Receita registra recorde de R$ 239,4 bi em setembro

Arrecadação federal somou R$ 239,4 bi, alta real de 5,62%. A Previdência teve 27% do total; o lucro das empresas, cerca de 12%.

Posto da Receita Federal na alfândega do Aeroporto Internacional de Brasília, com letreiro azul e verde e selo da Receita Federal na porta.
Posto da alfândega da Receita Federal no Aeroporto Internacional de Brasília.Foto: Vitor Cheregati / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

A Receita Federal divulgou nesta quinta-feira (22) que a arrecadação de setembro de 2026 somou R$ 239,4 bilhões. É o maior valor para um mês de setembro desde o início da série histórica.

Descontada a inflação, a alta foi de 5,62% em relação a setembro de 2025. O cálculo usa o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial medida pelo IBGE. O total ficou praticamente em linha com a mediana de R$ 239,6 bilhões de projeções de analistas reunidas pela Broadcast, da Agência Estado.

Do total, R$ 231,4 bilhões foram arrecadados pela própria Receita, e R$ 8 bilhões por outros órgãos, segundo o Portal da Reforma Tributária. Em agosto, a arrecadação foi de R$ 235,6 bilhões, segundo a Agência Estado.

Em valores correntes, sem descontar a inflação, a comparação com setembro de 2025 é outra. Naquele mês, a arrecadação foi de R$ 216,7 bilhões, segundo a Receita. Pela conta nominal, a diferença chega a cerca de 10,5%, cálculo nosso.

A Previdência puxa a alta

A maior parte veio das contribuições previdenciárias, pagas sobre a folha de salários para financiar aposentadorias e benefícios. Em setembro, somaram R$ 64,6 bilhões, 27% do total, com alta real de 6,18%.

Entre os fatores citados pela Receita está o aumento de 1,72% no total de salários pagos em agosto, acima da inflação. Também pesaram a alta de 7,42% na arrecadação previdenciária do Simples Nacional, regime simplificado para pequenas empresas. A Receita citou ainda a volta escalonada da contribuição patronal dos municípios e da folha de pagamentos.

O PIS/Pasep (Programa de Integração Social) e a Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) incidem sobre o faturamento das empresas e sobre importações. Juntos, somaram R$ 50,4 bilhões em setembro, 21% do total. A alta real foi de 0,76%, segundo reportagens sobre o balanço.

O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) incidem sobre o lucro das empresas. Somaram R$ 29,8 bilhões, com alta real de 1,06%. A alta foi bem menor que a das contribuições sobre a folha de salários.

Renda ou consumo: quem carrega o peso

Previdência, PIS/Pasep e Cofins, que incidem sobre a folha e o faturamento, somaram R$ 115 bilhões em setembro. É quase metade do total, 48%, cálculo nosso.

IRPJ, CSLL e o Imposto de Renda retido na fonte (IRRF) sobre rendimentos de capital, como juros de aplicações financeiras, somaram cerca de R$ 41,9 bilhões. É 17,5% do total, também cálculo nosso. O IRRF sobre esses rendimentos subiu 9,68% em termos reais. Segundo a Agência Estado, a alta reflete a tributação de dividendos iniciada em 2026 e o crescimento das aplicações de renda fixa.

Previdência lidera a arrecadação, e o lucro das empresas fica em terceiro Valores em R$ bilhões, sem correção pela inflação; variação real em setembro de 2026 frente a setembro de 2025

Tributo Setembro (R$ bi) Variação real em setembro Janeiro a setembro (R$ bi)
Contribuições previdenciárias 64,6 +6,18% 575,9
PIS/Pasep e Cofins 50,4 +0,76% 466,6
IRPJ e CSLL 29,8 +1,06% 444,2
IRRF sobre rendimentos de capital 12,1 +9,68% 131,2

Fonte: Receita Federal, segundo CNN Brasil, Agência Estado e Portal da Reforma Tributária. Elaboração: redação.

Os dados verificados não fecham a conta entre renda e consumo. O Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de setembro não aparecem nas reportagens consultadas. A Receita também destacou o imposto de exportação sobre óleo bruto, que somou R$ 2,9 bilhões em setembro, segundo a Agência Estado.

O que diz a Receita Federal: A Receita apresentou o balanço em coletiva na quinta-feira (22), às 11h, transmitida pelo YouTube, segundo aviso publicado em seu site. As reportagens consultadas atribuem ao órgão as explicações sobre a folha de salários, o Simples Nacional e o imposto sobre rendimentos de capital. Não localizamos declaração nominal de dirigente sobre o resultado.

O que isso significa

O acumulado de janeiro a setembro chegou a R$ 2,351 trilhões, com alta real de 6,97%, segundo as reportagens sobre o balanço. A alta veio da folha de salários, do faturamento das empresas e dos rendimentos financeiros.

Setembro confirma que a arrecadação federal segue acima da inflação. Pelos dados verificados, o peso maior está na folha de salários e no faturamento, e menos no lucro. Faltam o IRPF e o IPI para responder por completo quem paga mais entre renda e consumo. Os números de outubro ainda não foram divulgados.

Como fizemos: Usamos os valores de setembro e de janeiro a setembro de 2026 divulgados pela Receita Federal em 22/10/2026, conforme reportados pela CNN Brasil, pela Agência Estado (O Povo), pelo Portal da Reforma Tributária e pelo O Imparcial, acessados em 22/10/2026. As variações reais são as informadas nessas fontes, corrigidas pelo IPCA. Os percentuais de participação, a alta nominal de cerca de 10,5% sobre a base de R$ 216,7 bilhões de setembro de 2025 e os totais de grupos de tributos são cálculos nossos. Uma reportagem usa base de R$ 226,6 bilhões e outra dá 9,87% para o IRRF; mantivemos os valores citados por mais de uma fonte. Reportagens citam R$ 2,019 tri e R$ 2,112 tri para janeiro a agosto: pelas nossas contas, o primeiro é o total administrado pela Receita (R$ 2,250 tri menos R$ 231,4 bi de setembro) e o segundo é o total com outros órgãos menos setembro (R$ 2,351 tri menos R$ 239,4 bi). Não tivemos acesso à tabela completa da Receita. Por isso, não publicamos a linha de R$ 13,3 bilhões que reportagens atribuem ora a importações, ora ao IPI.

Fontes