Tesouro Direto: títulos, custos e impostos para quem vai começar

No Tesouro Direto, o investidor empresta dinheiro ao governo a partir de R$ 30; veja os títulos, a taxa da B3, o imposto e o risco de vender antes.

Retrato em close de Otávio Ladeira, de óculos, falando ao microfone sobre fundo escuro.
O então secretário do Tesouro Nacional interino, Otavio Ladeira de Medeiros, fala sobre as contas do governo central, em Brasília, em 28 de janeiro de 2016 (imagem de arquivo).Foto: Elza Fiúza / Agência Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O Tesouro Direto aceita aplicações a partir de R$ 30 na maior parte dos títulos, segundo a B3, a bolsa de valores brasileira. Desde 11 de maio de 2026, um título novo, o Tesouro Reserva, aceita a partir de R$ 1. Em todos os casos, quem compra empresta dinheiro ao governo federal e recebe juros por isso.

O programa foi criado em 2002 pelo Tesouro Nacional para vender títulos públicos a pessoas físicas pela internet. A B3 é a responsável pela guarda dos títulos, chamada custódia.

Os principais títulos

O Tesouro Selic rende de acordo com a Selic, a taxa básica de juros do país. É o título com menor oscilação de preço no dia a dia. O Tesouro Prefixado paga uma taxa fixa, conhecida no momento da compra. O Tesouro IPCA+ paga a inflação oficial, medida pelo IPCA, mais uma taxa fixa.

Prefixado e IPCA+ também têm versões com juros semestrais, que pagam parte do rendimento a cada seis meses. O Tesouro RendA+ foi pensado para quem planeja uma renda na aposentadoria. O Tesouro Educa+ paga parcelas mensais durante a fase de estudos de um filho.

O Tesouro Reserva também acompanha a Selic. Segundo a B3, ele pode ser negociado 24 horas por dia, sete dias por semana, e não tem marcação a mercado. No lançamento, só o Banco do Brasil o oferecia, e outras instituições estavam em fase de testes.

Como abrir conta e quanto custa

Para investir, é preciso ter CPF e conta em um banco ou corretora habilitada no programa. A compra é feita pelo site ou aplicativo dessa instituição. Algumas cobram taxa própria, por isso vale conferir antes.

A B3 cobra taxa de custódia de 0,20% ao ano sobre o valor dos títulos. No Tesouro Selic, os primeiros R$ 10 mil por CPF são isentos. A taxa é descontada na venda, no vencimento ou no pagamento de juros semestrais.

O imposto de renda incide só sobre o rendimento e segue uma tabela regressiva, definida pela Lei 11.033, de 2004. A alíquota é de 22,5% até 180 dias, 20% até 360 dias, 17,5% até 720 dias e 15% depois disso. Resgates em menos de 30 dias também pagam IOF, o imposto sobre operações financeiras.

Liquidez e marcação a mercado

O Tesouro Nacional recompra os títulos antes do vencimento. Pedidos feitos entre 9h30 e 18h dos dias úteis usam o preço do momento. Fora desse horário, valem os preços da abertura do dia útil seguinte, segundo a B3.

O valor recebido numa venda antecipada segue o preço de mercado do dia, e não o valor prometido no vencimento. Esse ajuste diário de preço se chama marcação a mercado. Se os juros sobem depois da compra, títulos prefixados e IPCA+ perdem valor no curto prazo.

Quem vende antes pode, assim, sair com menos do que aplicou. Quem fica até o vencimento recebe a taxa contratada na compra.

O que diz o Tesouro Nacional: No site do programa, o Tesouro apresenta o Tesouro Selic como ideal para a reserva de emergência e para quem está começando. O IPCA+ é descrito como opção de rentabilidade acima da inflação, e o Prefixado, como retorno conhecido no vencimento.

O ponto central é casar o prazo do título com o prazo do objetivo. Dinheiro que pode ser necessário a qualquer momento fica exposto a oscilações se estiver em títulos longos. Entender a marcação a mercado antes de aplicar evita surpresas na hora do resgate.

Fontes