Governo prevê decreto do fim da 6x1 para segunda

Ministro Luiz Marinho promete texto para 9 de novembro, com oito folgas por mês e negociação coletiva na implantação das novas escalas.

Ministro Luiz Marinho fala ao microfone durante audiência pública
Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, durante audiência em 6 de maio de 2026.Foto: Lula Marques / Agência Brasil (CC BY 3.0 BR)

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou na quarta-feira (4) que o decreto de regulamentação do fim da escala 6x1 deve sair na segunda-feira (9). O texto ainda não foi publicado. A previsão é definir como empresas e trabalhadores organizarão a transição para duas folgas semanais.

A escala 6x1 prevê seis dias de trabalho para um de descanso. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) promulgada em 16 de outubro estabeleceu o modelo 5x2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso. A regulamentação deve coordenar a implementação por setor.

Decreto tratará da implantação

Segundo Marinho, o texto garantirá pelo menos oito folgas em um período de 30 dias. As datas poderão variar conforme a atividade, desde que os descansos estejam consolidados no mês. A flexibilidade mencionada pelo ministro não reduz o total de folgas.

Regra constitucional e implantação não são a mesma etapa Pontos confirmados e questões que dependem do decreto anunciado

Tema Situação informada pelo governo
Descansos Pelo menos oito em 30 dias
Jornada semanal Redução gradual de 44 para 40 horas
Organização por setor Negociação coletiva e diferentes combinações de escala
Início da implantação Previsão de 15 de dezembro
Texto operacional Decreto previsto para 9 de novembro

Fonte: declarações do ministro Luiz Marinho à imprensa em 4/11/2026.

A redução das 44 para as 40 horas semanais será gradual. O governo informa que a implantação deve começar em 15 de dezembro, respeitando a regulamentação. Até o decreto sair, detalhes operacionais e prazos de cada etapa continuam abertos.

O ministério também defende a redução da jornada sem corte salarial. Portanto, distribuir as horas não deve significar pagar menos ao empregado. Jornada semanal e dias de descanso são dimensões diferentes: uma pessoa pode trabalhar cinco dias e ainda precisar reduzir o total de horas.

Oito folgas em 30 dias tampouco significam necessariamente dois descansos consecutivos em toda semana. Marinho falou em consolidação mensal. Como a regulamentação ficará redigida e quais limites serão fixados para essa distribuição são pontos que só o texto final poderá esclarecer.

Negociação coletiva terá papel central

O ministério pretende usar acordos e convenções coletivas para adaptar as escalas. Acordos são negociados entre empresa e sindicato; convenções abrangem uma categoria em determinada base territorial. Marinho também mencionou a possibilidade de convenções nacionais para facilitar a adesão nos estados.

Setores com funcionamento contínuo terão atenção específica. O ministro citou saúde, transporte, segurança e limpeza urbana. Nessas atividades, duas folgas não significam fechar o serviço. A organização precisa distribuir equipes e turnos, preservando os descansos previstos.

A declaração não detalha custos nem regras para cada ocupação. Também não apresenta uma lista de flexibilizações. O próprio Marinho afirmou que a PEC determina dois descansos semanais e que a flexibilidade está em consolidá-los dentro do mês.

O que diz o Ministério do Trabalho e Emprego: Em entrevista coletiva, Marinho disse que o decreto coordenará as escalas “sempre respeitando o comando da PEC”. O ministro defende negociação coletiva e afirma que a transição busca proteger empregados sem impedir o funcionamento das empresas.

Empresas devem acompanhar o texto final

A publicação havia sido esperada para esta semana, mas foi adiada após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não realizar o despacho. Marinho disse que discutiria o assunto com Lula nesta quinta (5). A data de segunda é, portanto, uma previsão do governo.

Para trabalhadores, o ponto central é acompanhar se a negociação preserva oito folgas e a jornada definida na transição. Para empregadores, a preparação inclui mapear turnos, cobertura de folgas e acordos vigentes. Nenhuma adaptação deve partir de um decreto que ainda não foi publicado.

O texto final mostrará como a regra alcançará serviços contínuos e pequenos negócios. Também indicará o papel das negociações já existentes. A fiscalização e a capacidade de organização dos sindicatos serão relevantes para transformar a mudança legal em descanso efetivo.

Como fizemos: Consultamos as declarações de Luiz Marinho publicadas pela Agência Brasil em 4/11/2026 e as diretrizes do Ministério do Trabalho e Emprego. Separamos regras já promulgadas de previsões para o decreto. Não atribuímos ao texto ainda inédito detalhes não divulgados.

Fontes