Fed mantém juros dos EUA, mas dois dirigentes pedem alta

Taxa segue entre 3,75% e 4% ao ano; decisão teve placar de 10 a 2, e comunicado oficial diz que inflação continua elevada nos EUA.

Edifício-sede do Federal Reserve visto de frente, com colunas e bandeira dos Estados Unidos
Sede do Federal Reserve em Washington, onde o comitê de política monetária se reúne, em foto de 2008.Foto: AgnosticPreachersKid / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, manteve nesta quarta-feira (28) os juros entre 3,75% e 4% ao ano. A decisão foi aprovada por 10 votos a 2. Lisa Cook e Beth Hammack defenderam aumento de 0,25 ponto percentual.

A pausa ocorre depois da alta de setembro, que levou a taxa ao intervalo atual. O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) informou que a inflação permanece elevada. O colegiado não prometeu cortar nem elevar os juros na próxima reunião.

O comunicado afirma que mais informações ajudarão a definir a política adequada para levar a inflação de volta à meta de 2%. A próxima reunião está marcada para 8 e 9 de dezembro. Até lá, novos dados de preços, emprego e atividade serão incorporados.

Placar revela pressão por nova alta

Dois dos 12 votos defenderam aumento de 0,25 ponto Decisão de política monetária de 28 de outubro de 2026

Posição Votos Proposta
Manutenção 10 Faixa entre 3,75% e 4%
Alta 2 Elevação de 0,25 ponto percentual

Fonte: Comunicado do Federal Reserve de 28/10/2026.

Os dois votos divergentes representam 16,7% do total. Eles não alteram o resultado, mas mostram que uma parte do comitê prefere apertar mais as condições financeiras. Apertar significa elevar o custo do crédito para conter demanda e inflação.

O texto descreve atividade econômica em expansão forte, gastos domésticos resilientes e investimento robusto. Também informa que os ganhos de emprego acompanharam a força de trabalho e que o desemprego mudou pouco. O cenário reduz a urgência de estimular a economia com juros menores.

Inflação mantém cautela

A inflação elevada é o principal obstáculo citado para uma flexibilização. Esse termo descreve medidas que tornam o crédito mais barato, como cortes de juros. O Fed reafirmou que buscará estabilidade de preços e retorno da inflação à meta no momento adequado.

A incerteza geopolítica também permanece no comunicado. O comitê não detalhou quanto cada fator pesa na decisão. Por isso, a manutenção não deve ser lida como garantia de pausa prolongada.

Para o Brasil, a decisão mantém a referência de juros em dólar usada por investidores globais. Taxas americanas altas podem sustentar a atração de títulos dos EUA e influenciar o câmbio. O efeito concreto depende das expectativas para dezembro e das condições brasileiras.

O que diz o Federal Reserve: O Fomc informa que manterá reservas amplas no sistema bancário e que precisa acumular informações para escolher a política adequada. O comunicado reafirma a meta de inflação de 2% e registra os dois votos por alta imediata.

Dezembro fica em aberto

O comunicado não antecipa a próxima decisão. Os investidores agora observarão a entrevista do presidente Kevin Warsh e os indicadores divulgados até dezembro. A entrevista pode explicar a divergência e as condições para uma nova alta.

No Brasil, o Copom decidirá a Selic em novembro, antes do próximo encontro americano. O Banco Central brasileiro avaliará o câmbio e o ambiente externo junto com inflação e atividade domésticas. A decisão do Fed é um elemento desse cenário, não uma determinação para a Selic.

Como fizemos: Lemos o comunicado oficial publicado pelo Fed às 14h de Washington e comparamos com a decisão de setembro. Calculamos a proporção dos dois votos divergentes entre os 12 votantes. Não atribuímos ao Fed uma orientação futura ausente do texto nem antecipamos a reação dos mercados brasileiros.

Fontes