Ibovespa: como a B3 escolhe as ações e calcula o índice

Criado em 1968, o principal índice da bolsa reúne 76 ações na carteira de setembro a dezembro de 2026 e é revisto pela B3 a cada quatro meses.

Operadores sentados diante de painéis eletrônicos de cotações no pregão da bolsa de São Paulo.
Operadores diante dos painéis de cotações da Bovespa, hoje B3, em São Paulo, em abril de 2007 (foto de arquivo).Foto: Rafael Matsunaga / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em 8 de setembro, entrou em vigor a nova carteira do Ibovespa, o principal índice da bolsa brasileira. Ela reúne 76 ações de 74 empresas, segundo o Investidor10. A construtora Tenda entrou, e a PetroRecôncavo e a SLC Agrícola saíram.

O Ibovespa foi criado em 1968 e é calculado pela B3, a bolsa de valores do Brasil. A mudança de carteira acontece três vezes por ano e segue regras públicas. Entender essas regras ajuda a ler a frase mais repetida do noticiário econômico: “a bolsa subiu”.

Uma carteira teórica

O índice acompanha uma carteira teórica, ou seja, uma cesta de ações montada só para fins de cálculo. Ninguém é obrigado a comprá-la. A pontuação mostra quanto essa cesta vale em relação a um ponto de partida.

A carteira é revista a cada quatro meses, com início na primeira segunda-feira de janeiro, maio e setembro. Em 2026, a primeira segunda-feira de setembro caiu no feriado de 7 de setembro, e a troca ficou para o dia 8. Antes de cada revisão, a B3 divulga prévias da nova composição.

Quem entra e quem sai

Para entrar, uma ação precisa cumprir quatro critérios ao mesmo tempo, medidos no período das três carteiras anteriores. O primeiro é estar entre as mais negociadas, que somam 85% do Índice de Negociabilidade, uma medida de liquidez da B3. O segundo é ter sido negociada em pelo menos 95% dos pregões.

O terceiro é responder por pelo menos 0,1% do volume financeiro do mercado à vista. O quarto é não ser uma penny stock, como a B3 chama as ações de preço muito baixo, abaixo de R$ 1.

Uma ação sai se deixar de cumprir dois desses critérios ou se ficar fora dos 90% do Índice de Negociabilidade. Também é excluída se a empresa entrar em situação especial, como a recuperação judicial.

O peso de cada ação

O peso de cada ação depende do valor de mercado do free float, a parte das ações que circula livremente na bolsa. Ficam fora dessa conta, por exemplo, as ações nas mãos do controlador.

Há dois limites. Nenhuma empresa pode passar de 20% do índice nas revisões. E o peso de uma ação não pode ser maior que o dobro do que teria se o critério fosse só a liquidez. Na carteira atual, Vale, Itaú e Petrobras têm os maiores pesos, segundo o Investidor10.

O Ibovespa é um índice de retorno total. Isso significa que ele considera os dividendos pagos pelas empresas como se fossem reinvestidos nas ações.

O que quer dizer “a bolsa subiu”

Quando o noticiário diz que “a bolsa subiu 1%”, em geral se refere ao Ibovespa. A cesta teórica ficou 1% mais valiosa naquele dia. Isso não quer dizer que todas as ações subiram, porque as de maior peso podem puxar o índice sozinhas.

O que diz a B3: A metodologia do índice está publicada no site da B3. Segundo o documento, o objetivo do Ibovespa é “ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de maior negociabilidade e representatividade do mercado de ações brasileiro”.

A próxima revisão da carteira está prevista para janeiro de 2027. Para quem acompanha o mercado, o índice serve de régua para comparar o desempenho de ações e fundos. Mas é uma média: o resultado de cada empresa pode ser muito diferente do índice.

Fontes