Tesouro anuncia quarta recompra após R$ 31,6 bilhões
Novas NTN-B serão recompostas após duas sessões de intervenção; Tesouro também cancela leilão de títulos ligados à Selic.

O Tesouro Nacional anunciou uma nova recompra de títulos públicos após adquirir R$ 31,6 bilhões em papéis nas duas primeiras sessões da semana. A quarta intervenção alcançará Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B), títulos cuja remuneração acompanha a inflação. O órgão também cancelou o próximo leilão de Letras Financeiras do Tesouro (LFT).
As LFTs são títulos pós-fixados ligados à Selic, a taxa básica de juros. O cancelamento reduz a oferta de novos papéis num momento de oscilação das taxas. Na recompra, o Tesouro segue o caminho contrário e retira títulos do mercado antes do vencimento.
A nova operação terá NTN-B com vencimentos em agosto de 2030, maio de 2035, agosto de 2040 e maio de 2045. O edital definirá as condições do leilão. O anúncio não informa antecipadamente o volume financeiro que será efetivamente recomposto.
Intervenções somam R$ 31,6 bilhões
Na segunda-feira (26), o Tesouro recompôs mais de R$ 14,8 bilhões em títulos. Na terça (27), comprou 95,39% de um lote de 4 milhões de NTN-B, em operação de R$ 16,791 bilhões. O total de dois dias chega a R$ 31,591 bilhões, antes da quarta recompra.
Recompras chegam a R$ 31,6 bilhões antes do novo leilão Operações extraordinárias do Tesouro nesta semana
| Data | Valor financeiro | Situação |
|---|---|---|
| Segunda-feira (26) | Mais de R$ 14,8 bilhões | Concluída |
| Terça-feira (27) | R$ 16,791 bilhões | Concluída |
| Total antes do novo anúncio | R$ 31,591 bilhões | Quarta operação pendente |
Fontes: Agência Brasil e Valor Econômico. Total calculado pela redação.
Segundo o Valor, o volume já representa o terceiro maior da história para uma semana. A comparação mostra a intensidade da atuação, mas não mede sozinha seu efeito sobre as taxas. O resultado depende também das condições fiscais e das expectativas dos investidores.
Recompra busca conter oscilações
Quando investidores vendem muitos títulos, seus preços caem e as taxas exigidas para novas aplicações sobem. Ao comprar papéis, o Tesouro oferece demanda e pode reduzir a pressão sobre essas cotações. O mecanismo atua no mercado secundário, em que investidores negociam títulos já emitidos.
Na terça, os contratos de juros futuros recuaram após a disparada de segunda. O contrato para janeiro de 2028 perdeu 0,412 ponto percentual, e o de janeiro de 2031 caiu 0,342 ponto. Os números indicam alívio, mas não comprovam que toda a queda decorreu da recompra.
O Tesouro classifica a recompra como medida extraordinária para corrigir instabilidades. Não se trata de refinanciamento rotineiro nem de perdão da dívida. O governo usa recursos para recomprar obrigações e altera o prazo e a composição dos papéis em circulação.
O que diz o Tesouro Nacional: A instituição afirma que a recompra é usada para corrigir eventuais instabilidades no mercado. O ministro Dario Durigan disse que a intervenção seria anunciada conforme as condições e a necessidade, em declarações reproduzidas pela Agência Brasil.
Efeito seguinte depende da quarta operação
O edital e o resultado mostrarão quanto foi comprado e a quais taxas. Também será possível medir a reação dos contratos futuros após o novo leilão. Até lá, os R$ 31,6 bilhões não devem ser apresentados como valor da quarta recompra.
A atuação pode amenizar uma disfunção imediata, mas não substitui decisões sobre receitas e despesas. Os juros futuros incorporam expectativas para inflação, Selic e risco fiscal. Por isso, o mercado continuará acompanhando as medidas econômicas prometidas pelo governo.
Como fizemos: Consultamos os resultados informados pelo Tesouro e publicados por Agência Brasil, Valor e InfoMoney entre 26 e 28/10/2026. Somamos R$ 14,8 bilhões e R$ 16,791 bilhões para obter o total aproximado. Não atribuímos à recompra toda a queda dos juros nem estimamos o volume do leilão ainda sem resultado.
Fontes
- Para conter oscilações, Tesouro anuncia nova recompra de títulos — Agência Brasil (28/10/2026)
- Tesouro socorre mercado de juros com recompra de R$ 31 bilhões — Valor Econômico (28/10/2026)
- Prefixados caem após recompras do Tesouro — InfoMoney (27/10/2026)
- Foto: São Paulo Stock Exchange — Wikimedia Commons (CC BY 2.0)


