Campos Neto, Mansueto, Sachsida: quem cuidaria do seu dinheiro com Flávio

Cinco nomes circulam para a Fazenda de um governo Flávio, e nenhum para o Banco Central. Um deles vê como inviável um ajuste de R$ 200 bilhões em um ano.

Roberto Campos Neto, de terno e óculos, sentado à mesa de uma comissão do Senado, atrás de uma placa com seu nome.
Roberto Campos Neto, então presidente do Banco Central, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, em novembro de 2019 (imagem de arquivo).Foto: Marcos Oliveira / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Cinco nomes. É essa a lista que circula para comandar a economia num eventual governo Flávio Bolsonaro, segundo o NSC Total. Adolfo Sachsida, Marcelo Kayath, Roberto Campos Neto, Mansueto Almeida e Gustavo Montezano aparecem como opções para a Fazenda. Para o Banco Central (BC), a campanha não deu nenhum nome.

A ausência importa. O BC é quem define a Selic, a taxa básica de juros do país, por meio do Comitê de Política Monetária (Copom). E a principal promessa econômica de Flávio é justamente derrubar os juros. Um plano de juros sem ninguém indicado para o banco que decide os juros deixa uma lacuna difícil de ignorar. Quem indica a diretoria do BC é o presidente da República, e os nomes passam por sabatina no Senado. Até aqui, Flávio não disse quem levaria para lá.

Nomes conhecidos, sinais trocados

Os cinco nomes têm currículo. Campos Neto presidiu o BC. Mansueto Almeida comandou o Tesouro Nacional. Sachsida foi ministro no governo Jair Bolsonaro. Montezano presidiu o BNDES, o banco público de desenvolvimento. Para quem investe, nomes com experiência em Brasília são, em tese, uma boa notícia. Esta revista não esconde isso.

O problema está no que alguns deles já disseram. Kayath, cotado para chefiar a equipe, considerou inviável um ajuste fiscal de R$ 200 bilhões no prazo de um ano. A avaliação foi dada em entrevista ao Estadão, reproduzida pelo Terra.

Sachsida, que atua como coordenador da campanha, afirmou em 8 de outubro que Petrobras, Banco do Brasil e Caixa não serão tocados, segundo a InfoMoney. Na mesma ocasião, a campanha negou planos de privatizar estatais e prometeu fortalecer programas sociais. A Forbes observou que ele não disse se a regra vale para as demais estatais. E lembrou que, como ministro, em 2022, o próprio Sachsida pediu estudos para privatizar a Petrobras.

Cada porta-voz, uma conta

Os sinais da equipe não batem entre si. Rogério Marinho, coordenador da campanha, disse em 31 de agosto que a Selic poderia chegar a 12% ou 13% se o controle fiscal viesse cedo, segundo o Eu Quero Investir.

Em agosto, Daniella Marques, depois cotada para vice, detalhou outro caminho. Propôs cortes de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) e um conselho fiscal. Também sugeriu arrecadar de R$ 200 bilhões a R$ 400 bilhões com a securitização da dívida ativa, segundo a InfoMoney. Isso significa vender ao mercado o direito de cobrar impostos atrasados. Ela citou ainda um fundo imobiliário e a antecipação de royalties do petróleo. São receitas que entram uma vez, enquanto o gasto prometido se repete todo ano.

Já o plano de governo registrado promete um “tesouraço” nos gastos e o corte de pelo menos dez ministérios. Não traz o valor da economia, não fixa meta para a Selic e não menciona o BC, segundo a Forbes.

Quando apareceu um número, a campanha recuou. A Folha revelou que a equipe estudava um corte de cerca de R$ 250 bilhões, que incluía corrigir aposentadorias e o BPC só pela inflação. O BPC é o benefício pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. O pacote seria aprovado numa “Super PEC”, uma emenda à Constituição, antes da posse. A campanha disse que aquela não era sua posição oficial, relatou a IstoÉ Dinheiro.

Para o investidor, essa coleção de versões tem custo. Mercado precifica risco, e risco cresce quando cada porta-voz apresenta uma conta diferente. Um nome forte na Fazenda ajuda, mas não substitui um número oficial.

O que diz a campanha de Flávio Bolsonaro: Rogério Marinho afirma que, com controle fiscal no início do governo, a Selic pode cair a 12% ou 13%. Daniella Marques defende um corte de 1,5% do PIB com um conselho fiscal, e Sachsida garante que Petrobras, Banco do Brasil e Caixa ficarão fora de privatizações.

Quem cuidaria do seu dinheiro num governo Flávio? Por enquanto, um elenco de candidatos ao cargo, cada um com uma conta diferente. Nenhum nome para o Banco Central, nenhum número oficial para o corte. Até o dia 25, o investidor e o contribuinte ficam com uma lista de nomes, e não com um plano. Quem tem poupança, financiamento ou aposentadoria merece saber quem decide e com qual regra. Essa resposta, Flávio ainda não deu.

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