Fed mantém juros dos EUA, mas dois dirigentes pedem alta
Taxa segue entre 3,75% e 4% ao ano; decisão teve placar de 10 a 2, e comunicado oficial diz que inflação continua elevada nos EUA.

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, manteve nesta quarta-feira (28) os juros entre 3,75% e 4% ao ano. A decisão foi aprovada por 10 votos a 2. Lisa Cook e Beth Hammack defenderam aumento de 0,25 ponto percentual.
A pausa ocorre depois da alta de setembro, que levou a taxa ao intervalo atual. O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) informou que a inflação permanece elevada. O colegiado não prometeu cortar nem elevar os juros na próxima reunião.
O comunicado afirma que mais informações ajudarão a definir a política adequada para levar a inflação de volta à meta de 2%. A próxima reunião está marcada para 8 e 9 de dezembro. Até lá, novos dados de preços, emprego e atividade serão incorporados.
Placar revela pressão por nova alta
Dois dos 12 votos defenderam aumento de 0,25 ponto Decisão de política monetária de 28 de outubro de 2026
| Posição | Votos | Proposta |
|---|---|---|
| Manutenção | 10 | Faixa entre 3,75% e 4% |
| Alta | 2 | Elevação de 0,25 ponto percentual |
Fonte: Comunicado do Federal Reserve de 28/10/2026.
Os dois votos divergentes representam 16,7% do total. Eles não alteram o resultado, mas mostram que uma parte do comitê prefere apertar mais as condições financeiras. Apertar significa elevar o custo do crédito para conter demanda e inflação.
O texto descreve atividade econômica em expansão forte, gastos domésticos resilientes e investimento robusto. Também informa que os ganhos de emprego acompanharam a força de trabalho e que o desemprego mudou pouco. O cenário reduz a urgência de estimular a economia com juros menores.
Inflação mantém cautela
A inflação elevada é o principal obstáculo citado para uma flexibilização. Esse termo descreve medidas que tornam o crédito mais barato, como cortes de juros. O Fed reafirmou que buscará estabilidade de preços e retorno da inflação à meta no momento adequado.
A incerteza geopolítica também permanece no comunicado. O comitê não detalhou quanto cada fator pesa na decisão. Por isso, a manutenção não deve ser lida como garantia de pausa prolongada.
Para o Brasil, a decisão mantém a referência de juros em dólar usada por investidores globais. Taxas americanas altas podem sustentar a atração de títulos dos EUA e influenciar o câmbio. O efeito concreto depende das expectativas para dezembro e das condições brasileiras.
O que diz o Federal Reserve: O Fomc informa que manterá reservas amplas no sistema bancário e que precisa acumular informações para escolher a política adequada. O comunicado reafirma a meta de inflação de 2% e registra os dois votos por alta imediata.
Dezembro fica em aberto
O comunicado não antecipa a próxima decisão. Os investidores agora observarão a entrevista do presidente Kevin Warsh e os indicadores divulgados até dezembro. A entrevista pode explicar a divergência e as condições para uma nova alta.
No Brasil, o Copom decidirá a Selic em novembro, antes do próximo encontro americano. O Banco Central brasileiro avaliará o câmbio e o ambiente externo junto com inflação e atividade domésticas. A decisão do Fed é um elemento desse cenário, não uma determinação para a Selic.
Como fizemos: Lemos o comunicado oficial publicado pelo Fed às 14h de Washington e comparamos com a decisão de setembro. Calculamos a proporção dos dois votos divergentes entre os 12 votantes. Não atribuímos ao Fed uma orientação futura ausente do texto nem antecipamos a reação dos mercados brasileiros.


