Bancos cortam PIB de 2027 e adiam alívio dos juros

XP, Bradesco, Itaú, Inter e C6 projetam crescimento entre 0,3% e 1,2% em 2027; mediana das previsões cai de 1,2% para 0,5%.

Vista aérea da sede do Banco Central e de prédios do Setor Bancário Sul, em Brasília
Sede do Banco Central, em Brasília, fotografada em 12 de janeiro de 2026.Foto: Pedro França / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Seis instituições financeiras pioraram seus cenários para a economia de 2027, segundo levantamento publicado neste sábado (7). Para o Produto Interno Bruto (PIB), soma das riquezas produzidas no país, as novas projeções vão de 0,3% a 1,2%.

A comparação mostra uma mudança mais ampla que a revisão já anunciada pelo Bradesco. A mediana das cinco previsões de crescimento reunidas pelo Brasil247 caiu de 1,2% para 0,5%. Mediana é o valor central de uma lista ordenada.

Cinco bancos reduzem o crescimento esperado

A XP fez a maior revisão em termos relativos. Cortou a projeção de 1% para 0,3%. O C6 manteve a previsão mais alta entre as cinco instituições, mas também reduziu o número, de 1,7% para 1,2%.

Mediana de crescimento esperado cai de 1,2% para 0,5% Projeções para o PIB e para a Selic ao fim de 2027, em % ao ano

Instituição PIB antes PIB agora Selic ao fim de 2027
XP 1,0 0,3 13,75
Bradesco 1,0 0,4 12,75
Itaú 1,2 0,5 13,75
Inter 1,5 0,7 12,50
C6 1,7 1,2 13,75

Fonte: relatórios compilados pelo Brasil247 e pelo InfoMoney. Mediana calculada pela redação.

A Selic é a taxa básica de juros do país e referência para o crédito. XP, Itaú e C6 passaram a prever manutenção em 13,75% até o fim de 2027. Inter e PicPay projetam 12,5%, enquanto o Bradesco estima 12,75%.

Esses números são previsões, não decisões do Banco Central. Eles indicam que os analistas veem menos espaço para financiamentos mais baratos e para a retomada do investimento no próximo ano.

Inflação e emprego limitam o alívio

As seis instituições também projetam inflação acima de 5% em 2027, de acordo com o Brasil247. As estimativas vão de 5,1% a 6,1% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação.

Os bancos citam câmbio, petróleo, clima e custos tributários entre as pressões. O Inter relaciona o risco fiscal ao dólar mais caro. Já a XP aponta crédito restrito, endividamento e menor impulso fiscal como obstáculos à atividade.

A atividade mais fraca aparece também nas projeções de desemprego. Segundo o InfoMoney, Bradesco, Itaú e XP estimam taxas entre 6,4% e 6,8% no fim de 2027. Para trabalhadores, isso significa risco de menos vagas e renda mais pressionada, caso os cenários se confirmem.

O que diz o Banco Central: Ao manter a Selic em 13,75% na quarta-feira (4), o Comitê de Política Monetária afirmou que as incertezas aumentaram e que as expectativas de inflação seguem elevadas. O comunicado pediu “serenidade e cautela” e não indicou os próximos passos.

O que pode mudar esse cenário

As projeções serão revistas se câmbio, inflação ou política fiscal mudarem. O Bradesco, por exemplo, ainda prevê quatro cortes de 0,25 ponto percentual na Selic no segundo semestre de 2027. XP e Itaú não incluem esse alívio em seus cenários atuais.

O contraste é importante para quem produz e trabalha. Juros altos por mais tempo encarecem o crédito, enquanto crescimento próximo de zero reduz o espaço para contratação. Os próximos dados de inflação e atividade mostrarão se a piora projetada se confirma.

Como fizemos: Comparamos os relatórios de seis instituições compilados pelo Brasil247 em 07/11/2026 e conferimos os números de XP, Bradesco e Itaú no InfoMoney e na Reuters. Calculamos a mediana das cinco projeções disponíveis para o PIB, sem preencher o dado não informado pelo PicPay. Não tratamos previsões como resultados realizados.

Fontes