Bancos cortam PIB de 2027 e adiam alívio dos juros
XP, Bradesco, Itaú, Inter e C6 projetam crescimento entre 0,3% e 1,2% em 2027; mediana das previsões cai de 1,2% para 0,5%.

Seis instituições financeiras pioraram seus cenários para a economia de 2027, segundo levantamento publicado neste sábado (7). Para o Produto Interno Bruto (PIB), soma das riquezas produzidas no país, as novas projeções vão de 0,3% a 1,2%.
A comparação mostra uma mudança mais ampla que a revisão já anunciada pelo Bradesco. A mediana das cinco previsões de crescimento reunidas pelo Brasil247 caiu de 1,2% para 0,5%. Mediana é o valor central de uma lista ordenada.
Cinco bancos reduzem o crescimento esperado
A XP fez a maior revisão em termos relativos. Cortou a projeção de 1% para 0,3%. O C6 manteve a previsão mais alta entre as cinco instituições, mas também reduziu o número, de 1,7% para 1,2%.
Mediana de crescimento esperado cai de 1,2% para 0,5% Projeções para o PIB e para a Selic ao fim de 2027, em % ao ano
| Instituição | PIB antes | PIB agora | Selic ao fim de 2027 |
|---|---|---|---|
| XP | 1,0 | 0,3 | 13,75 |
| Bradesco | 1,0 | 0,4 | 12,75 |
| Itaú | 1,2 | 0,5 | 13,75 |
| Inter | 1,5 | 0,7 | 12,50 |
| C6 | 1,7 | 1,2 | 13,75 |
Fonte: relatórios compilados pelo Brasil247 e pelo InfoMoney. Mediana calculada pela redação.
A Selic é a taxa básica de juros do país e referência para o crédito. XP, Itaú e C6 passaram a prever manutenção em 13,75% até o fim de 2027. Inter e PicPay projetam 12,5%, enquanto o Bradesco estima 12,75%.
Esses números são previsões, não decisões do Banco Central. Eles indicam que os analistas veem menos espaço para financiamentos mais baratos e para a retomada do investimento no próximo ano.
Inflação e emprego limitam o alívio
As seis instituições também projetam inflação acima de 5% em 2027, de acordo com o Brasil247. As estimativas vão de 5,1% a 6,1% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação.
Os bancos citam câmbio, petróleo, clima e custos tributários entre as pressões. O Inter relaciona o risco fiscal ao dólar mais caro. Já a XP aponta crédito restrito, endividamento e menor impulso fiscal como obstáculos à atividade.
A atividade mais fraca aparece também nas projeções de desemprego. Segundo o InfoMoney, Bradesco, Itaú e XP estimam taxas entre 6,4% e 6,8% no fim de 2027. Para trabalhadores, isso significa risco de menos vagas e renda mais pressionada, caso os cenários se confirmem.
O que diz o Banco Central: Ao manter a Selic em 13,75% na quarta-feira (4), o Comitê de Política Monetária afirmou que as incertezas aumentaram e que as expectativas de inflação seguem elevadas. O comunicado pediu “serenidade e cautela” e não indicou os próximos passos.
O que pode mudar esse cenário
As projeções serão revistas se câmbio, inflação ou política fiscal mudarem. O Bradesco, por exemplo, ainda prevê quatro cortes de 0,25 ponto percentual na Selic no segundo semestre de 2027. XP e Itaú não incluem esse alívio em seus cenários atuais.
O contraste é importante para quem produz e trabalha. Juros altos por mais tempo encarecem o crédito, enquanto crescimento próximo de zero reduz o espaço para contratação. Os próximos dados de inflação e atividade mostrarão se a piora projetada se confirma.
Como fizemos: Comparamos os relatórios de seis instituições compilados pelo Brasil247 em 07/11/2026 e conferimos os números de XP, Bradesco e Itaú no InfoMoney e na Reuters. Calculamos a mediana das cinco projeções disponíveis para o PIB, sem preencher o dado não informado pelo PicPay. Não tratamos previsões como resultados realizados.
Fontes
- Mercado revisa crescimento de 2027 para baixo — InfoMoney (07/11/2026)
- Bancos cortam previsão do PIB para 2027 — Brasil247 (07/11/2026)
- Bradesco e XP pioram projeções para inflação e atividade — Reuters/UOL (06/11/2026)
- Copom mantém Selic em 13,75% — Agência Brasil (04/11/2026)
- Foto: Vista aérea do Banco Central — Pedro França / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)



