Renda variável na B3 reúne 5,7 milhões de CPFs, 2,7% dos brasileiros
Dados da B3 até junho de 2026 mostram que a bolsa atinge uma minoria. Fundos e previdência alcançam muito mais gente, mas também podem perder valor.

Em 30 de junho de 2026, 5,7 milhões de CPFs investiam em renda variável na B3, a bolsa brasileira. Renda variável é o grupo de produtos cujo preço sobe e desce com o mercado. O número é da própria bolsa, em dados do segundo trimestre do ano.
Pela população do país, a fatia é de cerca de 2,7%. Nas notícias sobre quedas da bolsa, fala-se em “o mercado” como se ele fosse todo o país. Os números mostram uma escala menor.
Renda variável inclui ações, fundos negociados na bolsa (os ETFs, que acompanham índices) e derivativos. Pessoa física é o cidadão investidor, identificado pelo CPF. A B3 conta cada CPF uma vez, mesmo com contas em mais de uma corretora.
Quanto pesa cada grupo
Para comparar, usamos duas bases. A primeira é a população total, estimada pelo IBGE em 214.211.951 pessoas em 1º de julho de 2026. A segunda são as mais de 168 milhões de pessoas com 16 anos ou mais, base da pesquisa Raio-X do Investidor Brasileiro, da Anbima.
Renda variável é um grupo pequeno entre os investidores Número de pessoas e parte das pessoas com 16 anos ou mais (mais de 168 milhões)
| Dado | Pessoas | Parte dos 16+ |
|---|---|---|
| Renda fixa, B3 (2º tri 2026) | 107,1 mi | 63,8% |
| Algum investimento, Anbima (2025) | 60,6 mi | 36% |
| Renda variável, B3 (2º tri 2026) | 5,7 mi | 3,4% |
| Tesouro Direto, B3 (2º tri 2026) | 3,5 mi | 2,1% |
| ETFs, B3 (2º tri 2026) | 862 mil | 0,5% |
Fontes: B3, Anbima, IBGE. Parte calculada pela redação: número de pessoas dividido por 168 milhões. Elaboração: redação.
A renda fixa aparece no topo, mas não se compara com a Anbima. A B3 conta pessoas com produtos registrados na bolsa, como os CDBs. A Anbima pergunta às pessoas se elas investem.
Quem está na bolsa
Os recortes disponíveis mostram um público concentrado. Segundo dados da B3 de 2025, reportados pelo Viva Notícias, 74% dos investidores em ações eram homens. Por idade, 48% tinham de 25 a 39 anos, 28% de 40 a 59, 14% de 19 a 24 e 7% tinham 60 anos ou mais.
As faixas citadas somam 97%. Não encontramos recorte verificado de renda para os investidores em ações. Por região, a B3 mostra o dado do Tesouro Direto, produto de renda fixa: 58,9% dos investidores estavam no Sudeste em dezembro de 2025.
Cresceu desde 2021, sem queda sustentada
Em dezembro de 2021, a B3 registrou 4,2 milhões de CPFs com renda variável. Em junho de 2026, eram 5,7 milhões. É uma alta de 36%, ou 1,5 milhão de pessoas a mais.
Houve um recuo pontual no início de 2024. Uma prévia da B3 mostrou queda no número de CPFs frente ao ano anterior, segundo o Money Times. Depois disso, a série voltou a subir.
Quem está exposto de outro jeito
Ter ações não é a única forma de sentir o mercado. Fundos e previdência privada também oscilam com a bolsa, em graus diferentes. Em junho de 2026, pessoas físicas tinham R$ 9,1 trilhões aplicados, segundo a Anbima. Desse total, R$ 2,2 trilhões estavam em fundos de investimento.
Na previdência privada aberta, 11,1 milhões de pessoas tinham plano em maio de 2024, segundo a Fenaprevi. Esses dados não mostram quanto de cada fundo ou plano está em ações. Por isso, a fatia de brasileiros afetados por uma queda da bolsa é maior que 2,7%, mas os dados disponíveis não permitem medi-la.
O que diz a B3: em notícia publicada em seu site em 17 de setembro de 2026, a bolsa afirmou que “a base passou de 5,5 milhões de CPFs em dezembro de 2025 para 5,7 milhões no segundo trimestre de 2026”. A notícia não traz recorte de renda dos investidores em ações.
O que isso significa
Os dados da B3 mostram que a bolsa atinge uma parcela pequena dos brasileiros, e que o número de CPFs cresce desde 2021. O efeito de uma queda sobre fundos e previdência, que alcançam mais gente, não aparece nesses números.
Ativos de renda variável podem perder valor, e quedas fortes podem se aprofundar em momentos de pânico. Esta reportagem não recomenda nenhum investimento. Os próximos boletins trimestrais da B3 devem atualizar os dados.
Como fizemos: Usamos os dados da B3 do 2º trimestre de 2026 (CPFs em renda variável, renda fixa, Tesouro Direto e ETFs), reportados em notícia de 17/09/2026, e o total de 4,2 milhões de CPFs de dezembro de 2021, publicado pela B3 em 04/02/2022. Acessamos as fontes em 26/10/2026. A base de 214,2 milhões é do IBGE e a de mais de 168 milhões é da Anbima. As partes e a variação de 36% (de 4,2 para 5,7 milhões) são cálculos nossos. Os recortes por sexo, idade e região vêm de dados da B3 reportados por terceiros, e não localizamos os relatórios originais acessíveis. Não houve contato prévio com a B3 para esta reportagem. Esta reportagem não analisa os números de fechamento do pregão de 26 de outubro de 2026.
Fontes
- ETFs ganham 223 mil investidores em um ano e alcançam 862 mil CPFs na B3 — B3 (17/09/2026) (acesso em 26/10/2026)
- 5 milhões de contas de investidores — B3 (04/02/2022) (acesso em 26/10/2026)
- Anbima lança a nona edição do Raio X do Investidor Brasileiro — Anbima (23/04/2026) (acesso em 26/10/2026)
- Investimentos das pessoas físicas crescem 6,4% e somam R$ 9,1 trilhões no 1º semestre de 2026 — Anbima (03/09/2026) (acesso em 26/10/2026)
- Brasil chega a 214,2 milhões de habitantes em 2026, diz IBGE — Poder360 (28/08/2026) (acesso em 26/10/2026)
- Perfil do investidor brasileiro está mais “prateado” e busca diversificação, aponta B3 — Viva Notícias (08/08/2025) (acesso em 26/10/2026)
- Tesouro Direto cresce 125% no NE e alcança 482 mil investidores na região — Movimento Econômico (11/02/2026) (acesso em 26/10/2026)
- Investidor em retirada: número de CPFs cai e B3 perde marca — Money Times (15/01/2024) (acesso em 26/10/2026)
- Mais de 11 milhões de brasileiros contam com plano de previdência privada em 2024 — InfoMoney (13/07/2024) (acesso em 26/10/2026)
- Sao Paulo Stock Exchange — Wikimedia Commons (CC BY 2.0) (acesso em 26/10/2026)



