Tesouro prefixado 2029 sobe a 12,75% enquanto IPCA+ longo cai
Na quinta (22/10), o Tesouro Prefixado 2029 subiu para 12,75% ao ano. Essa taxa é o custo do dinheiro que o governo toma emprestado, e pesa no orçamento.

Na quinta-feira (22), por volta das 11h25, o Tesouro Prefixado 2029 era oferecido a 12,75% ao ano. No fechamento de quarta (21), a taxa estava em 12,66%, segundo o InfoMoney. Em um dia, o juro subiu 0,09 ponto percentual (p.p.).
O Tesouro Direto é o programa do Tesouro Nacional que vende títulos públicos a pessoas físicas pela internet. Um prefixado paga um juro fixo, conhecido na compra. Já um título IPCA+ paga a inflação medida pelo IPCA, a inflação oficial do IBGE, mais um juro fixo acima dela.
Do lado do governo, cada taxa é o custo do dinheiro que ele pega emprestado. A referência de todas elas é a Selic, a taxa básica de juros do país. O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano em 16 de setembro, por decisão unânime, segundo a Atlas Público.
Juro fixo sobe, juro real longo cai
Os prefixados subiram no mesmo dia. Já os IPCA+ mais longos caíram. O IPCA+ 2050 passou de IPCA + 6,71% para IPCA + 6,63%, uma queda de 0,08 p.p., segundo o InfoMoney.
Prefixados sobem e IPCA+ longos caem no meio da manhã Taxas de 22/10 por volta das 11h25, e variação em relação ao fechamento de 21/10
| Título | Taxa em 22/10 | Variação |
|---|---|---|
| Prefixado 2029 | 12,75% a.a. | +0,09 p.p. |
| Prefixado 2032 | 12,94% a.a. | +0,09 p.p. |
| Prefixado com juros semestrais 2037 | 12,97% a.a. | +0,07 p.p. |
| IPCA+ 2032 | IPCA + 6,81% | +0,03 p.p. |
| IPCA+ 2050 | IPCA + 6,63% | −0,08 p.p. |
Fonte: InfoMoney e InvestNews, com dados do Tesouro Nacional. Elaboração: redação.
O prefixado mostra o juro total, que já inclui a inflação esperada. O IPCA+ mostra só o juro acima da inflação. Com as duas taxas do mesmo horário, dá para estimar a inflação que o mercado embute no preço. Nossa conta: 1,1294 dividido por 1,0681, menos 1, dá 5,74% ao ano até 2032. O InfoMoney publicou o mesmo número, e ele fica acima do teto de 4,5% da meta.
Quanto custa a dívida nesse juro
Juro do Tesouro fica abaixo da Selic e acima da inflação de 12 meses Taxas e índices em % ao ano, em outubro de 2026
| Referência | % ao ano |
|---|---|
| Selic (meta, desde 16/09) | 13,75 |
| Tesouro Prefixado 2032 | 12,94 |
| Tesouro Prefixado 2029 | 12,75 |
| Projeção do Copom para o IPCA de 2026 | 5,2 |
| IPCA em 12 meses (setembro) | 4,58 |
| Teto da meta de inflação | 4,5 |
Fonte: Atlas Público (Copom e IPCA), InfoMoney e InvestNews (prefixados), Rankia (IPCA) e InfoMoney (meta). Elaboração: redação.
O Tesouro Prefixado 2029 paga 1 p.p. a menos que a Selic. Isso indica que o mercado espera juros básicos menores até 2029. Não é uma garantia de queda.
O IPCA subiu 0,82% em setembro e acumula 4,58% em 12 meses, segundo o IBGE, reportado pela Atlas Público e pela Rankia. A meta é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O Copom projeta IPCA de 5,2% para 2026 em seu cenário de referência.
Em 2025, os gastos com juros da dívida somaram mais de R$ 1 trilhão, ou 7,91% do PIB, segundo a Folhapress. Essa conta sai do orçamento todo ano. Cada ponto percentual de juro sobre R$ 1 trilhão de dívida equivale a R$ 10 bilhões por ano. É uma conta nossa, para mostrar a escala.
Eleição no radar do mercado
O movimento aconteceu a três dias do segundo turno, marcado para domingo (25). Segundo o InfoMoney, a Quaest divulgada na quarta (21) mostrou Flávio Bolsonaro (PL) com 45% e Lula (PT) com 44%, em empate técnico. O InvestNews diz que o mercado tem reagido às pesquisas de intenção de voto.
As reportagens citam também o petróleo, que chegou a passar de US$ 112 por barril, e a volatilidade nos mercados internacionais. Nenhuma delas atribui a alta de quinta a um fator único.
O que diz o Tesouro Nacional: O Tesouro Direto publica as taxas dos títulos no site oficial, com horário de atualização. A página consultada pela redação mostrava a última atualização às 15h33 de 22/10, mas não trazia as taxas. Não localizamos manifestação do órgão sobre o movimento do dia.
O que isso significa
Os dados mostram um dia com juro fixo em alta e juro real longo em queda. As taxas são de meio da manhã e podem mudar até o fechamento. O custo da dívida depende de cada venda do Tesouro e acompanha a Selic e a inflação. O que vem a seguir é o fechamento do dia, a pesquisa Datafolha prevista para o fim da tarde de quinta e o segundo turno, em 25 de outubro.
Como fizemos: Usamos as taxas do Tesouro Direto de 22/10/2026 publicadas pelo InfoMoney e pelo InvestNews, obtidas por volta das 11h25, e as comparamos com o fechamento de 21/10 citado nas reportagens. A Selic de 13,75% é a definida pelo Copom em 16/09/2026. O IPCA de 4,58% em 12 meses é o de setembro de 2026, reportado pela Atlas Público e pela Rankia. A meta de 3% com tolerância de 1,5 ponto vem do CMN. A inflação de 5,74%, a diferença de 1 p.p. e a conta de R$ 10 bilhões por ponto são cálculos nossos. Os R$ 1 trilhão de juros de 2025 vêm da Folhapress, sem correção pela inflação. As taxas são intradiárias, não o preço final, e não incluem imposto de renda nem taxa de custódia. Dados acessados em 22/10/2026.
Fontes
- Tesouro Direto hoje: taxas prefixadas sobem, mas IPCA+ longos caem — InvestNews
- Tesouro Direto: taxas pré sobem, mas IPCA+ longo recua antes do Datafolha — InfoMoney
- Tesouro Direto: taxas pré recuam, mas IPCA+ sobe após Quaest com empate técnico — InfoMoney
- Tesouro Direto, página oficial do Tesouro Nacional (acesso em 22/10/2026)
- Copom reduz Selic para 13,75% ao ano em decisão unânime — Atlas Público
- IPCA de setembro sobe 0,82% e inflação em 12 meses chega a 4,58% — Atlas Público
- IPCA sobe 0,82% em setembro e inflação em 12 meses passa do teto da meta: 4,58% — Rankia
- CMN define meta de inflação em 3% para 2026 — InfoMoney
- Dívida pública bruta do Brasil sobe e fecha 2025 em 78,7% do PIB — Diário do Comércio (Folhapress)



