Campos Neto, Mansueto, Sachsida: quem cuidaria do seu dinheiro com Flávio
Cinco nomes circulam para a Fazenda de um governo Flávio, e nenhum para o Banco Central. Um deles vê como inviável um ajuste de R$ 200 bilhões em um ano.

Cinco nomes. É essa a lista que circula para comandar a economia num eventual governo Flávio Bolsonaro, segundo o NSC Total. Adolfo Sachsida, Marcelo Kayath, Roberto Campos Neto, Mansueto Almeida e Gustavo Montezano aparecem como opções para a Fazenda. Para o Banco Central (BC), a campanha não deu nenhum nome.
A ausência importa. O BC é quem define a Selic, a taxa básica de juros do país, por meio do Comitê de Política Monetária (Copom). E a principal promessa econômica de Flávio é justamente derrubar os juros. Um plano de juros sem ninguém indicado para o banco que decide os juros deixa uma lacuna difícil de ignorar. Quem indica a diretoria do BC é o presidente da República, e os nomes passam por sabatina no Senado. Até aqui, Flávio não disse quem levaria para lá.
Nomes conhecidos, sinais trocados
Os cinco nomes têm currículo. Campos Neto presidiu o BC. Mansueto Almeida comandou o Tesouro Nacional. Sachsida foi ministro no governo Jair Bolsonaro. Montezano presidiu o BNDES, o banco público de desenvolvimento. Para quem investe, nomes com experiência em Brasília são, em tese, uma boa notícia. Esta revista não esconde isso.
O problema está no que alguns deles já disseram. Kayath, cotado para chefiar a equipe, considerou inviável um ajuste fiscal de R$ 200 bilhões no prazo de um ano. A avaliação foi dada em entrevista ao Estadão, reproduzida pelo Terra.
Sachsida, que atua como coordenador da campanha, afirmou em 8 de outubro que Petrobras, Banco do Brasil e Caixa não serão tocados, segundo a InfoMoney. Na mesma ocasião, a campanha negou planos de privatizar estatais e prometeu fortalecer programas sociais. A Forbes observou que ele não disse se a regra vale para as demais estatais. E lembrou que, como ministro, em 2022, o próprio Sachsida pediu estudos para privatizar a Petrobras.
Cada porta-voz, uma conta
Os sinais da equipe não batem entre si. Rogério Marinho, coordenador da campanha, disse em 31 de agosto que a Selic poderia chegar a 12% ou 13% se o controle fiscal viesse cedo, segundo o Eu Quero Investir.
Em agosto, Daniella Marques, depois cotada para vice, detalhou outro caminho. Propôs cortes de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) e um conselho fiscal. Também sugeriu arrecadar de R$ 200 bilhões a R$ 400 bilhões com a securitização da dívida ativa, segundo a InfoMoney. Isso significa vender ao mercado o direito de cobrar impostos atrasados. Ela citou ainda um fundo imobiliário e a antecipação de royalties do petróleo. São receitas que entram uma vez, enquanto o gasto prometido se repete todo ano.
Já o plano de governo registrado promete um “tesouraço” nos gastos e o corte de pelo menos dez ministérios. Não traz o valor da economia, não fixa meta para a Selic e não menciona o BC, segundo a Forbes.
Quando apareceu um número, a campanha recuou. A Folha revelou que a equipe estudava um corte de cerca de R$ 250 bilhões, que incluía corrigir aposentadorias e o BPC só pela inflação. O BPC é o benefício pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. O pacote seria aprovado numa “Super PEC”, uma emenda à Constituição, antes da posse. A campanha disse que aquela não era sua posição oficial, relatou a IstoÉ Dinheiro.
Para o investidor, essa coleção de versões tem custo. Mercado precifica risco, e risco cresce quando cada porta-voz apresenta uma conta diferente. Um nome forte na Fazenda ajuda, mas não substitui um número oficial.
O que diz a campanha de Flávio Bolsonaro: Rogério Marinho afirma que, com controle fiscal no início do governo, a Selic pode cair a 12% ou 13%. Daniella Marques defende um corte de 1,5% do PIB com um conselho fiscal, e Sachsida garante que Petrobras, Banco do Brasil e Caixa ficarão fora de privatizações.
Quem cuidaria do seu dinheiro num governo Flávio? Por enquanto, um elenco de candidatos ao cargo, cada um com uma conta diferente. Nenhum nome para o Banco Central, nenhum número oficial para o corte. Até o dia 25, o investidor e o contribuinte ficam com uma lista de nomes, e não com um plano. Quem tem poupança, financiamento ou aposentadoria merece saber quem decide e com qual regra. Essa resposta, Flávio ainda não deu.
Fontes
- Flávio Bolsonaro: nomes cotados para os ministérios — NSC Total
- Lula critica “tesouraço” e questiona onde Flávio fará corte de R$ 250 bilhões — Terra/Estadão
- Campanha de Flávio nega privatizar estatais e promete fortalecer programas sociais — InfoMoney
- Petrobras, BB e Caixa serão privatizados? Veja o que diz coordenador de Flávio — Forbes
- Marinho diz que juros podem cair até 12% com Flávio Bolsonaro — Eu Quero Investir
- Cotada para vice, Daniella Marques detalha plano de Flávio com corte de 1,5% do PIB — InfoMoney
- Tesouraço: o plano econômico de Flávio Bolsonaro — Forbes
- Equipe de Flávio estuda corte de 2% do PIB em despesas, diz Folha — IstoÉ Dinheiro



