprovar proposta sem essa garantia. A posição sindical não equivale a uma votação da categoria.
O que dizem as empresas: O Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (SNEA) informa que negocia com 12 sindicatos desde outubro. A entidade diz buscar consenso para preservar a conectividade e a oferta de voos, principalmente na alta temporada. Azul, Gol e a Associação Brasileira das Empresas Aéreas não comentaram; a Latam remeteu a resposta ao SNEA.
O acordo ainda está aberto
A negociação precisa conciliar a operação diária dos aeroportos com duas folgas efetivas em cada semana. A proposta inicial mostra que a média mensal será um ponto central do debate.
O encontro de 12 de novembro indicará se as empresas aceitam rever a compensação entre semanas. Até lá, permanecem abertas as regras de jornada diária, alteração de escala e financiamento das novas equipes.
Como fizemos: Comparamos a proposta e as regras atuais descritas pelo SNA à Folha e conferimos o acordo anterior no Tribunal Superior do Trabalho. Dividimos R$ 1,2 bilhão por 45 mil trabalhadores para obter R$ 26.666,67 ao ano, arredondados a R$ 26,7 mil. Esse cálculo não mede o custo de cada empresa nem valida a projeção patronal.
Fontes
- Aeroviários criticam proposta para escala 5x2 com semana de seis dias — Folha de S.Paulo (07/11/2026)
- TST homologa convenção dos aeroviários e escala 5x1 — Tribunal Superior do Trabalho (11/02/2026)
- Foto: Aeroporto Internacional de Brasília — Antonio Cruz / Agência Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 3.0 BR)



