Sachsida promete não tocar na Petrobras. Em 2022, pediu estudos de venda
Coordenador de Flávio diz que Petrobras, Banco do Brasil e Caixa ficam fora de privatizações. Como ministro, em 2022, pediu estudos para vender a petroleira.

Petrobras, Banco do Brasil e Caixa não serão tocados. A garantia foi dada em 8 de outubro por Adolfo Sachsida, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, segundo a InfoMoney. Na mesma ocasião, a campanha negou planos de privatizar estatais e prometeu fortalecer programas sociais.
A frase tem um problema de memória. Em 2022, como ministro de Minas e Energia do governo Jair Bolsonaro, o próprio Sachsida pediu estudos para privatizar a Petrobras, lembrou a Forbes. O coordenador que hoje fecha a porta foi quem, quatro anos atrás, tentou abri-la.
O que a garantia não cobre
A Forbes notou outro detalhe. Sachsida não disse se a promessa vale para as demais empresas estatais. A garantia cobre três nomes. Todas as outras estatais federais ficaram fora da resposta.
A Forbes publicou a fala sob a pergunta que muitos eleitores fazem: Petrobras, BB e Caixa serão privatizados? Para os três, a resposta do coordenador foi não. Para o resto, houve silêncio. E é nesse resto que o plano de governo pode agir.
Isso pesa porque o plano de governo de Flávio, registrado em 13 de agosto, retoma o Programa Nacional de Desestatização “caso a caso”, segundo o eixos. O programa é o instrumento federal de venda de estatais. O documento não cita a Petrobras, mas também não lista quais empresas entrariam.
Sachsida já tinha defendido o candidato antes. Em fevereiro, segundo o eixos, Flávio afirmou que uma empresa estratégica e monopolista não pode simplesmente ser vendida. Na mesma reportagem, Sachsida garantiu que ele não vai privatizar a Petrobras.
Um candidato de muitas posições
A trajetória do próprio Flávio torna a garantia ainda mais frágil. Em 5 de abril de 2022, ele disse que o pai tinha dado aval para estudar a privatização da Petrobras, em vídeo publicado pelo UOL.
Em 22 de dezembro de 2025, em entrevista à Reuters relatada pela InfoMoney, chamou a Petrobras de complexa demais. Disse que as partes que funcionam deveriam ficar e que as que não funcionam poderiam ser privatizadas.
Em 9 de outubro, um dia depois da fala de Sachsida, Flávio chamou o debate sobre privatização de “boataria”. Também acusou Lula de usar a Petrobras eleitoralmente, segundo a InfoMoney.
A equipe, porém, não fala em uma só voz. Em 18 de agosto, Rogério Marinho, também coordenador da campanha, disse que não há plano para privatizar a Petrobras. Mas não descartou a venda de ativos da empresa, segundo a CNN Brasil.
Venda de ativos é a venda de partes do negócio, como refinarias ou campos de petróleo. Na prática, é uma privatização em fatias, que não exige vender o controle da empresa. É parecido com o que Flávio defendeu à Reuters em 2025.
O registro não sustenta a frase “Flávio vai privatizar a Petrobras”. O que ele mostra é um candidato que já defendeu privatizar e que não descarta vender partes da empresa. E mostra uma equipe em que cada porta-voz diz uma coisa.
Para quem tem ações da Petrobras ou investe em empresas do setor, essa indefinição tem preço. O mercado lida com risco, mas detesta regra incerta. Um governo que pode tanto manter quanto fatiar a empresa deixa o investidor sem base para decidir.
Para o contribuinte, a questão é de franqueza. A Petrobras é uma empresa de capital aberto, controlada pela União, e qualquer mudança no seu controle interessa a acionistas, consumidores e contribuintes. Esta revista defende privatizações bem feitas, com regras claras e concorrência. O que não dá para defender é uma agenda que muda conforme o calendário eleitoral.
O que diz a campanha de Flávio Bolsonaro: Adolfo Sachsida afirma que Petrobras, Banco do Brasil e Caixa não serão tocados e que a campanha vai fortalecer os programas sociais. Flávio chama de “boataria” a discussão sobre privatizar a Petrobras e acusa Lula de usar a empresa eleitoralmente.
A promessa de Sachsida pode até ser cumprida. Mas vem de quem já pediu estudos para vender a Petrobras, em nome de um candidato que já defendeu privatizá-la em partes. A onze dias do segundo turno, o eleitor merece mais do que uma garantia de três nomes. Merece a lista completa do que o “caso a caso” vai incluir.
Fontes
- Campanha de Flávio nega privatizar estatais e promete fortalecer programas sociais — InfoMoney
- Petrobras, BB e Caixa serão privatizados? Veja o que diz coordenador de Flávio — Forbes
- Plano de Flávio Bolsonaro abraça espólio petista, incluindo agenda do gás — eixos
- Sachsida diz que Flávio Bolsonaro não vai privatizar a Petrobras — eixos
- Flávio Bolsonaro diz que pai deu aval para estudar privatização da Petrobras — UOL
- Flávio Bolsonaro defende governo enxuto e privatizações para modernizar o Estado — InfoMoney
- Flávio Bolsonaro descarta privatização da Petrobras como “boataria” — InfoMoney
- Marinho diz que Petrobras é estratégica e não há plano de privatizá-la — CNN Brasil



