Petrobras prevê importar 600 milhões de litros de diesel em novembro
Volume recompõe estoques após paradas em refinarias e representa 48% das importações contratadas; setor vê baixo risco de falta.

A Petrobras programou importar 600 milhões de litros de diesel em novembro. O volume equivale a cerca de 125 mil barris por dia e recompõe estoques após paradas programadas nas refinarias Rnest, em Pernambuco, e Repar, no Paraná.
A informação foi dada à Reuters pela diretora de Logística, Comercialização e Mercados, Angélica Laureano. O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome. Por isso, a reposição afeta transporte, indústria, agricultura e preços no país inteiro.
Importação fica acima da média do ano
O volume previsto é 50 milhões de litros menor que o de outubro, queda de 7,7%. Mesmo assim, supera a média diária dos nove primeiros meses do ano. A estatal não previa compras relevantes para novembro, mas mudou o plano após as paradas e o crescimento do consumo.
Compras de novembro superam a média diária do ano Importação de diesel pela Petrobras, em mil barris por dia
| Período | Volume |
|---|---|
| Média de janeiro a setembro | 103 |
| Média do 3º trimestre | 110 |
| Previsão para novembro | 125 |
Fonte: Petrobras, em informações à Reuters.
As encomendas da estatal representam 48% dos contratos de importação já realizados para novembro. O levantamento é da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). Em outubro, a Petrobras respondeu por 51% do diesel importado pelo país, ante 39% em setembro.
O presidente da Abicom, Sergio Araujo, afirmou que o balanço de oferta aponta “baixíssimo risco de falta” do combustível. A avaliação considera os estoques e os contratos firmados até agora. Não é garantia contra problemas logísticos ou mudanças de demanda nas próximas semanas.
Estatal ocupa espaço deixado por importadores privados
A Abicom relata incerteza entre empresas privadas por causa dos custos internacionais e da continuidade do subsídio federal. Segundo a entidade, o diesel nos polos da Petrobras está mais de R$ 3 por litro abaixo da cotação externa. Essa diferença limita a competitividade das importadoras.
O governo renovou no fim de outubro, por mais um mês, a subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel. Subvenção é um recurso público usado para reduzir o custo de uma atividade ou produto. A renovação mensal mantém a dúvida sobre as condições futuras das importações.
A Petrobras informou que complementa a produção interna conforme critérios econômicos, operacionais e contratos com clientes. A empresa também tem operado suas refinarias perto da capacidade máxima. O fator médio de utilização foi de 99% no terceiro trimestre e recuou a 98% em outubro, com as paradas.
O que dizem Petrobras e Abicom: A estatal afirma que os volumes importados variam com demanda, disponibilidade de refino, logística e mercado. A Abicom diz que a participação maior da Petrobras ajuda a reduzir o risco de desabastecimento, enquanto importadores privados enfrentam preços e subsídios incertos.
Dezembro pode marcar pausa nas compras externas
Laureano afirmou que a Petrobras não deve importar diesel em dezembro. A expectativa considera a redução da demanda após o plantio da safra de verão. O ritmo volta a ganhar força no primeiro semestre, com a colheita e outras atividades do agronegócio.
O episódio mostra a importância de coordenar refino, estoques e comércio exterior. A capacidade da estatal de ampliar compras reduz o risco imediato de falta. A dependência de 30% do produto importado, porém, mantém o abastecimento exposto ao câmbio e ao mercado internacional.
Como fizemos: Comparamos os volumes informados pela Petrobras e pela Abicom à Reuters em 05/11/2026. Calculamos a redução de 650 para 600 milhões de litros, equivalente a 7,7%. Separamos previsões de dados realizados e não estimamos estoques, preços futuros nem demanda de dezembro.



