Tesouro prefixado 2029 sobe a 12,75% enquanto IPCA+ longo cai

Na quinta (22/10), o Tesouro Prefixado 2029 subiu para 12,75% ao ano. Essa taxa é o custo do dinheiro que o governo toma emprestado, e pesa no orçamento.

Fachada de prédio branco de vários andares com as letras 'Ministério da Fazenda' em dourado na parede, sob folhagem de árvore.
Fachada do Ministério da Fazenda, em Brasília. O Tesouro Nacional é um órgão do ministério.Foto: Pedro França / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Na quinta-feira (22), por volta das 11h25, o Tesouro Prefixado 2029 era oferecido a 12,75% ao ano. No fechamento de quarta (21), a taxa estava em 12,66%, segundo o InfoMoney. Em um dia, o juro subiu 0,09 ponto percentual (p.p.).

O Tesouro Direto é o programa do Tesouro Nacional que vende títulos públicos a pessoas físicas pela internet. Um prefixado paga um juro fixo, conhecido na compra. Já um título IPCA+ paga a inflação medida pelo IPCA, a inflação oficial do IBGE, mais um juro fixo acima dela.

Do lado do governo, cada taxa é o custo do dinheiro que ele pega emprestado. A referência de todas elas é a Selic, a taxa básica de juros do país. O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano em 16 de setembro, por decisão unânime, segundo a Atlas Público.

Juro fixo sobe, juro real longo cai

Os prefixados subiram no mesmo dia. Já os IPCA+ mais longos caíram. O IPCA+ 2050 passou de IPCA + 6,71% para IPCA + 6,63%, uma queda de 0,08 p.p., segundo o InfoMoney.

Prefixados sobem e IPCA+ longos caem no meio da manhã Taxas de 22/10 por volta das 11h25, e variação em relação ao fechamento de 21/10

Título Taxa em 22/10 Variação
Prefixado 2029 12,75% a.a. +0,09 p.p.
Prefixado 2032 12,94% a.a. +0,09 p.p.
Prefixado com juros semestrais 2037 12,97% a.a. +0,07 p.p.
IPCA+ 2032 IPCA + 6,81% +0,03 p.p.
IPCA+ 2050 IPCA + 6,63% −0,08 p.p.

Fonte: InfoMoney e InvestNews, com dados do Tesouro Nacional. Elaboração: redação.

O prefixado mostra o juro total, que já inclui a inflação esperada. O IPCA+ mostra só o juro acima da inflação. Com as duas taxas do mesmo horário, dá para estimar a inflação que o mercado embute no preço. Nossa conta: 1,1294 dividido por 1,0681, menos 1, dá 5,74% ao ano até 2032. O InfoMoney publicou o mesmo número, e ele fica acima do teto de 4,5% da meta.

Quanto custa a dívida nesse juro

Juro do Tesouro fica abaixo da Selic e acima da inflação de 12 meses Taxas e índices em % ao ano, em outubro de 2026

Referência % ao ano
Selic (meta, desde 16/09) 13,75
Tesouro Prefixado 2032 12,94
Tesouro Prefixado 2029 12,75
Projeção do Copom para o IPCA de 2026 5,2
IPCA em 12 meses (setembro) 4,58
Teto da meta de inflação 4,5

Fonte: Atlas Público (Copom e IPCA), InfoMoney e InvestNews (prefixados), Rankia (IPCA) e InfoMoney (meta). Elaboração: redação.

O Tesouro Prefixado 2029 paga 1 p.p. a menos que a Selic. Isso indica que o mercado espera juros básicos menores até 2029. Não é uma garantia de queda.

O IPCA subiu 0,82% em setembro e acumula 4,58% em 12 meses, segundo o IBGE, reportado pela Atlas Público e pela Rankia. A meta é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O Copom projeta IPCA de 5,2% para 2026 em seu cenário de referência.

Em 2025, os gastos com juros da dívida somaram mais de R$ 1 trilhão, ou 7,91% do PIB, segundo a Folhapress. Essa conta sai do orçamento todo ano. Cada ponto percentual de juro sobre R$ 1 trilhão de dívida equivale a R$ 10 bilhões por ano. É uma conta nossa, para mostrar a escala.

Eleição no radar do mercado

O movimento aconteceu a três dias do segundo turno, marcado para domingo (25). Segundo o InfoMoney, a Quaest divulgada na quarta (21) mostrou Flávio Bolsonaro (PL) com 45% e Lula (PT) com 44%, em empate técnico. O InvestNews diz que o mercado tem reagido às pesquisas de intenção de voto.

As reportagens citam também o petróleo, que chegou a passar de US$ 112 por barril, e a volatilidade nos mercados internacionais. Nenhuma delas atribui a alta de quinta a um fator único.

O que diz o Tesouro Nacional: O Tesouro Direto publica as taxas dos títulos no site oficial, com horário de atualização. A página consultada pela redação mostrava a última atualização às 15h33 de 22/10, mas não trazia as taxas. Não localizamos manifestação do órgão sobre o movimento do dia.

O que isso significa

Os dados mostram um dia com juro fixo em alta e juro real longo em queda. As taxas são de meio da manhã e podem mudar até o fechamento. O custo da dívida depende de cada venda do Tesouro e acompanha a Selic e a inflação. O que vem a seguir é o fechamento do dia, a pesquisa Datafolha prevista para o fim da tarde de quinta e o segundo turno, em 25 de outubro.

Como fizemos: Usamos as taxas do Tesouro Direto de 22/10/2026 publicadas pelo InfoMoney e pelo InvestNews, obtidas por volta das 11h25, e as comparamos com o fechamento de 21/10 citado nas reportagens. A Selic de 13,75% é a definida pelo Copom em 16/09/2026. O IPCA de 4,58% em 12 meses é o de setembro de 2026, reportado pela Atlas Público e pela Rankia. A meta de 3% com tolerância de 1,5 ponto vem do CMN. A inflação de 5,74%, a diferença de 1 p.p. e a conta de R$ 10 bilhões por ponto são cálculos nossos. Os R$ 1 trilhão de juros de 2025 vêm da Folhapress, sem correção pela inflação. As taxas são intradiárias, não o preço final, e não incluem imposto de renda nem taxa de custódia. Dados acessados em 22/10/2026.

Fontes