Exportações aos EUA sobem 87%, mas déficit chega a US$ 788 milhões

Vendas somaram US$ 4,316 bilhões em outubro, mas compras americanas foram maiores; no ano, exportações avançam somente 0,2%.

Navios cargueiros e guindastes no terminal de contêineres do Porto de Santos
Navios cargueiros no terminal de contêineres do Porto de Santos, em São Paulo.Foto: Jorge Andrade / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

As exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram 87% em outubro ante o mesmo mês de 2025. Chegaram a US$ 4,316 bilhões, alta de US$ 2 bilhões. Mesmo assim, o Brasil comprou mais do que vendeu ao país e teve déficit de US$ 788 milhões.

Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) foram divulgados na sexta-feira (6). Déficit é a diferença negativa entre exportações e importações. No caso, as compras de produtos americanos subiram 28,6%, para US$ 5,104 bilhões.

O salto mensal ainda não mudou o acumulado

De janeiro a outubro, as vendas aos Estados Unidos avançaram apenas 0,2%. Somaram US$ 31,732 bilhões. As importações recuaram 3,4%, para US$ 36,889 bilhões, e o déficit bilateral chegou a US$ 5,157 bilhões.

Exportações saltam no mês, mas quase não avançam no ano Comércio de mercadorias entre Brasil e Estados Unidos, em US$ bilhões

Período Exportações Importações Saldo
Outubro de 2026 4,316 5,104 -0,788
Janeiro a outubro de 2026 31,732 36,889 -5,157

Fonte: Secex/MDIC. O saldo é calculado como exportações menos importações.

A corrente de comércio, que soma compras e vendas, caiu 1,8% no acumulado. Assim, o desempenho de outubro ainda não representa recuperação de todo o período. Um mês forte pode compensar parte das perdas, mas não apaga os números anteriores.

Os Estados Unidos responderam por cerca de 11,4% das exportações brasileiras em outubro. No acumulado do ano, essa participação foi de aproximadamente 9,9%. O cálculo usa os totais divulgados pela Secex para todos os destinos.

O Brasil tem superávit mesmo com déficit americano

O comércio brasileiro com todos os países segue outra direção. As exportações totais cresceram 20% em outubro, para US$ 37,81 bilhões. As importações avançaram 14,8%, para US$ 28,49 bilhões. O superávit foi de US$ 9,32 bilhões.

No acumulado até outubro, o saldo positivo alcançou US$ 71,04 bilhões. Isso significa que outros mercados mais do que compensaram o déficit com os Estados Unidos. A comparação evita confundir o resultado bilateral com a situação da balança comercial inteira.

O setor extrativo liderou o aumento das exportações totais no mês. Suas vendas cresceram US$ 4,01 bilhões, ou 53,5%, ante outubro de 2025. A indústria de transformação acrescentou US$ 1,31 bilhão, e a agropecuária, US$ 860 milhões, segundo o MDIC.

As sobretaxas americanas continuam no contexto do comércio bilateral. Em julho, os Estados Unidos aplicaram alíquotas adicionais de 25% e 12,5% sobre parte dos produtos brasileiros. Segundo o governo, 52,7% das vendas ao mercado americano permanecem fora dessas tarifas. Os dados mensais não permitem atribuir a alta de outubro a um único produto ou política.

O que diz o MDIC: O ministério destacou o recorde da corrente de comércio brasileira para meses de outubro, com US$ 66,3 bilhões. No acumulado do ano, exportações, importações e corrente total também atingiram recordes, segundo a Secex.

Os próximos meses mostram se houve mudança de tendência

A alta de 87% é relevante porque representa US$ 2 bilhões adicionais em um mês. Ao mesmo tempo, o avanço de 0,2% no ano mostra que a recuperação ainda precisa ser confirmada. A diferença entre os dois números é o principal cuidado na leitura.

Os próximos boletins da Secex indicarão se outubro foi um ponto fora da curva ou o começo de uma trajetória mais forte. Para empresas e trabalhadores, importa também a composição dos produtos e a diversificação dos destinos. Esses detalhes não aparecem no resumo bilateral divulgado.

Como fizemos: Consultamos os dados consolidados da Secex divulgados em 06/11/2026 e separamos o comércio bilateral do total brasileiro. Calculamos saldos e participações americanas: US$ 4,316 bi divididos por US$ 37,81 bi e US$ 31,732 bi por US$ 321,88 bi. Não estimamos produtos responsáveis pela alta.

Fontes