Tesouro anuncia quarta recompra após R$ 31,6 bilhões

Novas NTN-B serão recompostas após duas sessões de intervenção; Tesouro também cancela leilão de títulos ligados à Selic.

Operadores diante de painéis com cotações no antigo pregão da Bolsa de Valores de São Paulo
Painéis de cotações no antigo pregão da Bolsa de Valores de São Paulo, em foto de abril de 2007.Foto: Rafael Matsunaga / Flickr / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O Tesouro Nacional anunciou uma nova recompra de títulos públicos após adquirir R$ 31,6 bilhões em papéis nas duas primeiras sessões da semana. A quarta intervenção alcançará Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B), títulos cuja remuneração acompanha a inflação. O órgão também cancelou o próximo leilão de Letras Financeiras do Tesouro (LFT).

As LFTs são títulos pós-fixados ligados à Selic, a taxa básica de juros. O cancelamento reduz a oferta de novos papéis num momento de oscilação das taxas. Na recompra, o Tesouro segue o caminho contrário e retira títulos do mercado antes do vencimento.

A nova operação terá NTN-B com vencimentos em agosto de 2030, maio de 2035, agosto de 2040 e maio de 2045. O edital definirá as condições do leilão. O anúncio não informa antecipadamente o volume financeiro que será efetivamente recomposto.

Intervenções somam R$ 31,6 bilhões

Na segunda-feira (26), o Tesouro recompôs mais de R$ 14,8 bilhões em títulos. Na terça (27), comprou 95,39% de um lote de 4 milhões de NTN-B, em operação de R$ 16,791 bilhões. O total de dois dias chega a R$ 31,591 bilhões, antes da quarta recompra.

Recompras chegam a R$ 31,6 bilhões antes do novo leilão Operações extraordinárias do Tesouro nesta semana

Data Valor financeiro Situação
Segunda-feira (26) Mais de R$ 14,8 bilhões Concluída
Terça-feira (27) R$ 16,791 bilhões Concluída
Total antes do novo anúncio R$ 31,591 bilhões Quarta operação pendente

Fontes: Agência Brasil e Valor Econômico. Total calculado pela redação.

Segundo o Valor, o volume já representa o terceiro maior da história para uma semana. A comparação mostra a intensidade da atuação, mas não mede sozinha seu efeito sobre as taxas. O resultado depende também das condições fiscais e das expectativas dos investidores.

Recompra busca conter oscilações

Quando investidores vendem muitos títulos, seus preços caem e as taxas exigidas para novas aplicações sobem. Ao comprar papéis, o Tesouro oferece demanda e pode reduzir a pressão sobre essas cotações. O mecanismo atua no mercado secundário, em que investidores negociam títulos já emitidos.

Na terça, os contratos de juros futuros recuaram após a disparada de segunda. O contrato para janeiro de 2028 perdeu 0,412 ponto percentual, e o de janeiro de 2031 caiu 0,342 ponto. Os números indicam alívio, mas não comprovam que toda a queda decorreu da recompra.

O Tesouro classifica a recompra como medida extraordinária para corrigir instabilidades. Não se trata de refinanciamento rotineiro nem de perdão da dívida. O governo usa recursos para recomprar obrigações e altera o prazo e a composição dos papéis em circulação.

O que diz o Tesouro Nacional: A instituição afirma que a recompra é usada para corrigir eventuais instabilidades no mercado. O ministro Dario Durigan disse que a intervenção seria anunciada conforme as condições e a necessidade, em declarações reproduzidas pela Agência Brasil.

Efeito seguinte depende da quarta operação

O edital e o resultado mostrarão quanto foi comprado e a quais taxas. Também será possível medir a reação dos contratos futuros após o novo leilão. Até lá, os R$ 31,6 bilhões não devem ser apresentados como valor da quarta recompra.

A atuação pode amenizar uma disfunção imediata, mas não substitui decisões sobre receitas e despesas. Os juros futuros incorporam expectativas para inflação, Selic e risco fiscal. Por isso, o mercado continuará acompanhando as medidas econômicas prometidas pelo governo.

Como fizemos: Consultamos os resultados informados pelo Tesouro e publicados por Agência Brasil, Valor e InfoMoney entre 26 e 28/10/2026. Somamos R$ 14,8 bilhões e R$ 16,791 bilhões para obter o total aproximado. Não atribuímos à recompra toda a queda dos juros nem estimamos o volume do leilão ainda sem resultado.

Fontes